A importância da qualificação profissional
Sabemos que a qualificação profissional é importante para inserir jovens e adultos no mercado de trabalho. Porém, poucas pessoas se dão conta de que ela é fundamental no crescimento dos indivíduos, na formação de cidadãos e na elevação da autoestima. De fato, a qualificação profissional muda as pessoas, suas famílias e a comunidade onde vivem. O cidadão que se forma pensa em utilizar os conhecimentos adquiridos no curso profissionalizante para melhorar a sua vida e a de sua comunidade. Divide o que sabe com aqueles que não tiveram a mesma oportunidade de formação. Tem visão ampla sobre a educação que recebeu, quer multiplicá-la, seja abrindo um pequeno negócio e gerando empregos, incentivando seus funcionários a também se qualificarem; seja se inserindo no mundo da pesquisa e da geração de novas tecnologias ou tornando-se professor. Na verdade, uma vida de oportunidades e opções se abre.
Sem mão-de-obra qualificada, muitas vagas deixam de ser preenchidas em todo o País. Dados contidos na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgada anualmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), indicam que houve uma expansão na contratação de empregados com maior escolaridade e nível de renda. A partir do ensino médio incompleto, todas as faixas etárias tiveram melhor índice de oferta de empregos. Abaixo dessa linha divisória, o que se verificou foi uma diminuição de oportunidades.
Em 2008, o desemprego atingiu, de forma mais intensa, os trabalhadores de menor qualificação e que ganham até três salários mínimos. A crise mundial foi particularmente mais grave para esse segmento, que teve reduzido o seu espaço no mercado de trabalho. Segundo a Rais, foram criadas 1,834 milhão de vagas com carteira assinada no ano passado. O número de pessoas ocupadas chegou a 39,442 milhões. Não obstante a recessão econômica, o incremento de empregados foi de 4,88% em relação a 2007. O crescimento constatado na renda média dos assalariados se deveu mais ao desempenho dos setores de melhor escolaridade. O ganho real ficou em 3,52%, com o salário médio apresentando uma alteração de R$ 1.443,77 para R$ 1.494,66.
Levantamentos como esses mostram a importância de se terem trabalhadores qualificados para atuar no mercado de trabalho e devem servir para que o poder público oriente o sistema educacional de maneira que os alunos possam dispor de um ensino profissional qualificado.
O governo federal, por meio do MTE, vem anunciando a expansão do ensino profissionalizante, voltado aos setores básicos da economia. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou durante sua visita a Goiânia, em 1º de junho deste ano, que cerca de 1 milhão de trabalhadores vão ser atendidos ainda este ano pelos cursos de qualificação profissional do Ministério, via Plano Setorial de Qualificação (Planseq). Só para Goiás, serão destinados R$ 3,6 milhões. Lupi valoriza muito o ensino profissionalizante. O ministro da Educação, Fernando Haddad, também tem dado sua contribuição nessa área. Haddad não mediu esforços e conseguiu que mais seis escolas técnicas viessem para o nosso Estado. Em nível nacional, o ministro anunciou a ampliação de vagas dos cursos profissionalizantes oferecidos pelo Sistema S (Sesi, Senai, Senac, Sest e Senar) para os trabalhadores de baixa renda.
No início deste mês, participei da formatura de quase 300 trabalhadores (de um universo de 870 pessoas que serão qualificadas até o final de 2009) formandos dos cursos de qualificação social e profissional do Plano Setorial de Qualificação e Inserção Profissional Nacional do Turismo (PlanSeq Bolsa Família) de Goiânia. Confesso que fiquei emocionada com a alegria daquelas pessoas. Os trabalhadores qualificados neste projeto são disponibilizados ao mercado laboral goiano. Os planos setoriais de qualificação fazem parte do Plano Nacional de Qualificação (PNQ) do MTE, que prioriza a população de baixa renda inscrita no Programa Bolsa Família. Os participantes contam com todo o material sem qualquer gasto, além do auxílio-transporte. Em Goiânia, a qualificação desses trabalhadores ficou a cargo da Associação Goiana de Atualização e Realização do Cidadão (Agarc).
A Secretaria Municipal de Trabalho, Emprego e Renda, que tem o competente e dedicado secretário Sérgio Antônio de Paula à frente da pasta, lançou em nossa Capital o Programa Projovem Trabalhador – Juventude Cidadã, que prepara o jovem para ocupações com vínculo empregatício ou para outras atividades produtivas geradoras de renda, por meio da qualificação social e profissional. Cerca de 3 mil jovens (entre 18 e 29 anos) serão atendidos, em convênio com o MTE. A Agarc e a Confederação Nacional de Evangélicos (Conae) são as responsáveis pela execução do programa. Não posso deixar de mencionar o modelo de convênio com as entidades do Sistema S, que tem muita contribuição a dar.
São diversos os meios e os instrumentos que podem ser usados para que a mão-de-obra brasileira possa apresentar a capacitação que pode levar à melhor renda, com uma produtividade de qualidade. Contudo, a tecnologia avançada poderá ser aproveitada em todo o seu potencial somente se os trabalhadores estiverem aptos a usá-las em ofícios.