Ícone alego digital Ícone alego digital

Crianças: indefesas e vítimas da violência

22 de Junho de 2009 às 18:00
Artigo da deputada Cilene Guimarães (PR) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 20.06.2009.

* Cilene Guimarães é deputada estadual (PR)






Os especialistas afirmam que a violência contra crianças e adolescentes sempre existiu, apenas não era divulgada ou denunciada pelas vítimas, parentes ou amigos, como acontece hoje. Pode até ser, mas a imprensão que sentimos é outra: o aumento constante de agressões aos nossos menores e adolescentes indefesos. São denúncias que chegam até nós, em casa, na rua e, principalmente, pelos meios de comunicação, que banalizaram o sentimento de indignação da sociedade contra tantas atrocidades.

E o que mais assusta é a origem do agressor. Dados estatísticos da polícia e das instituições de proteção às vítimas mostram que ele está bem mais perto do que se imagina: normalmente, são os pais, padrastos, irmãos, amigos, vizinhos e outros parentes, todos de convivência muito próxima da vítima e de seus familiares. Nos casos de estupro, esse envolvimento ainda é mais significativo, demonstrando a permissividade instalada no seio de nossas famílias.

Mesmo que esteja acontecendo uma reação da sociedade, que nos últimos anos passou a denunciar os agressores, a frequência das notícias transformaram em rotina os atos de violência praticados contra as nossas crianças. Situação que assusta frente à sensação de impotência dos cidadãos e das instituições legalmente constituídas. Não podemos aceitar passivamente, deixar que esse tipo de agressão, de origem familiar ou de qualquer cidadão, faça parte do nosso cotidiano, como fato consumado, deixando profundas sequelas nestas pequenas vítimas.

A solução para o problema depende muito mais da conscientização do agressor, por meio de campanhas educativas, do que da ação da polícia e do Judiciário. Não que ela seja dispensável ou que a polícia e a Justiça estejam cometendo excessos. As agressões têm que ser punidas com o rigor da lei, para servir de exemplo. Mas, para virarmos esta página negra de violência contra nossas crianças, será preciso tocar no sentimento dos adultos, mostrar o caminho do diálogo e da intocabilidade de nossas crianças, imputando a todos o dever de guardiões desses seres indefesos.

É inegável que questões sociais estão diretamente ligadas aos abusos cometidos contra as crianças, mas não são únicas, apesar de ser determinantes nos números da violência. O desvio de caráter e de conduta está presente em todas as classes sociais, ameaçando a todos. As famílias precisam estar mais atentas ao cotidiano de seus filhos, acompanhando seus passos, descobrindo suas carências, seus desejos, suas fragilidades, para receitar o remédio correto. A educação não é responsabilidade só da escola, mas da família e da sociedade. A rua não pode ser a escola desses meninos e meninas.

Compartilhar

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse nossa política de privacidade. Se você concorda, clique em ESTOU CIENTE.