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Sem desenvolvimento, sem responsabilidade

23 de Junho de 2009 às 10:54
Artigo do deputado Thiago Peixoto (PMDB) publicado no jornal "O Popular", edição de 23.06.2009.

* Thiago Peixoto  é deputado estadual pelo PMDB e economista.

O governo do Estado provou, através de números, que o slogan que adotou desde o início de 2007, “Desenvolvimento com Responsabilidade”, é uma falácia. Tudo não passa de um lema vazio, uma falsa imagem, uma mera ilusão que, na verdade, retrata bem o estilo desta gestão: muitos discursos, muitos lançamentos, muitas vistorias feitas em locais que precisam da intervenção do poder público, mas, no final das contas, nada de concreto. Nada de verdade. Nada de responsabilidade.

O Balanço Geral do Estado de 2008 é um exemplo que retrata a desorganização e a falta de planejamento deste governo. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) trouxe à luz o desrespeito com a população goiana: os porcentuais mínimos definidos por lei – com base no total de despesas realizadas – que precisam ser aplicados em Saúde (12%) e Educação (25%), além de Ciência e Tecnologia (3,25%), não foram respeitados.

No total, foram 12 irregularidades apontadas pelo TCE. A situação agrava-se ainda mais se levarmos em consideração que os mesmos erros não foram cometidos pela primeira vez. Sucedem-se desde a posse desta gestão – revelam os balanços referentes a 2006 e 2007. Pior: o mesmo tribunal havia feito uma série de recomendações semelhantes em anos anteriores. E o governo, na clara demonstração de que prefere seguir à margem da lei, deu de ombros e ignorou por completo o que deveria ser feito.

Parece difícil para esta gestão compreender – ou pelo menos se esforçar para compreender – que cada centavo que deixa de ser investido em setores cruciais como Saúde e Educação afeta diretamente a vida de cada um dos goianos. E mais: estamos falando de crime de responsabilidade fiscal e de ações que podem resultar em intervenção federal no Estado.

São dezenas de escolas da rede pública estadual completamente sucateadas e carentes de reformas drásticas em sua estrutura há muito tempo. Isso sem levar em conta o cumprimento da promessa – cada vez mais distante – de transformar todas em unidades de tempo integral até dezembro do ano que vem.

Na Saúde, se citarmos que a construção dos hospitais regionais e o da região Noroeste, em Goiânia, estão apenas no papel, teremos uma noção dos problemas que este setor enfrenta.

Diante desse quadro, facilmente concluiríamos que os goianos não são e nunca foram prioridade para este governo. Porém, o problema é maior quando aqueles que são escolhidos por estes mesmos goianos para representá-los também preferem se posicionar ao lado do Poder Executivo. Optam pela comodidade e benesses que só têm aqueles que se silenciam diante de erros tão grotescos para não atrapalhar o ritmo lento do Palácio das Esmeraldas. Uma clara demonstração de que enquanto a sociedade avança, a política insiste em retroceder.

Não há como concluir algo diferente depois de termos visto, na semana passada, na Assembleia Legislativa, a aprovação, em tempo recorde e insuficiente para uma análise bem-feita, do Balanço Geral do Estado sem as ressalvas apontadas pelo TCE – trâmites burocráticos chegaram a ser deixados de lado para dar celeridade à matéria.

Como se não bastasse compactuar com as irregularidades, preferiu-se escondê-las debaixo do tapete o mais rápido possível. Fingiram que elas não existem. Perderam a chance de dizer aos goianos que, mesmo sob um governo que não será lembrado pela promoção do desenvolvimento, é sim possível ter responsabilidade.

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