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Um chamado pela paz

15 de Outubro de 2009 às 19:03
Artigo do deputado Thiago Peixoto (PMDB) publicado no jornal "O Popular", edição de 15.10.2009.

 

* Thiago Peixoto é economista e deputado estadual (PMDB)




Muitos acharam precipitado, outros não concordam com a premiação. O próprio Barack Obama se surpreendeu com a notícia que tinha ganhado o Nobel da Paz. Disse que não sabia se merecia ser colocado ao lado de homens e mulheres que inspiram o mundo na busca corajosa pela paz. A meu ver, a inspiração foi um dos principais motivos que fizeram de Obama um Nobel. Atualmente, não existe outro líder mundial que represente melhor a esperança de mudança, já que liderar transformações significativas em escala global é algo necessário e árduo.

O Nobel da Paz é um prêmio que ao longo de sua história não foi usado somente para honrar acontecimentos específicos; serve, também, para valorizar importantes causas. Os americanos elegeram Obama por acreditar que ele vai restaurar os valores e a liderança americana. Já o Nobel da representa que outras nações têm a mesma esperança em âmbito internacional.

Assim, o prêmio chega como um audacioso incentivo político e não como um reconhecimento de fatos consumados. Em seus nove meses na presidência, Obama transformou a retórica em diálogo, alterando a forma como a liderança americana é vista internacionalmente. Ele trouxe de volta israelenses e palestinos para a mesa de negociações. Priorizou a defesa de leis que combatem as mudanças climáticas. Colocou o desarmamento nuclear na pauta principal, reduzindo, junto com a Rússia, seus arsenais, além de conseguir que o Irã e a Coreia do Norte discutissem seus programas nucleares com outras nações.

Antes de Obama, os EUA trabalhavam pelas guerras e agora se esforçam pela paz. Serve como referência o importante discurso realizado para o mundo islâmico, no Cairo. A simples disposição de dialogar com países que tinham sido marginalizados pelo governo Bush, demonstra isso. Inclusive, a premiação pode representar muito bem uma condenação implícita à desastrosa diplomacia praticada pelo o ex-presidente.

Então questiono: alguém fez mais pela paz em 2009? Será que o prêmio foi mesmo precipitado?

Afinal, não podemos esquecer que os EUA lutam em duas guerras. E nenhuma das iniciativas descritas acima tiveram efeitos práticos. Todas estão no começo e a maioria representa, para os mais céticos, resultados que beiram o impossível.

Mas, é justamente no impossível que Obama pode fazer a diferença. Basta olharmos para a sua história: vencer causas extraordinárias tem sido comum em sua vida. Ele tem provado que o impossível não é um fato consumado, mas, sim, um desafio a ser enfrentado.


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