Operação Ouro Negro: impunidade em Catalão
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Jardel Sebba é deputado estadual pelo PSDB e ex-presidente da Assembleia Legislativa
Hoje, a Operação Ouro Negro completa dois anos da data em que foi deflagrada para apurar um dos maiores esquemas de corrupção de que se tem notícia na história de Goiás.
O escândalo do desvio de dinheiro público na Prefeitura de Catalão manchou nacionalmente o nome da cidade, envergonhou o seu povo e deixou no ar graves interrogações que precisam ser definitivamente esclarecidas.
Na manhã do dia 8 de agosto de 2007, uma ação conjunta do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil de Goiás entrou para a história de Catalão ao prender nove pessoas e trazer ao conhecimento público denúncias de desvio de R$ 10 milhões de reais dos cofres municipais.
Entre os presos, duas figuras de destaque na cidade: os secretários de Administração de Finanças do então prefeito catalano, Adib Elias, atual presidente estadual interino do PMDB.
O prédio da prefeitura foi cercado por policiais armados com armamento pesado, que apreenderam dezenas de computadores e um grande volume de documentos relacionados a obras superfaturadas de pavimentação asfáltica, monopolizadas no município por um empresário da construção civil de Anápolis.
De acordo com o Ministério Público, das 37 licitações realizadas pela Prefeitura de Catalão entre 2001 e 2005, a empresa Tecnel venceu 26, e a empresa Alves Santos, nove. As outras duas licitações foram vencidas por empresas de fachada e laranjas que faziam parte do consórcio, que também mantinha contratos fraudulentos de locação de máquinas com a prefeitura.
Segundo o MP, o esquema foi montado com a anuência de figurões da Prefeitura de Catalão, que recebiam propina para beneficiar o empresário anapolino.
Os envolvidos nas falcatruas denunciadas pelo Ministério Público, que se baseou em centenas de documentos e mais de 1.700 horas de gravações telefônicas, foram indiciados em crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, fraude à licitações públicas e corrupção ativa e passiva.
Passados dois anos da rumorosa Operação Ouro Negro, cujo processo (não sei por quê) corre em segredo de Justiça, subi à tribuna da Assembleia Legislativa para rememorar o lamentável episódio e, de forma enérgica, cobrar a punição exemplar dos eventuais culpados pela apropriação do dinheiro público.
Curiosamente, nunca se ouviu nenhuma palavra, uma pequena explicação sequer do ex-prefeito Adib Elias – nem da ex-primeira dama, deputada Adriete Elias – sobre o escândalo que manchou a gestão do PMDB em Catalão.
Um silêncio muito estranho, registre-se, diante da gravidade dos fatos trazidos a público pelo Ministério Público, que é uma instituição séria e de altíssima credibilidade.
Com um forte tom de indignação, Wálter Maireovitch, presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais que leva o nome de Giovanni Falcone, o juiz italiano assassinado depois de comandar a Operazione Mani Pulite, conhecida como Operação Mãos Limpas, que desbaratou a máfia siciliana Cosa Nostra, disse recentemente que é muito difícil punir os corruptos no Brasil.
Segundo Maireovitch, o sistema judiciário brasileiro favorece a impunidade pela morosidade da tramitação dos processos nos tribunais. Ele afirma também que a falta de punição incentiva a corrupção e é uma ameaça ao regime democrático, ressaltando que raramente acontece o retorno dos recursos e bens públicos usurpados.
Aliás, uma das honrosas exceções ocorreu em Goiás, com a devolução do dinheiro do Caso Beg-Caixego, que o ex-governador e hoje senador Marconi Perillo aplicou muito bem na construção e no aparelhamento do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer).
Defendo que, quando houver a restituição do dinheiro desviado em Catalão, a população seja ouvida em consulta direta para definir o destino dos recursos, que podem ser empregados na edificação de 500 casas populares, dezenas de creches para crianças, ou num hospital para o tratamento de doenças graves.
Vinte e quatro meses já se passaram do início da Operação Ouro Negro, ninguém foi responsabilizado e até agora os R$ 10 milhões de reais roubados não foram devolvidos aos cofres de Catalão.
Isso não pode ficar assim: o povo catalano exige que a apuração do caso seja concluída e os responsáveis recebam a severa punição prevista na letra da lei, com a devolução imediata dos recursos surrupiados da prefeitura, sob pena da desmoralização da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Não vou me calar enquanto todos os fatos que vieram à tona na Operação Ouro Negro não forem rigorosamente elucidados e o culpados julgados e condenados pelos crimes que cometeram.
No aniversário de dois anos da Operação Ouro Negro, deixo aqui registrado o meu grito de protesto contra a impunidade dos corruptos de Catalão.
Jardel Sebba é deputado estadual pelo PSDB e ex-presidente da Assembleia Legislativa
Hoje, a Operação Ouro Negro completa dois anos da data em que foi deflagrada para apurar um dos maiores esquemas de corrupção de que se tem notícia na história de Goiás.
O escândalo do desvio de dinheiro público na Prefeitura de Catalão manchou nacionalmente o nome da cidade, envergonhou o seu povo e deixou no ar graves interrogações que precisam ser definitivamente esclarecidas.
Na manhã do dia 8 de agosto de 2007, uma ação conjunta do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil de Goiás entrou para a história de Catalão ao prender nove pessoas e trazer ao conhecimento público denúncias de desvio de R$ 10 milhões de reais dos cofres municipais.
Entre os presos, duas figuras de destaque na cidade: os secretários de Administração de Finanças do então prefeito catalano, Adib Elias, atual presidente estadual interino do PMDB.
O prédio da prefeitura foi cercado por policiais armados com armamento pesado, que apreenderam dezenas de computadores e um grande volume de documentos relacionados a obras superfaturadas de pavimentação asfáltica, monopolizadas no município por um empresário da construção civil de Anápolis.
De acordo com o Ministério Público, das 37 licitações realizadas pela Prefeitura de Catalão entre 2001 e 2005, a empresa Tecnel venceu 26, e a empresa Alves Santos, nove. As outras duas licitações foram vencidas por empresas de fachada e laranjas que faziam parte do consórcio, que também mantinha contratos fraudulentos de locação de máquinas com a prefeitura.
Segundo o MP, o esquema foi montado com a anuência de figurões da Prefeitura de Catalão, que recebiam propina para beneficiar o empresário anapolino.
Os envolvidos nas falcatruas denunciadas pelo Ministério Público, que se baseou em centenas de documentos e mais de 1.700 horas de gravações telefônicas, foram indiciados em crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, fraude à licitações públicas e corrupção ativa e passiva.
Passados dois anos da rumorosa Operação Ouro Negro, cujo processo (não sei por quê) corre em segredo de Justiça, subi à tribuna da Assembleia Legislativa para rememorar o lamentável episódio e, de forma enérgica, cobrar a punição exemplar dos eventuais culpados pela apropriação do dinheiro público.
Curiosamente, nunca se ouviu nenhuma palavra, uma pequena explicação sequer do ex-prefeito Adib Elias – nem da ex-primeira dama, deputada Adriete Elias – sobre o escândalo que manchou a gestão do PMDB em Catalão.
Um silêncio muito estranho, registre-se, diante da gravidade dos fatos trazidos a público pelo Ministério Público, que é uma instituição séria e de altíssima credibilidade.
Com um forte tom de indignação, Wálter Maireovitch, presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais que leva o nome de Giovanni Falcone, o juiz italiano assassinado depois de comandar a Operazione Mani Pulite, conhecida como Operação Mãos Limpas, que desbaratou a máfia siciliana Cosa Nostra, disse recentemente que é muito difícil punir os corruptos no Brasil.
Segundo Maireovitch, o sistema judiciário brasileiro favorece a impunidade pela morosidade da tramitação dos processos nos tribunais. Ele afirma também que a falta de punição incentiva a corrupção e é uma ameaça ao regime democrático, ressaltando que raramente acontece o retorno dos recursos e bens públicos usurpados.
Aliás, uma das honrosas exceções ocorreu em Goiás, com a devolução do dinheiro do Caso Beg-Caixego, que o ex-governador e hoje senador Marconi Perillo aplicou muito bem na construção e no aparelhamento do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer).
Defendo que, quando houver a restituição do dinheiro desviado em Catalão, a população seja ouvida em consulta direta para definir o destino dos recursos, que podem ser empregados na edificação de 500 casas populares, dezenas de creches para crianças, ou num hospital para o tratamento de doenças graves.
Vinte e quatro meses já se passaram do início da Operação Ouro Negro, ninguém foi responsabilizado e até agora os R$ 10 milhões de reais roubados não foram devolvidos aos cofres de Catalão.
Isso não pode ficar assim: o povo catalano exige que a apuração do caso seja concluída e os responsáveis recebam a severa punição prevista na letra da lei, com a devolução imediata dos recursos surrupiados da prefeitura, sob pena da desmoralização da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Não vou me calar enquanto todos os fatos que vieram à tona na Operação Ouro Negro não forem rigorosamente elucidados e o culpados julgados e condenados pelos crimes que cometeram.
No aniversário de dois anos da Operação Ouro Negro, deixo aqui registrado o meu grito de protesto contra a impunidade dos corruptos de Catalão.