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A senha para o futuro

25 de Maio de 2010 às 17:16
Artigo do deputado Thiago Peixoto (PMDB) publicado no jornal O Popular, edição de 25.05.2010.

* Thiago Peixoto é economista e deputado estadual (PMDB)



Em 2007, um dia após levar para casa o Oscar de Melhor Documentário pelo longa Uma Verdade Inconveniente - que trata das consequências acarretadas pelo aquecimento global -, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, teve questionada sua real contribuição no combate à crise climática.

Descobriu-se que a mansão do democrata em Belle Meade, no Estado americano do Tennessee, consumia mais eletricidade em um mês do que a média das casas dos EUA consome em um ano inteiro. O valor mensal de gastos elétricos de Gore, em 2006, beirou os US$1,2 mil, segundo o Departamento de Energia de Nashville.

Na época, os números aferidos na residência de Gore soaram tão alarmantes quanto as previsões feitas pelo ex-vice-presidente acerca do futuro do Planeta, caso o modelo vigente de consumo não fosse repensado o quanto antes. Al Gore foi duramente criticado pelo descompasso entre seu discurso e suas ações.

No Brasil, o lema "faça o que eu digo, não faça o que eu faço" é o tradicional modus operandi do poder público. Cobra-se do cidadão, por exemplo, honestidade no pagamento de impostos, mas não raro somos surpreendidos por notícias de desvio de verbas e corrupção por parte dos governantes.

Com a questão ambiental não é diferente. As autoridades esperam da população bom senso no uso dos recursos naturais, mas no âmbito administrativo promovem um verdadeiro festival de desperdício. Por isso, está mais do que na hora de os governos adotarem um plano de metas concreto a fim de garantir a sustentabilidade.

A Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) é um programa que já existe em nível federal e que consiste na incorporação, por parte dos órgãos governamentais, de hábitos que possibilitem o desenvolvimento da gestão sem comprometer a disponibilidade de recursos no futuro.

A A3P tem por metas: efetivar a coleta seletiva em todos os órgãos da administração; promover a economia de energia com mecanismos que apaguem automaticamente as luzes dos prédios; diminuir a opacidade do insulfilm para maior aproveitamento da luz natural; incentivar servidores a utilizar as escadas ao invés do elevador, e desligar luzes e monitores na hora do almoço; promover a economia de água com dispositivos que fechem as torneiras; realizar licitações sustentáveis (madeira certificada, impressoras que imprimam frente e verso, papel reciclado); dentre outras ações.

O Estado de Goiás e todos os seus 246 municípios podem e devem adotar um programa semelhante com o intuito de controlar gastos de ordem natural e, consequentemente, financeira. O poder público tem de dar o bom exemplo.

Hoje em dia, a casa de Al Gore possui as mais avançadas tecnologias para garantir um ambiente de total sustentabilidade: energia solar, aquecimento e resfriamento geotérmico e todos os certificados "verdes" imagináveis. A polêmica anterior serviu para Gore superar suas contradições e liderar mundialmente a discussão de mudança climática tendo o seu lar como referência.

Entendo que as administrações municipais e estadual têm condições de promover este mesmo tipo de mudança e incutir na sociedade o valor da consciência ecológica urbana, um processo que ultrapasse os limites da preservação ambiental. A A3P é a senha para que o poder público assuma a mudança e lidere a sociedade baseado em eficientes práticas e bons exemplos, senha para um futuro sustentável para todos nós.


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