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Trânsito caótico gera verdadeiro genocídio na Capital

25 de Maio de 2009 às 16:31
Artigo do deputado Daniel Goulart (PSDB) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 23.05.09

* Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB goiano



É chocante analisar as estatísticas de acidentes de trânsito de Goiânia nos primeiros meses desse ano. Este é um reflexo da maneira caótica como ele está sendo conduzido na Capital. De acordo com a média mensal de óbitos deste ano, 27,5, é possível constatar que, praticamente uma pessoa morre por dia vítima do trânsito goianiense. É preciso conter o avanço dessa estatística para que a nossa cidade não tenha um verdadeiro genocídio causado pelo trânsito.

A reportagem “Trânsito em Goiânia é pior em cinco anos”, publicada no jornal Diário da Manhã, do dia 20 de maio, traz números assustadores. Só na Capital, este ano, 136 pessoas perderam suas vidas vítimas desse tipo de acidente. Em relação ao mesmo período do ano passado, o aumento chega a 17%. É um crescimento que supera todo o período nos últimos quatro anos.

Vivemos em tempos de “lei seca” e mesmo assim as estatísticas nos indicam números negativamente expressivos. Na reportagem de João Paulo Teixeira, as autoridades alegam que não descuidaram da fiscalização do trânsito. Porém, basta ver os noticiários locais para constatar que em vários acidentes com mortes o motorista estava embriagado. Na mesma reportagem, há números indicando que cerca de 30% dos acidentes com mortes têm uso comprovado da substância. Ou seja, está faltando algum elo dessa corrente.

Preservar a vida do cidadão tem que ser uma prioridade do poder público. Não basta ter uma lei rigorosa no papel se não há fiscalização. O condutor continua dirigindo depois de ingerir bebida alcoólica porque sabe que não será punido.

Goiânia é a capital brasileira que possui mais carros proporcionalmente à sua população: 1,6 para cada habitante, segundo o Detran. As ruas não comportam mais tantos motoristas. Situação que se agrava com o nosso caótico transporte público. Além de ser caro, a péssima qualidade não faz com que o cidadão troque o seu carro pelo ônibus, inchando as ruas.

Para solucionar o problema, as autoridades do transporte criaram o citybus, popularmente batizado como “vazião”. A intenção era atrair esse motorista para o transporte público, criando linhas alternativas com veículos especiais que oferecem ar-condicionado e até acesso à internet sem fio. Porém, o valor, R$ 4,50, não é atrativo. Abastecer o carro a álcool, por exemplo, fica mais barato e ainda permite ao motorista a escolha do itinerário. É difícil até mesmo encontrar alguém que deixe o carro em casa para andar nesse novo meio de transporte.

Outro problema ocasionado pelo difícil trânsito da Capital é o aumento no número de motociclistas. Eles são a metade das vítimas do trânsito goianiense. Mas hoje é mais fácil pagar a prestação de uma moto que encarar ônibus lotado pagando caro pelo vale-transporte.

Diante de tantos números e fatos, torna-se claro que a solução para o problema do trânsito em Goiânia passa pela aplicação de políticas públicas acertadas e também por uma fiscalização efetiva das leis que já existem. O que a sociedade não pode compactuar mais é com a morte de tantas pessoas vítimas desse caos.


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