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Mestre em imunologia da leishmaniose critica eutanásia em animais contaminados

09 de Novembro de 2011 às 12:20

Médico veterinário, advogado e mestre em imunologia da leishmaniose, André Luiz da Fonseca participa neste momento de audiência pública que debate estratégias de prevenção à leishmaniose visceral. A audiêcia é promovida pelo presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia, deputado Francisco Júnior (PSD).

André Luiz defendeu que a eutanásia de animais não resolve nem é eficaz no combate e prevenção à doença. Segundo ele, há 20 anos lidando com casos de leishmaniose, nunca presenciou uma redução da doença onde o controle tenha sido realizado unicamente através da morte dos animais infectados.

“Em Campo Grande (MS), por exemplo, são sacrificados 13 mil cães todo ano, o que representa cerca de 10% da população, e o que vemos é um aumento crescente dos casos. Simplesmente matar o cão, como se ele fosse o único animal responsável pela disseminação da doença, é um erro. A leishmaniose é uma doença vetorial”, disse.

O veterinário explicou que para combater a doença o Estado vem utilizando de uma medida barata e pouco eficaz que prejudica apenas a pessoa privada e sugere que seja realizada a indenização nos casos em que for determinada a eutanásia. “Muito se fala em proteger o silvestre e quando se fala no animal de estima este pode ser morto?” questionou.

Ele disse ainda que se analisado objetivamente em relação aos riscos, todos teríamos no contato com o cão, uma situação mais segura que o próprio contato com os humanos. “Podemos passar a um outro ser humano cerca de 300 doenças. O cão apenas 140. Por isso temos que ter cuidado ao analisarmos dados frios presentes em trabalhos científicos, muitos deles são tendenciosos”, explicou André Luiz.

De acordo com ele, o combate eficaz e comprovado, por estudos realizados, para a leishmaniose seria com o uso de inseticida e vacina e que a eutanásia também poderia ser utilizada, mas não como solução definitiva. Ele explicou também que os testes que atualmente são utilizados, como a sorologia, não podem ser utilizados como diagnóstico, pois possuem grande margem de erro e permitem diagnósticos e falsos por reação cruzada.

André afirmou também que não há risco nenhum para ser humano conviver com o animal infectado. “A Leishmaniose como acontece no caso da dengue, é uma doença vetorial e a presença do animal doente em casa simplesmente indica que há presença do vetor naquele ambiente. Então, o controle de uma doença vetorial se faz com o controle de vetor, é o que acontece exemplificativamente no caso da dengue, então risco não há”.

Ao final de sua apresentação o veterinário fez ainda uma abordagem quanto à legislação sobre o tratamento da leishmaniose visceral canina. “Ao contrário do que muitos pensam, que a Portaria Interministerial 1429/2008 determina a eutanásia, ela apenas proíbe o uso de medicamento de uso humano específico para tratamento da leishmaniose. Isso acontece justamente por uma questão de falta de visão técnica clara dos responsáveis por isso, por que na verdade não existe remédio veterinário, remédio humano, o remédio existe para tratar uma doença, ele age, por exemplo, sobre o DNA do parasita e não sobre o DNA do ser humano, então não tem lógica querer proibir. A Portaria simplesmente veta em termos o uso dos medicamentos tradicionais para uso no controle de leishmaniose, que na verdade é um grande engano”, explicou.

Ele explica que existem várias maneiras de disseminação da doença e não é necessariamente o cão o único capaz de transmiti-la. “Tanto o animal como o ser humano podem transmitir a doença. Existem duas formas de leishmaniose, a chamada zoonótica e antroponótica. A zoonótica é quando a transmissão é feita entre o ser humano e animais e animal com ser humano. E existe a antroponótica que é aquela em que o hospedeiro, principal transmissor é o ser humano, é o que acontece, por exemplo, na Índia, onde a leishmaniose não há participação do cachorro, simplesmente do ser humano”.

A audiência está sendo realizada nesta quarta-feira, 9, na Sala Solon Amaral da Assembleia.

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