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Goiás quer ser tratado com dignidade

19 de Agosto de 2009 às 17:34
Artigo do deputado Jardel Sebba (PSDB) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 15.08.2009.

* Jardel Sebba é deputado estadual  pelo PSDB



Tenho um profundo respeito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Admiro sua trajetória política, iniciada no movimento operário do ABC paulista nos tempos da ditadura militar, quando se revelou como um líder popular capaz de enfrentar o arbítrio, encarnar a luta pela redemocratização e inaugurar uma nova forma de fazer política no País.

A biografia do presidente Lula merece a nossa reverência pelas privações que enfrentou na vida e, sobretudo, pela conquista do mais alto posto da hierarquia política e administrativa brasileira - a Presidência da República. Ninguém chega ao Palácio do Planalto por acaso.

Todas as qualidades do ex-metalúrgico que ganhou reconhecimento internacional, contudo, não autorizam o linguajar nem as atitudes impróprias que lamentavelmente marcaram a visita do presidente Lula a Goiás na última quinta-feira, dia 13.

O tom leviano do presidente, enfatizado por expressões chulas e rasteiras, agrediu as normas de civilidade e chocou os goianos. Não era essa a imagem que tínhamos do fundador do PT, que distribui afagos e sorrisos por onde passa. Nem foi para isso, com certeza, que ele veio a Goiás.

Ríspido e grosseiro, Lula cometeu gafes inaceitáveis ao confundir autoridades goianas e dar ordens ao prefeito de Goiânia, Iris Rezende, fazendo uma aparição que está longe de ao menos sugerir a dimensão verdadeira de um chefe de Estado.

Não posso concordar com os ataques que o presidente Lula fez ao senador Marconi Perillo, como também não concordaria se o endereço das agressões fosse para qualquer outro goiano. Respeito é bom e nós, goianos, gostamos de ser tratados com dignidade.

O rancor que Lula cultiva por Marconi é motivado pelo alerta do senador ao presidente sobre o mensalão. Em vez de tomar providências e agradecer pela advertência, Lula elegeu Marconi como inimigo e, desde então, tenta prejudicá-lo com retaliações mesquinhas.

Um visitante sempre deve agir dentro dos limites da educação quando vai à morada alheia. Goiás tem a sua história, os seus valores e suas lideranças. Esse não pode ser objeto de achincalhe. Marconi faz parte do nosso patrimônio político, do mesmo modo que o prefeito Iris Rezende e o governador Alcides Rodrigues.

O presidente Lula foi deselegante nos pronunciamentos que fez em Anápolis e em Goiânia. Goste ou não de Marconi Perillo,  deveria respeitá-lo como ex-governador por duas vezes e senador eleito com mais de um milhão de votos, a maior votação proporcional do País.

Ao atacar Marconi com argumentos sem nenhuma prova, Lula deixou-se levar pela cegueira da ira e do ódio, o que não cai bem para o figurino de quem se candidata a um lugar na história na honrosa companhia de Juscelino Kubitschek. 

Há épocas em que as nações precisam de líderes com qualidades de estadista. O Brasil vive um momento desses. Bom seria para os brasileiros se as nossas instituições funcionassem tão bem que o presidente da República não fizesse a diferença.

Infelizmente, não é esse o nosso caso. Precisamos de uma liderança que, como disse Winston Churchill, saiba combinar, no comando do governo, competência e sabedoria, coragem e prudência. Estadistas só se provam quando efetivamente assumem o poder e nele revelam lucidez e serenidade.

Embaladas pelas velhas promessas de sempre, a passagem do presidente Lula em Goiás foi um espetáculo de destempero cujas cortinas não deveriam ter sido descerradas. Tanto para quem subiu ao palco como para os que estavam na platéia sob o sol escaldante de agosto.



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