O desperdício da estrutura do serviço público precisa acabar
A onda de doenças endêmicas no Brasil expõe a vulnerabilidade do serviço de saúde pública prestado no País. O vírus H1N1 da gripe A tem feito vítimas de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Em Goiás, pelo menos 20 pessoas já tiveram morte confirmada pela doença até o último boletim divulgado esta semana.
O SUS tem atendido toda a população em Goiás, e no restante do País, que teme a doença e suspeita estar com sintomas da gripe A. O atendimento, apesar de funcionar, tem sido limitado por causa de um sistema coordenado pelo Ministério da Saúde que precisa ser ampliado em favor da população.
Na época do surto de febre amarela, os exames de pacientes goianos tinham de ser feitos no Instituto Evandro Chagas, no Pará. Hoje, com a gripe A, o Instituto Adolf Lutz, em São Paulo, é referência nos testes feitos para confirmar a presença do vírus no organismo de pacientes do Centro-Oeste, Sul e Sudeste do País. Uma demanda que aumentou muito nos últimos meses. Só de Goiás, foram enviadas 230 amostras para São Paulo em agosto. O resultado sai geralmente em 15 dias, mas tem chance de ser divulgado em menor tempo, talvez em uma semana, dependendo da repercussão de cada caso na mídia. Uma espera que poderia ser evitada se o Laboratório Central de Goiás – Lacen – tivesse condições de fazer esse tipo de exame. De acordo com a Vigilância em Saúde do Estado, se os exames de pacientes de Goiás com suspeita de estar contaminados com o vírus H1N1 fossem feitos aqui os resultados sairiam mais rapidamente, em torno de 2 dias, dependendo da demanda. O Lacen tem condições físicas para fazer esse trabalho, no entanto, ainda não é autorizado pelo Ministério da Saúde para tal atendimento porque precisa de equipamentos específicos e adequações na infraestrutura e no quadro de pessoal. Mas essa situação pode ser resolvida. Em entrevista nesta quinta-feira, a secretária Irani Ribeiro anunciou que o Estado estuda firmar um convênio com a UFG para usar equipamentos do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública – IPTSP/UFG – para fazer testes da gripe A no Lacen, assim como já ocorre no Laboratório Central do Paraná. A medida revela uma preocupação importante com os pacientes porque o resultado mais rápido servirá como uma resposta para o tratamento a contento. Quem não estiver contaminado, logo terá o laudo em mãos como garantia para seguir o tratamento em casa, enquanto os sintomáticos da doença receberão atenção especializada.
É uma notícia positiva diante da penúria do serviço público no Brasil, agravada num momento em que a população mais precisa de atendimento eficaz. É preciso mais responsabilidade com o que é oferecido para o cidadão que todo mês paga caro, através de seus tributos, para ser bem atendido e não morrer por causa da fragilidade de um sistema de saúde por vezes mal gerenciado e nem sempre carente de recursos.