Sem máscara
Lamentável que, ainda jovem, não seja o deputado Thiago Peixoto também moderno. Moço com ares de inteligência, boa criação e bons propósitos, perde-se sempre na falácia para buscar espaço, marcar presença e constituir-se no novo da política de Goiás. Thiago, porém, revela nos seus artigos o discurso velho, o ranço dos que não conseguem enxergar virtudes no adversário, dispostos a exercitar sempre a mensagem da desconstrução sem, no entanto, em momento algum oferecer contribuição ao melhor debate político e propostas à superação de dificuldades. Coloca-se continuadamente como vanguardeiro do velho, da oposição pela oposição.
De sua atuação política não há que se esperar a queda de qualquer máscara: ela está clara, transparente, perdendo-se sempre na visão do que foi, e afasta-se da verdade sem vislumbrar o futuro.
Há alguns anos, ilustre titular da então Secretaria de Planejamento e Coordenação do governo Iris Rezende, em debate após palestra que proferira no Conselho Regional de Economia de Goiás, diante de indagação quanto à existência de planejamento governamental em Goiás, respondeu: “O planejamento do governo está na cabeça do governador.”
Era o tempo da pura intuição. Tempo de alienação da Usina de Corumbá I, com prejuízo de dezenas de milhões de dólares. Tempo da venda de Cachoeira Dourada, com o dinheiro sendo pulverizado de forma irresponsável. Tempo de muitos erros e de alguns acertos. Tempo do PMDB.
Bata em outra tecla, deputado. Em sete anos e 3 meses do governo de Marconi Perillo, nada menos que R$5 bilhões foram destinados ao pagamento de pequena parcela do principal, mais juros e encargos, da maior dívida estadual brasileira – constituída pelos governos do PMDB. No mesmo tempo, o PIB de Goiás teve crescimento nominal de mais de 185%, as exportações goianas saíram de insignificantes US$ 381.669.000,00 para alcançar nada menos que US$ 1,816 bilhão, um crescimento de 375,8%, como resultado de investimentos dos programas Produzir e Fomentar, que somaram no período R$11,748 bilhões, enquanto nos 16 anos do PMDB somaram R$ 6,21 bilhões, ao mesmo tempo em que, ousadamente, o governo do Tempo Novo reduziu o ICMS de mais de 140 itens, ao invés dos governos do PMDB, que sempre aumentaram impostos, taxas e tarifas, como fez agora a Prefeitura de Goiânia ao impor o maior aumento de tarifa de transporte coletivo urbano do Brasil
Claro que o crescimento econômico não resulta da ação direta dos governantes, mas do arrojo da iniciativa privada que, no entanto, há de ver-se fomentada como se fez em Goiás de 1999 em diante, há de contar com infraestrutura, especialmente de transporte, como também recebeu em tal período. Pena que o espaço seja pouco e não se possa sequer evidenciar 10% de tudo o que se fez, de todos os resultados alcançados. Mas, Goiás sabe deles – e como sabe!
Não pretendo prender-me em fatos negativos das administrações do PMDB. Prefiro realizações como a construção do Crer, com pessoal e equipamentos de primeiro mundo, na área que o PMDB abandonou, após destruir o Hospital Adauto Botelho para reduzir despesas e depois lançar doentes pobres na sarjeta. E aos recursos da construção do Crer, o deputado sabe bem de onde vieram.
É, deputado, assumir o lado da sociedade é ótimo caminho. Para que o PMDB faça, há que começar assumindo a responsabilidade por tudo o que de negativo causou a Goiás, refletindo sobre o que de positivo tenha alcançado. Em seguida, há que talvez assumir a postura de luta que chegou a ter, abandonado o fisiologismo pragmático que o orienta (municipal, estadual e nacionalmente) e que o impede inclusive de exercer a oposição construtiva que o povo lhe delegou, levando-o a lançar-se, na primeira oportunidade, aos pés do governante de plantão.
E não me diga, jovem-velho deputado, que o faz por razões de Estado.