Audiência discute condições de transplantes de órgãos em Goiás
As ações e medidas para o aumento do número de transplantes realizado no Estado de Goiás foram debatidas na manhã desta segunda-feira, 28, na Sala Solon Amaral da Assembleia Legislativa. O deputado Helio de Sousa (DEM), que já ocupou o cargo de secretário estadual de Saúde, foi o responsável pela promoção da audiência.
"Nosso papel é provocar o Estado e, dessa forma, chamarmos a atenção para o que acontece nesse setor (de doações de órgãos). Com ações, viabilizamos resultados", enfatizou o democrata. O deputado defendeu a melhoria das estruturas de captação e condições de transplantes, além de campanhas de conscientização sobre o tema voltadas para população, para atingir números mais altos de transplantes.
O coordenador da Central de Notificação, Capacitação e Distribuição de Órgãos do Estado de Goiás (CNCDO-GO), Claudemiro Quireze Júnior, explicou que, em 2008, a CNCDO-GO promoveu uma mudança de paradigma, levando a estrutura de exames necessários a confirmação de morte cerebral aos hospitais de traumas, onde estes casos ocorrem com mais frequência.
“Desta forma, como não é necessário mais remover o paciente para a confirmação da morte cerebral, só abordamos a família após esta confirmação. É importante lembrar que a abordagem à família é um momento determinante para se obter a doação”, lembrou o coordenador. Com a mudança, o número de transplantes realizados de 2008 para 2009 já subiu 30%.
O coordenador apontou que ainda é necessário garantir as condições ideais de trabalho e das equipes responsáveis por seu desenvolvimento para o alcance de resultados ainda maiores. Melhorar a logística de captação, o suporte à equipe médica e à proteção das famílias doadoras e conseguir uma abrangência estadual também são objetivos traçados pela CNCDO. "A diferença entre os transplantes realizados e o número de pessoas que aguardam em listas de espera continua muito alta, e trabalhamos para reduzi-la", ressaltou.
Luciano Leão, que substituirá Claudemiro Quireze na coordenação da CNCDO, ressaltou que é fundamental o desenvolvimento de uma cultura de incentivo à doação de órgãos. O futuro coordenador também apostou na troca de experiências com Estados com maiores índices de realização de transplantes. “Podemos aprender muito, pois os problemas enfrentados são os mesmos. As dificuldades são enormes, mas não são maiores que a nossa vontade”, enfatizou.
Estatística
Segundo Claudemiro Quireze, em 2007, havia dois doadores por milhão de pessoas em Goiás. Este ano, esses dados subiram para cerca de quatro doadores/milhão, e há a expectativa de aumento para cinco doadores/milhão de pessoas até o fim do ano. A média nacional é de oito doadores/milhão.