O trabalho acima das provocações políticas
* Wellington Valim é deputado estadual e líder do PTdoB na Assembleia
A tarefa de ordenar a estrutura financeira de um Estado do porte e da dimensão de Goiás não se esgota com os primeiros resultados positivos obtidos a partir da obstinação de controlar gastos e de ampliar receitas.
Na verdade, trata-se de um processo contínuo, que requer vigilância redobrada para que não surjam novos gargalos e anomalias. Foi a partir desta preocupação que o governador Alcides Rodrigues, governante dotado de visão de futuro e muita responsabilidade, convocou para a função de secretário da Fazenda um profissional que estivesse fora do círculo vicioso das repartições públicas, que se detivesse unicamente na extraordinária missão de ordenar a máquina burocrática para que existam recursos para os investimentos que transformam a vida de todos.
O secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, encarou a missão que lhe foi confiada tendo por premissa este pragmatismo tão necessário quanto fundamental para corrigir desvios e administrar o poder público durante períodos de crises. Ou seja, ele se disciplina a cada dia para que possa vencer desafios tendo como armas não a retórica ou o discurso, mas o trabalho ininterrupto de aperfeiçoamento dos instrumentos de gestão, com o pleno aval do dr. Alcides Rodrigues.
A presença de um auxiliar de governo com um perfil como o de Jorcelino Braga é uma estrondosa novidade num Estado acostumado a destinar o seu mais importante cargo geralmente a políticos de carreira ou a tecnocratas destituídos de visão de futuro. Em qualquer um dos casos, a tendência sempre será a de ceder ao que está estabelecido. Não acrescentarão nada à rotina marcada pela burocracia. Caso consigam pagar o funcionalismo em dia e manter um ou outro programa social já se sentiriam gratificados. E essa mediocridade parece ter contaminado governos após governos em Goiás nas últimas décadas.
E a sequência da artilharia na direção de Jorcelino Braga é uma munição previsível. Atiram no secretário porque ele, de fato, incomoda. Se fosse a figura apagada e amorfa que tanto caracterizou os antecessores no posto, com certeza não existiriam tantos espasmos e ranger de dentes. Previsível, mas passível de permanente condenação a atitude dos que atiram. Não são críticas positivas, que sempre seriam bem-vindas. Estão, sim, carregadas de veneno e de inveja.
O sucesso do secretário da Fazenda não é para deleite próprio. É, apenas e tão-somente, o estilo natural daquele, quando convidado para o cargo, decidiu não modificar um milímetro a acuidade, o rigor e o controle para jamais permitir que desabasse o edifício financeiro do Estado.
Ele poderia, neste itinerário, entrar na rinha das provocações políticas, mas o que Goiás ganharia com isso? Em que medida este debate contribuiria para o avanço das ações administrativas? Em nada. Pelo contrário. Traria tensões, a base dos desequilíbrios e dos desajustes.
Não há exemplo mais clássico do que aquelas atitudes de governantes que privilegiam conflitos em todos os momentos, e, quando chega ao final da maratona de sopapos e intrigas, a gestão está esvaziada, os cofres envoltos em deficits porque o foco foi desviado, perdeu-se a concentração e quem sai perdendo mesmo é a sociedade.
Desta forma, Jorcelino Braga evita entrar no pequenino universo de supostos opositores. Para quê? Aliás, que tempo ele teria para se dedicar a essa coisa mais antiga que é fomentar fofocas e falar mal de quem age com correção e altivez?
Fiel à cartilha definida pelo governador Alcides Rodrigues, o secretário da Fazenda pemanece inabalável na posição de vigilância para aprofundar a reforma administrativa que concebeu e que tantos frutos positivos rendem para o Estado. Os fatos estão aí, incontestes. Goiás transformou-se num canteiro de obras e dá agora um salto de qualidade enorme nos programas sociais.
A crise financeira global explicitou de maneira crua uma realidade oculta: esbanjamento, irresponsabilidade e omissão quebraram o mundo. Isto não é lição apenas para bancos. É aprendizado para todos os que lidam com recursos públicos. Sem zelo, gestão e rigor, o sistema desaba. Goiás mostra ao Brasil que é possível sair do caos para a prosperidade desde que governantes tenham a atitude: longe das futricas políticas, reconstruir, para que existam crescimento e amplo benefício social.