Quem tem projeto de Estado?
* Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB
É consenso dizer que um País, um Estado e principalmente um município precisa de um projeto de futuro para orientar o seu crescimento e desenvolvimento. Em Goiás, podemos concluir que Pedro Ludovico, nos anos 1930 e 1940, tinha um projeto de Estado. Mauro Borges, no início dos anos 1960, também contribuiu com a sua visão de futuro, logo destruída pela ditadura militar, projeto este que sobreviveu por longos e longos anos na estrutura administrativa que ele implantou para o Estado.
A redemocratização trouxe Iris Rezende e o PMDB, mas ambos careciam de qualquer tipo de planejamento em termos de governo. Os 16 anos em que estiveram à frente do governo de Goiás foram marcados pela obsessão com as obras físicas, na suposição, segundo eles próprios, de que estavam implantando a necessária infraestrutura para levar o Estado a novos níveis sociais e econômicos. Não havia um sentido de conjunto nem de coerência, tanto que foi o próprio partido que, mais tarde, acabou vendendo um dos nossos maiores patrimônios, fundamental para o desenvolvimento social e econômico do Estado: a Usina de Cachoeira Dourada. Tal ação praticamente inviabilizou, a partir daí, a permanência da Celg como empresa de energia elétrica fomentadora do desenvolvimento. Um golpe duro, já que a estatal não recebeu sequer R$ 1 dessa venda.
O exemplo que Iris e o PMDB dão hoje na Prefeitura de Goiânia repete a mesma história. É asfalto e monumento. Não há na administração municipal goianiense nem mesmo adoção de programas sociais, apoio ao empreendedorismo, fomento à geração de empregos através da atração da investimentos, não há uma educação de qualidade e, sobretudo, não há um diálogo articulado com a sociedade. Os funcionários da Saúde de Goiânia, por exemplo, reclamam que falta até mesmo insumos básicos para o atendimento nas unidades, como papel higiênico e água. O que há na prefeitura é só o que sai da cabeça do prefeito, pilotando uma máquina municipal que, de tão arcaica, não dispõe sequer de uma rede interligando seus computadores.
Um projeto de Estado significa definir um padrão de desenvolvimento a ser alcançado e deflagrar as ações que levem até lá. É o resultado de uma ampla convergência histórica e política, dentro e fora do poder público, que vai sendo moldada por diferentes correlações de forças e pelo respaldo da população. Em Goiás, com tal amplitude, isso só aconteceu a partir de 1998, com a virada das urnas que destronou o PMDB e colocou Marconi Perillo no poder. Surgiu naquele momento uma oportunidade, e cabia aproveitá-la.
Assim foi feito. O projeto de Estado que foi criado por Marconi e pelo PSDB decorreu de uma característica que hoje só se encontra nos jovens. Ele mostrou possuir a mente criativa e sintetizadora. Ou seja, a habilidade de extrair o que é essencial do amontoado cada vez maior de informações despejadas diariamente pelos mais diferentes meios. Um presidente, um governador ou um prefeito deve ter essa “mente”. Do contrário, tende-se a ficar paralisado entre as múltiplas alternativas.
É correto dizer, portanto, que o período relativo aos dois governos de Marconi Perillo estabeleceu em novos termos e novo patamar a disputa social e política em torno de um padrão de desenvolvimento para o Estado de Goiás, o que certamente não é pouca coisa.
Até então, a administração pública estadual se dava em torno de uma ou duas prioridades. Dali em diante, todos os setores passaram a ser trabalhados, com o governo funcionando como indutor do desenvolvimento, seja como investidor direto, seja como articulador das forças econômicas de dentro e de fora do Estado.
O que é o projeto de Estado do PSDB e de Marconi? Basicamente, incluir Goiás na era da modernidade. O suporte fundamental para esse novo Estado é a educação. Sua superestrutura, o parque industrial, sem desprezar a participação da agricultura e da pecuária, mas redesenhados dentro da cadeia produtiva dos grãos e das carnes. Seu núcleo social, a geração de empregos, em uma ponta, e os programas de assistência para garantir a dignidade dos setores carentes da população, em outra ponta. Tudo isso organizado em um cenário presidido pelo governo estadual, atuando como formulador e incentivador da economia.
Para construir um Estado moderno, é preciso um governador moderno. O que dizer de administradores que não sabem sequer abrir ou enviar um e-mail? Ou que não conhecem a linguagem do mundo digital? O PMDB, um partido tradicionalmente com os olhos no passado, não tem projeto de Estado para Goiás.
Identificar os problemas, buscar soluções em conjunto e planejar o desenvolvimento de Goiás, que deve derivar do envolvimento e dos esforços de todos os goianos. É esse o cerne de um bom projeto de Estado. E esse é o projeto do PSDB.