A saúde agoniza
* Humberto Aidar é deputado estadual pelo PT e comunicador da Rádio Difusora de Goiânia
Como deputado e radialista, recebo diariamente, no meu gabinete ou na Rádio Difusora, reclamações de usuários do Sistema Único de Saúde, o SUS. É sem dúvida alguma o maior volume de reclamações que tenho recebido ultimamente. E é cada caso absurdo que a gente fica imaginando que infelizmente o SUS caminha rapidamente para o fim, se é que já não acabou. Lembro-me de duas situações que evidenciam a falência da saúde pública na Grande Goiânia. Uma senhora me reclamou que ficou 12 horas e 17 minutos esperando atendimento no Hospital Geral de Goiânia, o HGG. E olha que esta unidade de saúde não é uma das mais procuradas pela população. Mas mesmo assim esta usuária perdeu mais de meio dia à espera de pelo menos uma satisfação que não chegou. Ela foi embora frustrada, sem receber atendimento. O mais grave é que ela teve até sorte. As mais de 12 horas de espera são uma fração de segundo diante da demora no atendimento de um motorista que trabalha com um amigo. Depois de muito insistir, ele finalmente conseguiu marcar uma cirurgia para tirar pedras da vesícula. Mas seria necessário esperar longos 10 meses. A cirurgia foi adiada, já passaram 3 anos e as pedras continuam lá, comprometendo a saúde do rapaz. Nada de cirurgia. Se fosse um caso de vida ou morte, certamente o motorista já estaria sob sete palmos de terra. Nesta semana outro caso me chamou a atenção. Uma jovem mãe me procurou, desesperada, dizendo que a filha, de 10 anos, que é diabética, estava sem medir a taxa de glicose e sem tomar insulina porque não conseguia o medicamento e as fitas nas unidades de saúde de Goiânia. Ela teve de apelar à justiça para conseguir, com muito custo e a ajuda da reportagem da Rádio Difusora, os medicamentos para a filha.
Como deputado e radialista, recebo diariamente, no meu gabinete ou na Rádio Difusora, reclamações de usuários do Sistema Único de Saúde, o SUS. É sem dúvida alguma o maior volume de reclamações que tenho recebido ultimamente. E é cada caso absurdo que a gente fica imaginando que infelizmente o SUS caminha rapidamente para o fim, se é que já não acabou. Lembro-me de duas situações que evidenciam a falência da saúde pública na Grande Goiânia. Uma senhora me reclamou que ficou 12 horas e 17 minutos esperando atendimento no Hospital Geral de Goiânia, o HGG. E olha que esta unidade de saúde não é uma das mais procuradas pela população. Mas mesmo assim esta usuária perdeu mais de meio dia à espera de pelo menos uma satisfação que não chegou. Ela foi embora frustrada, sem receber atendimento. O mais grave é que ela teve até sorte. As mais de 12 horas de espera são uma fração de segundo diante da demora no atendimento de um motorista que trabalha com um amigo. Depois de muito insistir, ele finalmente conseguiu marcar uma cirurgia para tirar pedras da vesícula. Mas seria necessário esperar longos 10 meses. A cirurgia foi adiada, já passaram 3 anos e as pedras continuam lá, comprometendo a saúde do rapaz. Nada de cirurgia. Se fosse um caso de vida ou morte, certamente o motorista já estaria sob sete palmos de terra. Nesta semana outro caso me chamou a atenção. Uma jovem mãe me procurou, desesperada, dizendo que a filha, de 10 anos, que é diabética, estava sem medir a taxa de glicose e sem tomar insulina porque não conseguia o medicamento e as fitas nas unidades de saúde de Goiânia. Ela teve de apelar à justiça para conseguir, com muito custo e a ajuda da reportagem da Rádio Difusora, os medicamentos para a filha.
O mais revoltante nisso tudo que vem acontecendo com a saúde é ver o poder público menosprezar a vida das pessoas e querer nos fazer acreditar que está tudo bem. No caso dessa mãe que me procurou, ela tentou conseguir informações na unidade de saúde do Setor Pedro Ludovico e foi humilhada por funcionários que fizeram “gracinhas” e a desestimularam a buscar seus direitos na justiça. Uma falta de respeito com uma mãe que quer apenas a saúde de sua filha. Mas desrespeito é o que a gente mais vê nas unidades públicas de saúde. Recentemente a Prefeitura de Goiânia fez festa para dizer que o Teleconsulta foi elogiado pelo Ministério da Saúde e se tornará referência para o Brasil. Coincidentemente, a propaganda otimista da Secretaria de Saúde teve início exatamente no mesmo dia em que aquela senhora perdeu longas 12 horas na fila por um atendimento no HGG. Graças a este atendimento por telefone a prefeitura se vangloria de ter “acabado com as filas” nas unidades de saúde para marcar consultas. Acabou não, apenas transferiu a fila de lugar. Antes a fila era na porta dos postos de saúde. Agora ela é virtual, como no caso do motorista do meu amigo que aguardou uma cirurgia por 10 meses, que já se transformaram em três anos, e até hoje nada. Isso também é uma fila, ou não é? Claro que é. O Teleconsulta da prefeitura deve servir de exemplo, no máximo, para uma empresa de telemarketing, jamais para um Sistema de Saúde. A decantada rapidez do serviço é no atendimento telefônico, não na resolutividade dos problemas de saúde da população. Tanto que, ao fazer a “festa” para divulgar o elogio do Ministério da Saúde, a Prefeitura de Goiânia anunciou a contratação de novos atendentes para o Teleconsulta. Deveria é contratar mais médicos, odontólogos, enfermeiros e outros profissionais que possam dar qualidade e rapidez ao atendimento nas unidades de saúde. Claro que ter um atendimento telefônico rápido sempre é bom, mas quando o cidadão liga para o Teleconsulta seu objetivo é cuidar da saúde. Se obtiver resposta positiva e rápida para sua necessidade, ou seja, marcar uma consulta, pouco importa a qualidade do serviço telefônico.
E, para ser justo, não é apenas o município que deve ser crucificado pelos problemas na saúde pública. Os governos estaduais e o federal também não dão muita atenção a este setor. O caos é um somatório da ineficiência das três esferas de poder. E falta de dinheiro não é. Dinheiro tem, pois pagamos impostos demais neste País. O problema é que saúde, ou melhor, a vida das pessoas mais simples e humildes nunca foi prioridade para nossos governantes.