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Muitos sorrisos, poucos resultados

17 de Agosto de 2009 às 18:17
Artigo do deputado Cláudio Meirelles (PR) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 13.08.2009.
* Claudio Meirelles é deputado estadual e líder da bancada do PR na Assembleia Legislativa




É estranho – e por que não dizer inaceitável – o clima de festa armado em torno da visita do presidente Lula a Goiás.

Não quero parecer mal educado e de jeito nenhum maltratar uma visita que vem ao nosso Estado, especialmente quando se trata de uma autoridade da importância do presidente da República.

Pelo contrário, acho que todos nós, goianos, devemos nos sentir honrados com a presença de Lula. Porém, daí a comemorar essa visita como se subitamente estivéssemos ganhando a solução mágica para todos os problemas do nosso Estado, vai uma distância muito grande.

Lula tem uma dívida grande com Goiás. Seu governo praticamente se limita a realizar as transferências obrigatórias de recursos, evitando investimentos de peso no Estado. Todas as obras federais que poderiam representar algum impacto na economia e no desenvolvimento de Goiás estão paralisadas ou, então, sequer foram iniciadas, apesar de cantadas em prosa e verso na propaganda federal.


O Aeroporto Internacional de Goiânia não recebe um tijolo há mais de quatro anos. O famoso PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – não existe entre nós, mas é pródigo em obras e projetos para Estados muito menos importantes que Goiás.

O prefeito Iris Rezende, hoje um apaixonado defensor de Lula, também tem contas a cobrar do governo federal. Em Goiânia, o projeto Macambira-Anicuns, que deveria, depois de completamente implantado, mudar para melhor a qualidade de vida de quase um milhão de habitantes, até hoje não saiu do papel. Pior: esse projeto nasceu na administração do então prefeito Pedro Wilson, do PT, mesmo partido de Lula, mas continua na promessa até hoje. Seus sucessivos adiamentos prejudicaram Pedro na sua tentativa de reeleição, em 2004. Agora, continua sendo protelado, mesmo com toda a boa vontade demonstrada politicamente pelo prefeito Iris Rezende Machado.

Lula também não fez os investimentos macroestruturantes que Goiás necessita, bastando citar como exemplo o metrô de Goiânia. Lamentavelmente, o presidente optou por construir os metrôs de Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Porto Alegre. Retirou Goiânia dessa lista e deu prioridade ao trecho da Ferrovia Norte-Sul que corta o Estado do Tocantins, deixando o trecho goiano fora de seus planos. Hoje, a Ferrovia Norte-Sul caminha a passos rápidos no Tocantins, mas está empacada em terras goianas, há anos e anos sem nenhum avanço.

E a Copa do Mundo? A imprensa nacional noticiou que o presidente foi o responsável pela troca de Goiânia por Cuiabá. Ou melhor: os grandes jornais brasileiros informaram que Lula pessoalmente se empenhou em desviar a natural escolha por Goiânia para a capital mato-grossense.

Na área de segurança pública, os recursos que o governo federal repassa para o Estado mal cobrem um dia de despesa.

Os exemplos são muitos. Para enumerar, um a um, os casos que comprovam a falta de atenção do presidente Lula com os goianos, seria necessário muito espaço, mais do que os valiosos centímetros concedidos a este articulista pelo Diário da Manhã.

Um dos mais graves é o que o presidente vem fazendo com a questão da Celg. Em três ou quatro ocasiões, Lula anunciou a liberação do famoso empréstimo do BNDES, que, entretanto, não saiu do lugar. Será que agora o nosso ilustre visitante vai mais uma vez dizer que “o problema está resolvido”, como ele garantiu em Itumbiara e ao próprio governador durante uma audiência em Brasília? Será que vamos assistir novamente a um espetáculo midiático com o presidente sorridente “liberando” para a Celg a ajuda que nunca sai e nunca chega?

Os goianos constituem um povo civilizado e gentil. Acho que o presidente deve ser bem-recebido, mas isso não impede que se faça a cobrança de tudo que o governo federal tem a acertar com Goiás – e isso representa muito.


 


 


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