Pinheiro Salles merece lotar a Casa e as salas
Na próxima terça, 25, a partir das 19 horas, acontecerá no Saguão da Assembleia Legislativa, um grande evento em comemoração aos 30 anos da anistia política do Brasil, uma realização da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Casa, qual presido.
Já estão confirmadas as presenças do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, de Sueli Aparecida Belatto, vice-presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, do reitor da Universidade Federal de Goiás, Edward Madureira Brasil.
Este evento já é um marco no Estado. Estamos investindo em ações que resgatam a memória da luta de mulheres e homens que não negaram esforços na busca de libertar o Brasil da violência implantada pelo regime militar e que possibilitem divulgação da necessária punição dos torturadores, como forma de justiça por tratar-se de crimes hediondos que afetaram a Nação. No detalhe, também assegura a democracia para as futuras gerações.
Em parceria com a Universidade Federal de Goiás, o jornalista, advogado e ex-preso político Pinheiro Salles lançará o livro Confesso que peguei em armas.
A primeira edição do livro foi publicada em 1979, quando Salles completava nove anos nos cárceres do regime militar, depois de ser preso pelos militares em 1970, em Porto Alegre. Durante esse tempo passou por sessões de tortura alternadas entre o Rio Grande do Sul e São Paulo.
As marcas da violência ainda estão em seu corpo. O punho direito foi dilecerado pelas cordas do pau de arara, o que lhe causou invalidez neste braço. Os dentes da parte inferior da boca foram destruídos e tiveram de ser reimplantados.
Salles explica que fez uma rigorosa revisão para essa nova edição, o que não teve a oportunidade de fazer quando o livro foi lançado pela primeira vez, em 1979. “Foi publicado do jeito que eles digitaram na editora, a partir dos meus escritos feitos à mão na cadeia”, conta.
Confesso que peguei em armas relata a participação de Pinheiro Salles na luta armada contra o regime militar que se instalou no Brasil em 1964. Membro da Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop), Salles era tido pelos militares como uma das principais lideranças dos movimentos contra o regime.
A partir do AI–5, o jornalista passou a viver na clandestinidade e entrou para a luta armada. Desde o momento em que foi preso em Porto Alegre, sofreu vários tipos de tortura, como choques elétricos a pau de arara, e passou por 18 presídios diferentes. Em 28 de agosto de 1979 deixou a prisão, beneficiado pela Lei da Anistia.
Imagens ao texto de Pinheiro: há um ano, desde o acerto da parceria editorial com a UFG, Pinheiro Salles vem conversando com o diretor cinematográfico Fábio PH, visando a realização de um filme sobre a sua história. Fábio será também o responsável em adaptar o texto ao cinema. Uma missão pesada, que demandará muito tempo, pelo esmero que a obra exige.
Viva os 30 anos da anistia política do Brasil, viva Pinheiro Salles, um dos maiores lutadores pela democracia e pelo socialismo no País. Pinheiro merece lotar a Casa na próxima terça e as salas, quando o cinema oportunizar a sua brava história.