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Dona Luzia, a professora

20 de Outubro de 2009 às 10:53
Artigo do deputado Humberto Aidar (PT) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 18.10.2009.

* Humberto Aidar deputado estadual pelo PT


Hoje eu quero abraçar carinhosamente a dona Luzia, minha mãe. Desejar a ela toda a felicidade do mundo e que Deus continue iluminando e abençoando seus passos. Dona Luzia é professora aposentada. Durante décadas ensinou crianças da cidade e da zona rural de Inhumas. Eu cresci vendo a dedicação, o empenho, o sofrimento e a satisfação de minha mãe com a profissão que ela abraçou ainda solteira. Conheço bem as alegrias e as amarguras de um profissional da educação. Conheço também a luta, a entrega, a coragem e o orgulho que os professores têm pela nobre missão de partilhar saber e conhecimento. Dona Luzia parou de lecionar há mais de 20 anos. Está aposentada depois de mais de 40 anos dedicados ao magistério. Hoje, ao olhar para trás e fazer um balanço de sua vida profissional, mesmo sem se sentir valorizada, minha mãe não se arrepende de nada. Pelo contrário, carrega no peito e na alma a satisfação do dever cumprido, pois milhares de pequeninos deram os primeiros passos no mundo do conhecimento através de suas aulas.

Igual a dona Luzia, minha mãe, são quase todos os professores e professoras, pessoas que amam a profissão e se entregam a ela de corpo, alma e coração. Na verdade, professor ou professora é mais que um trabalho. É um sacerdócio, uma linda e nobre missão. Quem decide ser professor hoje em dia é por que tem no sangue o DNA da generosidade, da partilha, do dom de ensinar e abrir as janelas do saber. Pena que, desde a época em que dona Luzia lecionava para crianças de Inhumas, a profissão de professor não é devidamente valorizada. A educação, de uma forma geral, nunca foi a menina dos olhos dos nossos governantes. Parece que da mesma forma que os professores se dedicam à arte de ensinar, os governantes se empenham em desprezar, ignorar, fazer da educação apenas uma obrigação, nunca uma solução. Outro dia, lendo o DM, algo me chamou a atenção. Anunciavam vários concursos públicos em Goiás. Tive a curiosidade de ver os salários que seriam pagos aos aprovados. O de professor – no concurso que vai ter em Aparecida – era o menor salário. Para os futuros professores um salário 3 vezes menor que o de um agente prisional. Não que os agentes não mereçam o valor anunciado e tenham salários maravilhosos. Os professores é que ganham mal. Chega a ser uma ofensa o que ganha um profissional tão importante para um país. De vez em quando passa um comercial na TV mostrando que os países do primeiro mundo só se desenvolveram e se tornaram grandes potências graças ao trabalho dos professores. Se lá é assim, aqui também. O Brasil só é o que é por conta do desprendimento, da ousadia e da luta dos professores, especialmente os da rede pública. Não fosse a organização e a labuta dos trabalhadores em educação, com toda certeza não existiria ensino público no Brasil. Todas as conquistas, avanços e melhorias na rede pública são frutos da mobilização e da luta dos professores.

Nos últimos anos, o Brasil tem se vangloriado de ter crescido e se desenvolvido muito, economicamente falando. Mas, ainda é grande, gigantesca a dívida de nossos governantes para com a educação e seus trabalhadores. Se hoje somos uma nação respeitada em todo o mundo, poderíamos estar passos à frente se houvesse a real valorização da educação e dos professores. Enquanto isso não acontecer, continuaremos comemorando bons resultados em números, mas ainda assim seremos um País injusto, desigual e com oportunidades para poucos. O Brasil que tanto sonhamos e queremos construir tem que passar obrigatoriamente pela educação. O mundo inteiro sabe disso, menos aqueles que administram esse belo País. Parabéns a todos os professores pelo seu dia, comemorado na quinta-feira passada. Que a data sirva de reflexão para que a luta em defesa da educação de qualidade, de melhores condições de trabalho e salários justos prossiga cada vez mais forte.

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