Carta Aberta ao prefeito Iris Rezende
* Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB Regional
function fechar() { $("#anuncio_materia").slideToggle(); } Andando pelas ruas de Goiânia, neste mês de férias escolares, algumas conjecturas saltaram à mente. Trânsito menos caótico, motoristas mais calmos, pessoas de sorriso aberto nas paradas de ônibus. Como se tratava de uma sexta-feira, talvez planejassem o merecido descanso do final de semana ou o destino nas férias com os filhos. Poderiam, ainda, estar satisfeitas com o fato de não se verem obrigadas a enfrentar o empurra-empurra dos terminais de ônibus – tão recorrentes em meses ditos “normais”.
Com efeito, o movimento nos coletivos em julho não parece nem de longe com o de outros meses, quando, no horário do rush, o simples ato de entrar no ônibus é motivo para bradar vitória. Exemplifico citando os usuários das linhas Parque Atheneu-Campinas e Parque Atheneu-Centro, que, no horário próximo ao meio-dia, para se deslocar no sentido Bairro-Centro e cumprir seus horários, muitos têm que contar com a sorte. Bem aventurados os que encontram motoristas que param os ônibus, mesmo cheios, para que os levem – ainda que amarrotados, suados e doloridos – aos seus destinos. Se um passageiro desmaiar por falta de ar, não será possível sequer cair. Mulheres assediadas e batedores de carteira são outros problemas a serem enfrentados, que transformam a ida ao trabalho ou à escola num ato epopeico.
Lembro, também, outras linhas que circulam no concorridíssimo Terminal da Praça da Bíblia, como Aparecida de Goiânia ou Conjunto Itatiaia. Os estudantes da Universidade Federal de Goiás que o digam. A disputa é a tapa (na acepção da palavra) por uma vaga no coletivo que se desloca para o Campus II da UFG, pela manhã.
Realmente, o relógio do Paço Municipal deve estar com defeito. Está mais de quatro anos atrasado. Pois já se vão quatro anos e sete meses da promessa do então candidato Iris Rezende Machado garantindo “resolver totalmente o problema do transporte coletivo de Goiânia em seis meses”, conforme suas próprias palavras. Recordo-me ter ouvido, assistido e lido a expressão “resolver totalmente” cantada em prosa e verso nos programas eleitorais, nos debates e nas entrevistas do então candidato do PMDB. O fato, excelentíssimo senhor prefeito, é que o “prazo” expirou há quatro anos e um mês. Ah, sim, ônibus novos estão nas ruas, mas, ao que parece, a quantidade total de coletivos diminuiu e a qualidade do serviço continua péssima.
Convido o senhor a fazer uma visita ao Terminal da Praça da Bíblia, assim que agosto entrar, às 7 horas da manhã de um dia útil qualquer da semana, para checar a veracidade dessas informações. Mas atenção: aconselho-o a levar seguranças. De minha parte, irei portando algumas gravações feitas durante a campanha eleitoral de Vossa Excelência.
O senhor pode aproveitar a ocasião e ajudar a avaliar o índice de (in)satisfação dos usuários do Eixo Anhanguera. Sobretudo os milhares de moradores de Aparecida, Bonfinópolis, Brazabrantes, Goianira, Senador Canedo, Santo Antônio e Trindade, que, agora, têm que dispor de R$ 1,10 a mais todos os dias para retornarem aos seus lares. Algo em torno de R$ 28 mensais, ou 5% dos vencimentos de um trabalhador que recebe salário mínimo. Gente que tem aguardado – em pé – os chamados “cartões inteligentes” que seriam implantados mês passado, para que a integração entre as linhas fosse feita fora dos terminais ainda não vingaram. Esse aumento, sei muito bem, não é responsabilidade da prefeitura, e sim do governo do Estado.
Faz-se necessário repensar a maneira de definir políticas públicas para o transporte coletivo em Goiânia. Democratizar a mobilidade da população de baixa renda, promover um transporte eficiente, pontual, confortável e, acima de tudo, barato, é um dever do Executivo Municipal. Passível, inclusive, de intervenção do Poder Público, se considerarmos os serviços de transporte coletivo como sendo de caráter essencial, conforme prevê a Constituição Federal de 1988. O sistema viário, a engenharia de trânsito e o transporte público são diretrizes básicas para definir um planejamento eficaz em conjunto com outros sistemas urbanos que garantam o “habitat” dos cidadãos, principalmente dos residentes em uma metrópole feito Goiânia.
Olhando a questão por outro ângulo, nossa Capital já não suporta mais automóveis nas ruas. Os “frescões”, ou melhor, os “vaziões” não têm cumprido o fim a que foram destinados e estão operando em regime de deficit. Um grande hipermercado, que distribuía passagens para as vans da CMTC aos clientes que gastassem R$ 15 no estabelecimento, terminou com a promoção. Ainda é mais barato andar de táxi com algum colega que tem o mesmo destino.
Lembro-me da promulgação da Lei 15.047 (29/12/2004), que instituiu os subsídios das passagens para o Eixo Anhanguera. Nosso então governador Marconi Perillo devolveu a dignidade aos usuários do transporte coletivo que faziam e fazem aquele trajeto, seja para trabalhar durante a semana, seja no fim de semana, para gozar de algum lazer em outro lado da cidade, visitar amigos e parentes, deslocando-se de leste a oeste, de norte ao sul, a um custo acessível a todos os bolsos. Até procurar emprego ficou mais fácil.
Caro prefeito: barateamento e qualidade são as duas palavras que resumem o conteúdo de qualquer política séria para melhorar o transporte coletivo nas grandes cidades brasileiras. Não há alternativas: o transporte coletivo tem de ser entendido como fator de desenvolvimento, inclusão social e geração de empregos, já que os seus benefícios têm influência amplamente positiva para as empresas, os governos e todos os setores da sociedade. É esse o trabalho que todos em Goiânia querem ver.
Lembro, também, outras linhas que circulam no concorridíssimo Terminal da Praça da Bíblia, como Aparecida de Goiânia ou Conjunto Itatiaia. Os estudantes da Universidade Federal de Goiás que o digam. A disputa é a tapa (na acepção da palavra) por uma vaga no coletivo que se desloca para o Campus II da UFG, pela manhã.
Realmente, o relógio do Paço Municipal deve estar com defeito. Está mais de quatro anos atrasado. Pois já se vão quatro anos e sete meses da promessa do então candidato Iris Rezende Machado garantindo “resolver totalmente o problema do transporte coletivo de Goiânia em seis meses”, conforme suas próprias palavras. Recordo-me ter ouvido, assistido e lido a expressão “resolver totalmente” cantada em prosa e verso nos programas eleitorais, nos debates e nas entrevistas do então candidato do PMDB. O fato, excelentíssimo senhor prefeito, é que o “prazo” expirou há quatro anos e um mês. Ah, sim, ônibus novos estão nas ruas, mas, ao que parece, a quantidade total de coletivos diminuiu e a qualidade do serviço continua péssima.
Convido o senhor a fazer uma visita ao Terminal da Praça da Bíblia, assim que agosto entrar, às 7 horas da manhã de um dia útil qualquer da semana, para checar a veracidade dessas informações. Mas atenção: aconselho-o a levar seguranças. De minha parte, irei portando algumas gravações feitas durante a campanha eleitoral de Vossa Excelência.
O senhor pode aproveitar a ocasião e ajudar a avaliar o índice de (in)satisfação dos usuários do Eixo Anhanguera. Sobretudo os milhares de moradores de Aparecida, Bonfinópolis, Brazabrantes, Goianira, Senador Canedo, Santo Antônio e Trindade, que, agora, têm que dispor de R$ 1,10 a mais todos os dias para retornarem aos seus lares. Algo em torno de R$ 28 mensais, ou 5% dos vencimentos de um trabalhador que recebe salário mínimo. Gente que tem aguardado – em pé – os chamados “cartões inteligentes” que seriam implantados mês passado, para que a integração entre as linhas fosse feita fora dos terminais ainda não vingaram. Esse aumento, sei muito bem, não é responsabilidade da prefeitura, e sim do governo do Estado.
Faz-se necessário repensar a maneira de definir políticas públicas para o transporte coletivo em Goiânia. Democratizar a mobilidade da população de baixa renda, promover um transporte eficiente, pontual, confortável e, acima de tudo, barato, é um dever do Executivo Municipal. Passível, inclusive, de intervenção do Poder Público, se considerarmos os serviços de transporte coletivo como sendo de caráter essencial, conforme prevê a Constituição Federal de 1988. O sistema viário, a engenharia de trânsito e o transporte público são diretrizes básicas para definir um planejamento eficaz em conjunto com outros sistemas urbanos que garantam o “habitat” dos cidadãos, principalmente dos residentes em uma metrópole feito Goiânia.
Olhando a questão por outro ângulo, nossa Capital já não suporta mais automóveis nas ruas. Os “frescões”, ou melhor, os “vaziões” não têm cumprido o fim a que foram destinados e estão operando em regime de deficit. Um grande hipermercado, que distribuía passagens para as vans da CMTC aos clientes que gastassem R$ 15 no estabelecimento, terminou com a promoção. Ainda é mais barato andar de táxi com algum colega que tem o mesmo destino.
Lembro-me da promulgação da Lei 15.047 (29/12/2004), que instituiu os subsídios das passagens para o Eixo Anhanguera. Nosso então governador Marconi Perillo devolveu a dignidade aos usuários do transporte coletivo que faziam e fazem aquele trajeto, seja para trabalhar durante a semana, seja no fim de semana, para gozar de algum lazer em outro lado da cidade, visitar amigos e parentes, deslocando-se de leste a oeste, de norte ao sul, a um custo acessível a todos os bolsos. Até procurar emprego ficou mais fácil.
Caro prefeito: barateamento e qualidade são as duas palavras que resumem o conteúdo de qualquer política séria para melhorar o transporte coletivo nas grandes cidades brasileiras. Não há alternativas: o transporte coletivo tem de ser entendido como fator de desenvolvimento, inclusão social e geração de empregos, já que os seus benefícios têm influência amplamente positiva para as empresas, os governos e todos os setores da sociedade. É esse o trabalho que todos em Goiânia querem ver.