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Banco do Povo: oportunidade para quem tem visão

04 de Agosto de 2009 às 19:05
Artigo do deputado Honor Cruvinel (PSDB) publicado no jornal "Diário da Manhã", edição de 16.07.2009.

* Honor Cruvinel, vice-presidente da Assembleia Legislativa

 

Ter boa visão significa enxergar – com clareza – pontos próximos, periféricos e, sobretudo, os distantes. Um indivíduo, como se diz popularmente “de visão”, sabe onde quer chegar, qual o melhor caminho, não tropeça facilmente, não perde tempo. No plano da administração, tomar medidas certeiras, com reflexos a longo prazo, colocam os autores das decisões no altar dos administradores visionários.

Tem se tornado lugar-comum declarar que nos momentos de crise surgem grandes ideias, grandes oportunidades. Não falo de especulação no mercado financeiro, mas de investimento no setor produtivo, que mais empregos gera no Brasil – as micro e pequenas empresas, que são 97,5% das empresas brasileiras, empregam 51% da força de trabalho urbana com carteira assinada e respondem por 20% do PIB de nosso País, dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socieconômicos (Dieese).

Óbvio seria, neste momento de crise, o fortalecimento dessas empresas. Não obstante, a equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem tomado medidas paliativas, que apenas aquecem o consumo, como a prorrogação por mais três meses da redução do IPI para carros, materiais de construção e geladeiras. Decisão que beneficia uma restrita elite empresarial. A curto prazo, uma solução aparentemente eficaz, mas que, no frigir dos ovos, não contempla o esteio de nossa economia.

Crise pior o mundo assistiu há quase dois séculos, quando os EUA viviam o chamado Pânico de 1837. Os bancos pararam de fazer pagamentos em moedas de ouro e de prata, mergulhando o país em profunda recessão, só comparada ao crash de Wall Street, em 1929. Nesse contexto de depressão econômica e sucessivas falências, nascia uma empresa que, pelo espírito empreendedor de seus criadores, se transformaria em uma multinacional detentora da liderança de mercado em dezenas de produtos.

O fabricante de velas William Procter e o de sabão James Gamble iniciaram sociedade em 1837 para começar um pequeno negócio no Estado norte-americano de Ohio. Foram seis anos de depressão e alto nível de desemprego, motivadores para a famosa corrida para o oeste. Mas para os cunhados Procter & Gamble foi um período de oportunidades, quando firmaram contratos de fornecimento para o exército durante a guerra civil.

Hoje, a empresa é detentora de marcas líderes como Gillete, Hipoglós, Oral-B, Sabão Ariel, Duracell e Fraldas Pampers, esta última responsável por um faturamento anual de US$ 7 bilhões. Outras empresas como Hewlett-Packard, Polaroid, General Eletric e Fedex também nasceram em momentos de turbulência econômica.

O governo Lula tem feito muito pouco para fomentar o nascimento e crescimento das micro e pequenas empresas. Quase nada. Não se ouve falar em aumento das linhas de crédito, juros menores ou incentivos fiscais para a classe. A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas ainda não emplacou. Se trabalhasse com o mesmo ímpeto para que o Congresso desse cabo da tão sonhada reforma tributária, como tem feito para segurar José Sarney (PMDB) na presidência do Senado, as discussões sobre a matéria pelo menos retornariam à pauta.

A crise só não tem batido às nossas portas com a mesma virulência com que atinge outros países, por conta da sustentabilidade econômica que vive o Brasil. Com uma moeda reconhecidamente forte, os pilares de nossa economia estão lastreados em medidas que foram tomadas na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em Goiás, com o advento do Banco do Povo, em 1999, o então governador Marconi Perillo impulsionou a economia do Estado, antes eminentemente agrícola, para ajudar empreendedores de baixa renda. Foram milhares de Josés, Raimundos e Marias que deixaram a condição de funcionários para se transformarem em empresários empregadores. E não foram poucas as vagas criadas. Em dez anos de existência, os quase R$ 117 milhões emprestados pelo Banco do Povo geraram 115 mil empregos, descontando os tomadores dos financiamentos, localizados nos 236 dos 246 municípios goianos.

Outros programas foram criados para fortalecer empresas maiores, como o Produzir e o Fomentar, com investimentos diretos e renúncia fiscal (como a isenção de ICMS) que somam mais de R$ 33 bilhões. Sempre concomitante ao auxílio aos pequenos empresários.

Ao dar impulso ao microcrédito, Marconi Perillo enraizou a cultura do empreendedorismo em nosso Estado. Os reflexos estão, inclusive, na autoestima de nosso povo, que viu Goiás deixar o papel de coadjuvante para figurar entre os maiores geradores de emprego do País. Saltamos de um PIB de R$ 17 bilhões em 1998 para R$ 57 bilhões em 2006. Muito desse salto tem a ver com o fortalecimento das microempresas, em demonstração inequívoca de que Marconi foi mais que um governante, mas um estadista dotado de uma visão de longo alcance. Números que, aliás, podem servir de estímulo para o que o atual governo acelere os investimentos no Banco do Povo, que tem um importante papel a cumprir no processo de desenvolvimento do nosso Estado.


 

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