Marlúcio defende campanha permanente de combate ao hipotireoidismo
O projeto de lei que dispõe sobre a criação de campanhas permanentes de prevenção, controle e combate ao Hipotireoidismo em todo o Estado, de autoria do deputado Marlúcio Pereira (PTB), tramita na Comissão de Constitução, Justiça e Redação (CCJ)
O projeto prevê a criação de um núcleo onde serão centralizadas todas as informações sobre o paciente, visando evitar a interrupção do tratamento. Uma das consequências mais graves da patologia é o aumento de doenças cardiovasculares, como infartos e derrames.
De acordo com uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre o hipotireoidismo no Brasil 12% das mulheres brasileiras sofrem da doença. O deputado Marlúcio Pereira justificou a necessidade da lei como sendo de extrema importância perante o cenário brasileiro, já que o índice de casos da doença é superior ao registrado em países como Estados Unidos, Holanda, Espanha e Noruega.
HIPOTIREODISMO
O que é? Conjunto de sinais e sintomas decorrentes da diminuição dos hormônios da tireóide. Como se desenvolve? É um quadro clínico que ocorre pela falta dos hormônios da tireóide em decorrência de diversas doenças da tireóide.
No recém-nascido, as causas mais freqüentes envolvem:
| a falta de formação da glândula tireóide (defeitos embrionários) |
| defeitos hereditários das enzimas que sintetizam os hormônios | |
| doenças e medicamentos utilizados pela mãe que interferem no funcionamento da glândula da filho |
| doença auto-imune (tireoidite de Hashimoto) |
| após cirurgia de retirada da tireóide por bócio nodular ou neoplasia | |
| por medicamentos que interferem na síntese e liberação dos hormônios da tireóide (amiodarona, lítio, iodo) | |
| (mais raramente)por bócio endêmico decorrente de deficiência de iodo na alimentação |
| choro rouco |
| hérnia umbelical | |
| constipação | |
| apatia | |
| diminuição de reflexos | |
| pele seca | |
| dificuldade de desenvolvimento |
Na criança, a doença pode provocar déficit de crescimento associado à:
| pele seca |
| sonolência | |
| déficit de atenção | |
| constipação | |
| intolerância ao frio | |
| apatia |
| intolerância ao frio |
| sonolência, constipação | |
| inchumes nas extremidades e nas pálpebras | |
| diminuição de apetite | |
| pequeno ganho de peso | |
| fraqueza muscular | |
| raciocínio lento | |
| depressão | |
| cabelos secos, quebradiços e de crescimento lento | |
| unhas secas, quebradiças e de crescimento lento | |
| queda das pálpebras | |
| queda de cabelos |
A doença predomina no sexo feminino, no qual ocorre também irregularidade menstrual, incluindo a cessação das menstruações (amenorréia), infertilidade e galactorréia (aparecimento de leite nas mamas fora do período de gestação e puerpério). Quando a doença tem causa auto-imune (tireoidite de Hashimoto) pode ocorrer vitiligo e associação com outras moléstias auto-imunes:
| endócrinas (diabetes mellitus, insuficiência adrenal, hipoparatireoidismo) |
| sistêmicas (candidíase, hepatite auto-imune |
Como o médico faz o diagnóstico?
No recém-nascido, deve ser realizada a triagem neonatal através da dosagem de T4 ou TSH em papel filtro. Se essas dosagens forem alteradas, o exame deve ser confirmado com os mesmos procedimentos no sangue e, se alterados, iniciar de imediato o tratamento.
No adulto, o diagnóstico é estabelecido pelas dosagens de T4 e TSH, e se os mesmos estiverem alterados (T4 baixo e TSH elevado), deve ser buscada a causa do problema através da pesquisa de anticorpos antitireoperoxidase (anti-TPO), antimicrossomais ou antitireoglobulina, que demonstrarão a causa auto-imune do distúrbio. Em pacientes com cirurgia prévia, além dos anticorpos, pode ser realizada também a pesquisa do resíduo de tecido tireóideo remanescente através da ultra-sonografia ou da cintilografia de tireóide. Deve ser também analisado o perfil lipídico do paciente, uma vez que ocorre severa dislipidemia associada ao estado de hipotireoidismo.
Como se trata? O tratamento de todas as formas de hipotireoidismo é realizado com Tiroxina (T4) em doses calculadas de 1,6 a 2,2 microgramas por Kg de peso corporal no adulto e de 3 a 15 microgramas por kg de peso corporal, dependendo da idade do paciente. O controle do tratamento é realizado pela dosagem de TSH, que deve se manter sempre normal. Nos pacientes dislipidêmicos devem ser monitorizados também os níveis de colesterol e triglicerídeos.
Como se previne? Os casos que ocorrem após a cirurgia de retirada da tireóide por bócio nodular ou neoplasia podem ser prevenidos através de cirurgia adequada no momento em que a mesma é indicada para o tratamento de bócio. Nas demais situações pode ser realizado um diagnóstico precoce, porém prevenção primária não é disponível