Memória
A Assembleia Legislativa realizou nesta quarta-feira, 19, sessão especial em homenagem ao centenário do jornalista Jaime Câmara. O evento, proposto pelo deputado Humberto Aidar (PT), contou com a participação de diversas autoridades da área política e da justiça, militares, reitores, secretários, presidentes de agências estaduais e profissionais da Organização Jaime Câmara.
Para Humbeto Aidar, é uma "honra" participar de uma sessão especial "histórica, de grande relevância e merecimento”. O parlamentar também ressaltou a importância da herança deixada, pelo jornalista, para a cultura goiana. “Jaime Câmara entra para a história como um dos cinco homens mais importantes e influentes da história de Goiás e um dos mais brilhantes do Brasil na área da comunicação”, destacou.
Em seu discurso Aidar afirmou que, em seu primeiro mandato como deputado estadual, teve a oportunidade de apresentar projeto de lei, aprovado pelos deputados e sancionado pelo Governo, chamando de rodovia Jaime Câmara a GO-070. O deputado petista fez questão também de ressaltar a admiração pelo homenageado. “A figura de Jaime Câmara será lembrada em todo o Estado não só como jornalista, político e empresário, mas, acima de tudo, como homem correto, dedicado e trabalhador”, destacou.
Já o empresário Jaime Câmara Júnior agradeceu a homenagem em discurso na tribuna. Ele destacou que seu pai se sentiria à vontade se estivesse presente na Casa neste momento, por causa da atuação que teve como parlamentar e por sua crença no papel do Legislativo para fortalecer a democracia. O empresário lembrou também que seu pai foi deputado federal por duas vezes - na primeira, foi cassado pela ditadura militar -, além de prefeito de Goiânia e secretário de Estado.
História
Nascido em Baixa Verde (RN) em 1909, Jaime Câmara veio para Goiás em 1930. Foi um dos fundadores do Tiro de Guerra de Vila Boa em 1931, na Cidade de Goiás. Dois anos depois foi nomeado revisor gráfico da Imprensa Oficial, função que despertou seu gosto pelo jornalismo. Fundou, em 1935, uma modesta firma de papelaria e tipografia, a J. Câmara e Companhia, que tinha como sócio Henrique Pinto Vieira. A firma transferiu-se para Goiânia em 1937.
Foi um dos fundadores da AGI e, juntamente com seu irmão, fundou o jornal O Popular em 1938. O jornal circulou, inicialmente, duas vezes por semana, com uma tiragem de 3 mil exemplares e contando com dez funcionários. O periódico passou a ser diário apenas em 1944.
Foi "O Popular" que deu o pontapé inicial no nascimento do complexo Jaime Câmara, que inclui, hoje, 21 veículos de comunicação em Goiás e no Tocantins. Desse total, nove são emissoras de TV afiliadas à Rede Globo, dois são jornais e oito são emissoras de rádio AM e FM. Além desses veículos, a Organização Jaime Câmara conta ainda com uma empresa de telemarketing, um portal na internet e uma fundação de amparo aos artistas goianos.
Jaime Câmara morreu em 1989, em Goiânia. Um busto em sua homenagem está na entrada da Organização Jaime Câmara.