Gestão Iris Rezende deixa a vida ao acaso
*Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB regional
A administração de Iris Rezende Machado conseguiu colocar Goiânia no noticiário nacional e recebeu menções até de veículos de comunicação de outros países. É uma pena que não tenha sido pela capacidade administrativa. Muito pelo contrário. Goiânia é hoje a capital do desleixo, do abandono, da frieza. Uma cidade onde o Poder Público simplesmente deixa que animais de seu Jardim Zoológico morram à míngua, suspeita-se de inanição.
Sinceramente, não me sinto tão surpreso ao constatar que a administração de Iris Rezende Machado tenha chegado a esse ponto, o que envergonha todos goianienses. Isso é o resultado direto de uma prática governamental superada, que preza tão-somente a vitrine, as obras faraônicas. Esquece-se que o principal de uma cidade não é o concreto, mas as pessoas que vivem nela. O que ocorre no Zoológico é simplesmente a consequência mais perversa, embora previsível, dessa política de abandono da prioridade pelas vidas, sejam elas das pessoas ou dos animais.
Pegue-se o exemplo da interminável obra do próprio Lago das Rosas, um dos locais mais belos de nossa capital. Ano após ano, estão lá um lago seco, montanhas de entulhos e, em sua extensão, o Jardim Zoológico, transformado numa Câmara de horrores contra os animais.
Essa é a prática de governar de Iris Rezende e de sua “panelinha”. Não há planejamento algum. O que sobra nas suas administrações são a incompetência, a demagogia, a prioridade para o agasalhamento de seu grupo dentro das estruturas do poder, independentemente da competência e preparo individual para cuidar da coisa pública.
O que existe hoje em Goiânia é o descalabro total, a desmoralização completa da capacidade do Executivo de funcionar como efeito de correção dos desequilíbrios sociais. Não é apenas o zoológico e seus habitantes permanentes que sofrem e morrem nas mãos do governo de Iris Rezende. É toda a cidade e seus moradores, que passarão alguns anos para corrigir tudo de errado que vem sendo praticado no dia-a-dia.
A falta de estrutura administrativa chega ao extremo de se ver licitações, quando realizadas, se tornarem um jogo de cartas absolutamente marcadas, como ocorreu no caso do transporte coletivo, em que apenas uma empresa se habilitou para cada uma das linhas licitadas. O resultado está aí, nas ruas, causando maior sofrimento aos milhares de goianienses que precisam utilizar os ônibus para se deslocarem de suas casas aos seus trabalhos, ou ir à escola.
Esse governo de Iris é o engodo da retórica fácil. Nas eleições de 2004, ele bradava batendo no peito de forma arrogante, que em seis meses faria de Goiânia a capital com o melhor sistema de transporte coletivo do Brasil. Infelizmente, não é isso que se vê todos os dias em nossas ruas e avenidas.
O que o goianiense sente na pele é o total estrangulamento de suas vias, transformando Goiânia, que até pouco tempo se exibia como uma das cidades mais bem planejadas e administradas no seu sistema de tráfego, num enorme engarrafamento. Como a vitrine é o que importa, a administração de Iris priorizou a construção de trincheira e viaduto, sem qualquer planejamento.
A obra é que interessa, a vida pouco importa. Essas mesmas megaestruturas de concreto, que foram tema de investigações pela falta de qualidade, servem hoje como abrigo para pessoas abandonadas. Transformaram-se em lares.
E o que faz o governo da panelinha de Iris Rezende? Nada, não faz nada para valorizar a vida dessas pessoas, de resgatar a cidadania que lhes está sendo tirada a golpes de frieza, incompreensão e de abandono. As quase 50 mortes de animais do nosso zoológico nada mais são, nesse sentido, que a parte saliente da insensibilidade de um político que, ao longo de sua vida pública, jamais teve como prioridade a vida. Neste momento, não são apenas os animais as vítimas do caos administrativo liderado por Iris Rezende, mas a dignidade de milhares de goianienses trocados pelas vitrines. Ou que passaram a morar dentro delas.