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Acendeu a luz vermelha

28 de Outubro de 2009 às 17:26
Artigo do deputado Wellington Valim (PTdoB) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 28.10.2009.
* Wellington Valim é deputado estadual e líder do PTdoB na Assembleia Legislativa



Desde o início do ano estamos, assistindo a uma série de troca de farpas entre antigos colegas em virtude de interesses meramente pessoais. Temos observado que, em detrimento aos antigos companheiros políticos, as duas tendências majoritárias da base aliada trabalham pensando apenas nas eleições de 2010.

O adversário sabe que não tem estrutura política para concorrer com a base aliada, vez que já sofreram três derrotas consecutivas para o Tempo Novo. No entanto, acreditam, e com razão, que, com a base esfacelada, podem voltar ao poder e tem feito de tudo para levar o governo a protelar uma definição sobre quem será o candidato ao governo do Estado ano que vem.

Sabe-se, porém, que o governador Alcides Rodrigues tem o poder nas mãos. Poder este não somente administrativo, mas também de unir aos que querem mais uma vitória do Tempo Novo, lembrando que esta mesma coligação fez diferença, transformando Goiás em um Estado próspero e respeitado perante a Federação.

Acontece que o Brasil mudou nos últimos anos, principalmente pela ascensão do PT ao poder. Os que não confiavam no presidente Lula, achando que ele não daria conta de governar, viram no processo administrativo exercido por ele uma revolução. Revolução esta que nada teve a ver com o medo, estratégia usada pela oposição contra o PT.

Tendo Lula obtido êxito em seu governo, ele mutilou a expectativa de que o ano de 2009 seria naturalmente administrativo. O presidente abriu mão de colocar em ação os projetos prometidos aos brasileiros em busca de uma economia sustentável para tentar emplacar sua candidata, a ministra Dilma Rousseff, como sua sucessora em 2010.Lula quebrou a espinha da Constituição Federal, promovendo, com seu grupo governamental, uma verdadeira onda de comícios extemporâneos pelo País afora, criticados até pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, obrigando a classe política a acompanhar o andor nacional.

Seguindo a linha do presidente e dentro da conveniência de cada partido, as coligações para 2010 tiveram de ser antecipadas para se adequarem dentro da nova realidade. Com isso, a base que representava a união de prosperidade e desejo dos goianos está sendo diluída por aqueles que não sabem se portarem diante do novo fato.

É bom observar que com política não se brinca. Tanto é verdade que, em apenas dez dias, a tão propagada candidatura de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, pelo PP, ao governo de Goiás, mandou para o ar a esperança daqueles que a defendia. Meirelles se filiou ao PMDB e deve disputar o Senado.

A saída de Roberto Balestra da Secretaria de Articulação Política do Estado acendeu a luz vermelha na base aliada. Balestra é um homem que conhece Goiás, que tem na sua trajetória política seis mandatos de deputado federal. É amigo íntimo do doutor Alcides Rodrigues, com quem vinha partilhando a mais de três décadas parceria política, fato que demonstra a dificuldade de Balestra em se afastar do processo político, ora em andamento.

Balestra tem razão em sair, uma vez que vinha tentando mostrar a todos o norte para refazer a união da base, que seria o caminho da vitória. É bom frisar que “não se deve dar palpites e ciscar para fora quem não conhece os meandros da política, porque a realidade é buscar todos para dentro”.

A responsabilidade de nossas lideranças nesse momento é muito grande, uma vez que os que querem a vitória em 2010 esperam que a escolha do candidato da base recaia em uma liderança com aceitação popular, e que possa ganhar o pleito. Os companheiros entendem que as diferenças pessoais não podem sobrepor aos interesses coletivos. E também não podemos esperar mais para definirmos a escolha.

O próprio prefeito de Inhumas, Abelardo Vaz (PP), que também preside a Associação Goiana dos Municípios (AGM), e representa a maioria dos prefeitos, alertou sobre a união. Abelardo, em entrevista recente ao próprio DM, lembrou bem que, sem a união, dificilmente PP, PSDB e aliados conseguirão manter o comando do Estado.

Alcides, como governador do Estado e grande comandante, precisa convocar a base para anunciar quem será o candidato à sua sucessão em 2010; ouvir a opinião dos companheiros para definir de acordo com o desejo da maioria para apoiar alguém que tenha liderança, carisma, e potencial eleitoral para unir os companheiros.

Não podemos ficar como ovelhas soltas, fora do rebanho e atrasar o debate. Os candidatos estão todos apreensivos, pois precisam de um líder que de consistência às candidaturas.

Nós do PTdoB estamos sempre discutindo a sucessão estadual. Acreditamos firmemente que assim poderemos fazer quatro deputados estaduais e dois federais, para continuarmos trabalhando em prol do Estado e dando sustentação aos companheiros. Não podemos entregar para o adversário o que conquistamos tão arduamente. A população também não quer o atraso de volta, salários baixos, pontes que ligam o nada a lugar algum. O caminho do desenvolvimento, dos benefícios sociais e da geração de emprego e renda é um só. E o tempo novo, junto, coeso e pacificado, sabe o atalho para este crescimento.


 



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