Em audiência pública, juiz declara que adoção é questão cultural
Presente à audiência pública que discute a Lei da Adoção, o juiz da infância e titular do Juizado da Vara de Infância e Juventude de Goiânia, Dr. Maurício Porfírio Rosa, declarou que a adoção de crianças é uma questão essencialmente cultural. "Mais do que criar novas leis, acredito que são os paradigmas que devem ser mudados. A maioria dos candidatos à adoção procura preferencialmente crianças recém-nascidas, brancas e do sexo feminino. É uma questão de mudança da mentalidade da população. Vejo com bons olhos a criação de campanhas publicitárias para que as pessoas entendam e entrem conscientemente no processo de adoção", declarou.
O juiz também acredita que a nova proposta que restringe a adoção de crianças quilombolas e indígenas às suas comunidades não é muito significativa, já que os casos são muito escassos. "Eu penso que nós não temos uma incidência muito grande deste tipo de adoção nestas comunidades. Os casos são muito raros. Eu, por exemplo, só fiz uma ou duas adoções indígenas, e nenhuma relacionada a comunidades quilombolas", explicou.
O juiz também criticou o que ele classifca de "certa fúria legiferante" nacional relacionada ao assunto: "Do ponto de vista doutrinário, precisamos ter clareza em relação a esta legislação. Acho que estamos vivendo um furor regulatório desnecessário", criticou.
O juiz declarou ainda que considera desnecessária a redução da idade mínima dos pais adotivos para os 18 anos de idade. "Eu gostaria que a idade mínima fosse de 21 anos. Além de raros, os pais adotivos muito jovens raramente possuem a maturidade necessária para criar um filho", concluiu.