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Cana-de-açúcar em debate

20 de Setembro de 2011 às 18:20
Daniel Vilela colhe sugestões apresentadas durante o seminário sobre a cana-de-açúcar e o desenvolvimento de Goiás, nesta terça.

Por iniciativa do deputado Daniel Vilela (PMDB), a Assembleia promoveu na tarde desta terça-feira, 20, o I Seminário sobre a Cana-de-Açúcar e o Desenvolvimento de Goiás,

O parlamentar, ao final do debate, destacou sugestões de produtores e representantes de sindicatos presentes, incluindo a proposta de criação de um conselho consultivo para se discutir as políticas relacionadas à cultura da cana, e de um programa de financiamento destinado aos produtores da cana-de-açúcar, sugerido pelo representante da Cosan, João Sacomani.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool de Goiás (Sifaeg), André Rocha, a safra brasileira de cana-de-açúcar praticamente dobrou a partir de 2003. "Em Goiás, apesar do crescimento de 139 milhões de hectares na área ocupada pela produção da cana, houve um avanço muito maior no número de pastagens no Estado”, ponderou.

“Temos que considerar que existem muitas pastagens em Goiás, e que estas poderão ser ocupadas não apenas pela cana, mas também por soja, milho e demais culturas”, disse, explicando que o impacto da cultura no Estado é, na verdade, acompanhado pelo impacto do crescimento de culturas concorrentes.
 
O palestrante também apresentou o resultado de pesquisa realizada pela Embrapa, que aponta Goiás como o Estado da Federação mais apto a receber investimentos no setor de produção da cana-de-açúcar.

André Rocha falou ainda sobre os ganhos sociais provenientes do desenvolvimento da cultura da cana. “Em Goiás, as terras que experimentaram maior valorização foram aquelas que abrigam a produção da cana-de-açúcar. E os municípios goianos que apresentaram maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foram aqueles onde se verifica a produção da cana-de-açúcar”, disse.

Finalmente, o palestrante falou sobre os empregos gerados pela cultura da cana, e apresentou a evolução das áreas cultivadas em Goiás. “É possível que a cana coexista com as demais culturas de grãos. Vamos crescer em Goiás, o País precisa de alimentos e de energia”, disse.

Impacto

Em seguida, o professor Fritz Roberto de Oliveira, da Universidade Federal de Goiás (UFG), do programa de mestrado em Direito Agrário daquela instituição, falou sobre o papel histórico, socioeconômico e ambiental da cana-de-açúcar. O palestrante representou, na ocasião, a pesquisadora Noeli Vicente Ribeiro.

“O Brasil ainda não é um País preparado para a liderança na produção do etanol”, disse. “O principal imposto que se arrecada com a produção da cana é o ICMS. Há, assim, uma dificuldade muito grande para levar a riqueza aos municípios”, avaliou.

“Há a preferência dos grandes investidores de levar a produção de cana para regiões já desenvolvidas. As pesquisas demonstram que, de 1950 para cá, houve pouca alteração nas regiões que produzem cana. E, se houve um desenvolvimento das regiões Sul e Sudeste do Estado, foi em detrimento de outras culturas”, disse.

O palestrante também disse que Goiás carece de uma legislação que estabeleça uma compensação para o impacto ambiental nas áreas de produção da cana. “A produção de etanol e do açúcar geram um impacto ambiental muito forte. Ainda não há uma política específica de compensação para o impacto da produção da cana nas regiões produtoras”, afirmou.

Prefeitos

O prefeito de Jataí, Humberto de Freitas Machado, falou sobre o impacto da produção da cana-de-açúcar naquele município. Ele procedeu a uma apresentação de slides, destacando as potencialidades e qualidades do município que administra. “Jataí produz 260 mil hectares de grãos. Na segunda safra, são produzidos mais 220 mil hectares, o que totaliza 480 mil hectares. Ou seja, o município é o maior produtor de grãos de Goiás”, explicou.

O prefeito também destacou a indústria pecuária local, bem como a geração de empregos nos setores agrícola e pecuário. “A capacidade de armazenamento de grãos de Jataí é a maior do País, com espaço para mais de 1.247.400 toneladas, segundo informa o IBGE. O município conta com 36 unidades armazenadoras, e três em construção”, informou.

O palestrante também falou sobre o papel desempenhado pela diversificação de culturas de grãos em Jataí. “A diversificação de culturas tem sido fator fundamental para a distribuição de riquezas no município: praticamente todo o lucro obtido com a produção de grãos é consumido na cidade”, disse.

“O município produz mais de dez grãos diferentes. A cana-de-açúcar é bem-vinda em Jataí, já que dispomos de 250 mil hectares de área destinados a esta cultura”, avaliou.

O prefeito também sugeriu à Assembleia Legislativa a criação de legislação que harmonize a convivência entre os setores produtivos, e que confira maior autonomia aos municípios para decidirem seu futuro econômico.

Quirinópolis

Em seguida, o prefeito de Quirinópolis e presidente da Federação Goiana dos Municípios, Gilmar Alves da Silva, procedeu a uma apresentação institucional daquele município do Sudoeste goiano.

Ele apresentou o quadro da safra 2010/2011 de Quirinópolis, ilustrada com a produção comparativa de culturas como arroz, milho, soja e cana-de-açúcar. “No caso da cana, a implantação das usinas de São Francisco e Usina Boa Vista possibilitou a maior concentração da produção sucroalcoleira em Goiás: as duas usinas esmagam, juntas, 15% da cana do Estado”, disse.

O prefeito informou ainda que o crescimento da cultura da cana-de-açúcar em Quirinópolis foi acompanhado por um significativo aumento da população local. “Houve um crescimento não só da geração de empregos, mas também da economia da cidade”, acrescentou.

“Hoje, existem 32 usinas sucroenergéticas em um raio de 150 quilômetros de Quirinópolis. Com a presença da Ferrovia Norte-Sul, será instalado um polo de cargas no município para o transporte de etanol e açúcar, e a construção de um etanolduto ligará Quirinópolis aos principais polos do País.”

Ele defendeu ainda uma maior descentralização da produção da cana-de-açúcar no Estado.

 

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