Marcha das Margaridas
A presidente da Comissão de Habitação, Reforma Agrária e Urbana da Assembleia Legislativa, deputada Isaura Lemos (PDT), participou na manhã desta terça-feira, 16, da concentração dos trabalhadores rurais do Centro-Oeste que participarão, nesta terça e quarta-feira, da Marcha das Margaridas em Brasília.
A Marcha é um ato político que reunirá cerca de 100 mil trabalhadoras rurais de todo o Brasil na Capital Federal para entregar, nesta quarta edição, uma pauta com 168 reivindicações à presidente Dilma Roussef (PT). É a maior manifestação de mulheres da America Latina, organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), federações e sindicatos de trabalhadores.
Em Anápolis as trabalhadoras rurais de diversas cidades do Centro-Oeste ocuparam a pista local da Avenida Brasil Sul e receberam na oportunidade além da presença e o apoio de Isaura Lemos; o prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT); o vice-prefeito João Gomes (PT), e o deputado federal Rubens Otoni (PT).
De acordo com a secretária de Mulheres da Federação dos Trabalhadores Rurais do Estado de Goiás (Fetaeg), Ana Maria Dias Caetano, entre as reivindicações apresentadas, as trabalhadoras pedirão mais crédito, menos violência e ampliação de oportunidades. “A agricultura familiar está sendo deixada de lado para dar espaço à monocultura do agronegócio. Nossa Marcha é, portanto, uma luta por melhores condições de sobrevivência daqueles que ainda praticam a agricultura familiar”, disse.
A deputada Isaura Lemos disse estar contente em receber no Estado de Goiás a concentração da Marcha das Margaridas do Centro Oeste que seguem rumo à Brasília. “Para mim é uma alegria muito grande recepcionar todas vocês aqui em Anápolis, e gostaria de cumprimentar e agradecer ao prefeito Antônio Gomide, ao vice João Gomes, a Fetaeg e a todas companheiras do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e aqui de Goiás pela presença e empenho nessa luta”.
A parlamentar destacou a importância da união e da perseverança para fazer valer os anseios de uma classe. “Eu estou deputada, mas já fui trabalhadora rural, e no período da ditadura militar largamos tudo em SãoPaulo para traçar uma luta contra essa opressão, primeiramente no sertão da Bahia e depois no Acre. Hoje tenho uma alegria enorme assistir o resultado da conquista da democracia e ver aqui as margaridas atuando unidas e lutando por melhores condições de trabalho”, disse.
Isaura reafirmou seu apoio à causa e convidou a todas presentes para que continuem lutando pela terra, lutando por melhor condições de vida, e para que a democracia seja cada vez mais consolidada. “A democracia só vai ser de fato efetiva quando todas trabalhadoras tiverem condições de vida digna no campo, portanto, precisamos nos valorizar e colocar nossas reivindicações em pauta”, afirmou.
A secretária de mulheres da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Mato Grosso (Fetagri/MT), Maria da Gloria Borges da Silva, lembrou que a luta das Margaridas se dá exatamente pela busca destas conquistas citadas por Isaura. “Lutamos por melhores condições de saúde, educação, moradia, segurança alimentar e nutricional de nossas trabalhadoras”.
O prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, ressaltou que é um enorme orgulho para a cidade receber, como ponto de concentração, uma reunião de pessoas que lutam de maneira democrática por uma causa verdadeiramente nobre. “É assim que queremos que as políticas públicas sejam feitas daqui para frente. Buscando igualdade e principalmente lutando para que a violência seja uma página virada na história deste País. É justo, portanto, estarmos aqui juntos e apoiando iniciativas produtivas e importantes como essa para o crescimento e desenvolvimento das políticas voltadas para esse setor”.
Após a concentração e um café da manhã que foi servido no local, os manifestantes seguiram rumo à capital Federal nos ônibus que levarão a delegação do Centro-Oeste ao encontro das demais delegações do País.
Programação em Brasília
Terça-feira (16)
A partir das 9 horas: Inauguração da Mostra Nacional da produção das Margaridas
Painéis de debates:
1 - Desenvolvimento Sustentável – com foco nos eixos I, II, II
2 - Desenvolvimento Sustentável – com foco nos eixos IV, V, VI, VII
Lançamento da Campanha contra os agrotóxicos
Lançamento do projeto de Lei de Iniciativa Popular para Reforma Política
Atividades culturais
Sessão Solene no Congresso Nacional
Ato no Congresso Nacional
Exposição Fotográfica – Mulheres Trabalhadoras na Marcha das Margaridas -
Trajetória de lutas - Hall da Taquigrafia – Congresso Nacional
12h30: Almoço
14 horas: ABERTURA POLÍTICA DA MARCHA DAS MARGARIDAS 2011
Lançamento do CD ‘Canto das Margaridas’
À noite : Show Margareth Menezes
Quarta-feira (17)
5 horas: Café da manhã
7 horas: Saída da Cidade das Margaridas para a Esplanada dos Ministérios
10 horas: Ato na Esplanada, em frente ao Congresso Nacional
12h30: Almoço
15 horas: Ato de encerramento com a presença da Presidenta Dilma, no Parque da Cidade.
17 horas: Retorno das delegações aos estados
Conquistas
Realizada desde o ano de 2000, a Marcha tem revelado grande capacidade de mobilização e organização dessas mulheres comprometidas com a agricultura familiar.
A mobilização já proporcionou diversas conquistas, entre elas, estão o Pronaf Mulher, linha para o financiamento de investimentos de propostas de crédito da mulher agricultora; a emissão do documento da terra em nome do casal, e não apenas do homem; e o Programa Nacional de Documentação das Trabalhadoras Rurais (PNDTR), uma ação fundamental para a inclusão social das trabalhadoras rurais, seja na reforma agrária ou na agricultura familiar, que possibilita a emissão gratuita de documentos civis, trabalhistas e de acesso aos direitos previdenciário, por meio de mutirões itinerantes de documentação.
Um legado e uma homenagem
A Marcha recebeu esse nome para homenagear a líder sindical Margarida Alves. Símbolo da luta das mulheres pela terra, trabalho, igualdade, justiça e dignidade ela foi barbaramente assassinada em Alagoa Grande, Paraíba, região Nordeste do país, com um tiro no rosto no dia 12 de agosto de 1983.
A sua trajetória sindical foi marcada pela luta contra a exploração, pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, contra o analfabetismo e pela reforma agrária.