Segurança comunitária
Segurança Pública Comunitária e Políticas Municipais de Segurança Pública foram tema de audiência pública realizada na tarde desta segunda-feira, 29, por iniciativa do deputado Mauro Rubem (PT). O debate aconteceu no Auditório Costa Lima, das 14h30 às 18h35.
Na ocasião, o representante da Casa da Juventude Padre Burnier, Eduardo Mota, falou sobre a apuração de casos de violência policial contra jovens. "Segurança Pública não se faz, por exemplo, sem a participação da Secretaria de Assistência Social", disse.
Já a delegada Adriana Accorsi falou sobre o combate aos assassinatos de menores na Capital. "Participamos da construção de uma rede eficaz de proteção à criança. A polícia se colocou na posição de trabalhar junto com outros órgãos para resolver questões como essa", disse.
Em seguida, o deputado Mauro Rubem disse ver omissão do Governo do Estado na questão da melhoria da Segurança Pública. "O Governo de Goiás se mostra ausente nesse debate", disse. "Não é possível pensar na promoção dos direitos humanos sem tocar na questão da Segurança Pública", acrescentou o petista.
O representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO), Douglas Dalto Messora, por sua vez, disse que o problema de Segurança Pública no Brasil não envolve a simples existência dos Códigos Penal e de Processo Penal. “A finalidade desses dois códigos é garantir que o acusado de delito tenha um julgamento justo, e não proteger a população. O código não faz parte da Política de Segurança Pública, que é construída junto a órgãos representativos da sociedade”, disse.
Em seguida, o comandante João Augusto Neto, presidente da Guarda Municipal de Goiânia, falou sobre a necessidade da participação de órgãos como o Ministério Público na formatação de políticas de Segurança Pública.
O assessor de Planejamento da Polícia Militar do Estado de Goiás, tenente-coronel Juverson Augusto de Oliveira, procedeu à exibição de vídeo sobre o policiamento comunitário da PM goiana.
O militar explicou que a nova filosofia procura aproximar e melhorar a relação entre policiais e a comunidade. "Em um futuro próximo, todas as viaturas poderão ser localizadas em tempo real. O registro da ocorrência também poderá ser realizado por via eletrônica, sem o uso do papel", disse.
O palestrante também apresentou a diferença entre a segurança tradicional e a segurança comunitária: a primeira enfatizaria a reação ao fato, enquanto a segunda atuaria tendo como base a prevenção de ocorrências.
O secretário municipal de Defesa Social de Goiânia, Allen Viana, falou sobre a Segurança Pública no âmbito municipal. Ele disse que o crescimento das cidades provocou um distanciamento entre os agentes de segurança e a comunidade, e que o surgimento da Guarda Municipal de Goiânia trouxe uma nova perspectiva para a descentralização da segurança nos municípios.
“Se houve descentralização na Saúde e na Educação, é inevitável que haja uma municipalização da Segurança”, disse Allen Viana, que também destacou a qualificação da segurança municipal. ”A Guarda Municipal de Goiânia é altamente qualificada: 45% dos concursados possuem curso superior”, informou.
SUSP
A socióloga da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Dahir Inês de Azeredo, falou sobre o papel de cada município na implementação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que prevê a integração do trabalho entre União, Estados e municípios, promovendo uma maior organicidade e cooperação entre essas instâncias, no que se refere à Segurança Pública.
A especialista destacou a importância da realização de pesquisas e estudos que orientem as políticas de Segurança municipais. Ela também afirmou que é necessário, dentre outras ações, o acesso a uma boa base de dados destinada à produção de um diagnóstico correto a respeito da natureza e da dimensão dos problemas de cada localidade.
“No Brasil, existem aproximadamente 800 guardas municipais. Na Secretaria Nacional de Segurança Pública, foi criado Grupo de Trabalho destinado à elaboração de um Marco Regulatório para a Segurança municipal. Os investimentos em prevenção são mais eficazes e permitem alcançar resultados mais sólidos do que os derivados da repressão e da persecução criminal”, explicou.