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A farsa da festa

17 de Agosto de 2009 às 18:23
Artigo do deputado Daniel Goulart (PSDB) publicado no jornal "Diário da Manhã", edição de 13.08.2009.

* Daniel Goulart é deputado estadual (PSDB)



São da essência democrática as reuniões partidárias. Algumas, que não tenham conotação eleitoral, podem ser realizadas a qualquer tempo. Outras, especialmente como a programada para hoje em Goiânia, com fortes intenções político-eleitorais, são proibidas pela legislação em vigor. Só por este aspecto, não há como condenar o evento do ponto de vista da Democracia. Mas o problema é ainda mais sério. Oficialmente, arma-se um palanque para a entrega imediata de 5 mil e 207 casas para a população necessitada em Goiânia, mas na realidade, a maior parte dessas casas simplesmente não existe. Ou estão em construção, ou nem saíram do papel. Uma farsa total.

Esse fato, além de agravante, é elucidativo quanto ao real objetivo da montagem do palanque. Estão fazendo uma massiva campanha no rádio, TV e jornais somente com a claríssima intenção de antecipar a campanha eleitoral do ano que vem. O próprio presidente Lula, há algumas semanas, dizia, conforme relatou a imprensa nacional, que visitaria Goiás para testar a popularidade de possíveis candidatos ao governo dentro da órbita de sua base política.

O mais escandaloso nessa festa embalada pelo governo do Estado e pela Prefeitura de Goiânia é que todos são réus confessos quanto aos objetivos reais sob a farsa da entrega de casas que ainda não foram construídas. Dentro disso, coloque-se nesse ambiente o fato de que o prefeito Iris Rezende e o governador Alcides Rodrigues estão gastando dinheiro público para bancar não apenas a propaganda como também os inúmeros shows que devem anteceder o palanque político-eleitoral.

É dinheiro público que está indo e que não terá volta. Embora o total desses gastos seja ainda um grande mistério guardado sob chaves pela Prefeitura de Goiânia e pelo governo do Estado, pelo volume da movimentação, é muito fácil chegar à conclusão de que se trata de um montante superior à soma de todos os recursos transferidos para a Capital e para o Estado em verbas extra-orçamentárias este ano.

O que se verá no palanque político-eleitoral de hoje à tarde em Goiás é o retrato do desprezo total pelo real interesse público e a utilização dos suados recursos provenientes dos inúmeros impostos incidentes sobre a população na satisfação pessoal e eleitoral de alguns. Não me causa surpresa alguma que essa gente aí faça isso, utilize dinheiro do povo para tentar angariar apoio da população.

Essa é uma prática que vem de longe. Em Goiânia, as obras faraônicas e mal planejadas servem hoje menos para desafogar o trânsito e mais como abrigo para famílias desassistidas pela prefeitura. Quanto ao governo do Estado, se gasta mais com as festas e foguetes para lançamentos de obras do que nas próprias obras, como já aconteceu recentemente no caso do Paci, programa que deveria asfaltar todas as ruas de terra das cidades de Goiás. O dinheiro foi gasto nas mobilizações de caravanas, os foguetes espoucaram durante toda uma manhã, a fumaça dissipou-se e o asfalto não saiu do papel. Esse é o grande temor em relação ao lançamento político-eleitoral de mais um programa deste governo, agora de 50 mil casas, muitos gastos com festanças e pouco ou nada de realizações.

Mas aqueles que imaginam que o povo goiano é bobo, que não enxerga esse tipo de política atrasada e que é praticada desde os tempos dos coronéis, vão se surpreender com a reação. Eu tenho certeza de que a mesma onda que em 1998 começou a aposentar de vez aqui em Goiás a forma política arcaica, de usar dinheiro público para cobrir os próprios interesses político-eleitorais, continua forte e atenta e se mostrará mais uma vez em 2010. Essa onda recriará o tempo em que o povo é mais importante do que a farsa.


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