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Conversa com Lula

19 de Agosto de 2009 às 17:48
Artigo do deputado Thiago Peixoto (PMDB) publicado no jornal O Popular, edição de 18.08.2009.


* Thiago Peixoto é economista e deputado estadual (PMDB)

O presidente Lula não perde a oportunidade de se passar por um homem simples. Não segue os protocolos que um presidente deveria seguir. Nosso presidente se orgulha de se comportar como um cidadão comum. Tal atitude do presidente nos dá liberdade para abandonarmos a liturgia dedicada ao cargo de presidente da República e termos uma franca conversa com Lula. Não de um eleitor para um presidente, mas sim de brasileiro para brasileiro.

Lula, em sua mais recente visita a Goiânia, o senhor se comportou como um elefante dentro de uma loja de cristais. Nunca tinha participado de um evento ou solenidade com a sua presença, nunca tinha escutado seus discursos, a não ser em versões resumidas na TV.

Apesar dos elogios à sua capacidade de comunicação, confesso que para mim seu discurso soou como uma grande decepção. Antes de relatar o meu desgosto como político, faço questão de relatar a minha decepção como cidadão. Em determinado momento de sua fala, o senhor disse que nosso País tinha sido governado durante 500 anos por homens com diploma, e que o povo hoje estava feliz com um presidente que não tinha estudado, mas conseguia realizar mais do que qualquer outro. O senhor tem razão em afirmar que fez muito, mas surge uma pergunta. Será que o fato de não ter estudado é que faz do senhor um bom presidente?

Como alguém que luta por uma educação de qualidade, afirmo que não. Acredito que se o senhor tivesse tido a oportunidade de estudar, teria chances de ser um presidente ainda melhor. Além disso, ao dizer este absurdo em praça pública, diante de milhares de pessoas, o senhor presta um grande desserviço à educação. Transmite uma mensagem equivocada às futuras gerações. Tenho certeza de que o seu ministro da Educação, o professor e doutor da USP Fernando Haddad, não concorda com seu chefe.

Tenho certeza de que a ministra Dilma Rousseff, sua candidata a presidente, também não concorda. Se concordasse, não se daria ao trabalho de maquiar seu currículo acadêmico quando divulgou que tinha feito mestrado e doutorado em uma conceituada universidade paulista. Lula, se outros presidentes falharam, garanto que não foi o fato de terem estudado que os atrapalhou.

As palavras acima demonstram a indignação de alguém que acredita muito na Educação e faz disto uma luta diária, mas eu também gostaria de conversar um pouquinho sobre política com o senhor.

Talvez o senhor não estivesse sabendo, mas aquele evento do qual participou foi uma parceria entre a Prefeitura de Goiânia e o governo de Goiás. Para resumir, diria que o governador entrou com a estrutura, e o prefeito Iris mobilizou a população.

Nosso prefeito estava orgulhoso de receber a sua visita. Não mediu esforços, viveu até desgastes, mas levou os goianos para recebê-lo. Em seu discurso, Iris fez questão de mencionar a importância daquele local, da nossa Praça Cívica, que foi palco do primeiro comício das Diretas Já – movimento que teve seu primeiro palanque em Goiás e que depois tomou o Brasil. E é com muito orgulho que afirmo aqui que tal evento só foi possível porque foi liderado por Iris. Este reconhecimento não é só meu: Tancredo Neves e Ulysses Guimarães também foram testemunhas e reconheceram a liderança, e a capacidade de Iris. Pena Lula, que o senhor não teve a mesma consideração e sensibilidade. Deve ser porque o senhor se considera acima de tudo e de todos, inclusive da opinião pública, como fez questão de mencionar em seu discurso na Praça Cívica.

Naquele dia, o senhor foi no mínimo indelicado com um grande líder goiano que é o prefeito Iris. O senhor deixou clara a sua preferência pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como seu candidato a governador em Goiás. Como líder político o senhor tem todo o direito de ter suas preferências, porém a condução deste processo ofendeu o PMDB. Nós não admitimos o tratamento que foi dado ao maior líder do nosso partido em Goiás.

Talvez o senhor esteja mal acostumado com um certo PMDB nacional e queira impor suas vontades usando os métodos que funcionam em Brasília. Portanto, sou obrigado a lhe informar que o PMDB goiano não vai ser submisso aos seus caprichos eleitorais. Nosso partido vai ter candidato a governador que vai ser escolhido por nós e não pelo senhor. Pessoalmente defendo e acredito no nome de Iris Rezende.

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