"Uso ou não do amianto é questão econômica", diz presidente da Eternit
O presidente da Eternit, Elio Martins, disse em entrevista antes da audiência pública em defesa da exploração do uso do amianto crisotila, que a questão do uso ou não do minério no Brasil é uma questão econômica e não de saúde pública. "Dos quatro estados brasileiros em que o amianto crisotila é proibido, em três está presente a Brasilit, que defende a resina plástica", diz. Segundo Martins, o amianto fez muito mal para os trabalhadores até os anos 80. Depois disso, o uso controlado deu segurança para todos. "Não há risco para o usuário de telhas, por exemplo", afirma.
Martins também garantiu que boa parte do mundo que baniu o amianto está pensando em voltar a usá-lo. "A União Européia avalia essa possibilidade, está sendo discutido", destaca. A Eternit produz, com o amianto, 250 milhões de telhas por ano no Brasil, totalizando 140 mil toneladas. O amianto é muito usado por ter um custo mais baixo do que outros materiais. Segundo Martins, dois terços dos lucros da Eternit no Brasil vem de Goiás.
"Não há trabalhador brasileiro com problemas de saúde por causa do amianto nos últimos 30 anos", sustenta o presidente da Eternit. A fibra que substitui o amianto, segundo Martins, não é ainda considerada segura pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A audiência pública para discutir o amianto está sendo realizada no auditório Costa Lima da Assembleia Legislativa, uma iniciativa do deputado Misael Oliveira (PDT).