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Leishmaniose

09 de Novembro de 2011 às 12:50
Por iniciativa do deputado Francisco Junior, audiência discutiu, na Assembleia,estratégias para prevenir a doença em Goiás.

A Assembleia Legislativa realizou nesta quarta-feira, 9, audiência pública para debater estratégias a serem tomadas pelos órgãos públicos para prevenir a leishmaniose visceral. O evento foi organizado pelo presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, o deputado Francisco Júnior (PSD).

Segundo Francisco Júnior, existe um desencontro de informações sobre a doença e muitos dados divergem com a situação real. Sendo assim, a audiência teve como objetivo trazer todas as correntes sobre o assunto.

A transmissão da doença se dá através de picada de mosquitos flebótomos, também conhecidos como mosquito-palha. A doença afeta, além do homem, mamíferos, com destaque para os cães, gatos e ratos. Em zonas urbanas os cachorros são os principais reservatórios da doença. Em zonas rurais os bovinos e equinos desempenham tal papel.

“Alguns defendem que o animal seja sacrificado de imediato. Outros profissionais acreditam que esse procedimento está equivocado, pois existem vários casos de cura e a forma como o animal é sacrificado pode trazer transtorno social. Queremos discutir com a sociedade qual é o procedimento mais adequado, a partir daí vamos trabalhar para mudar, se preciso, com propostas de projeto de lei”, disse Francisco Júnior.

O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Goiás (CRMV-GO), Benedito Dias, disse que a presença do Conselho na audiência é um dever já que, em seu entendimento, o objetivo maior da medicina veterinária é, além do cuidado com os animais, garantir a saúde dos humanos através do controle da saúde animal. Ele explicou ainda que a leishmaniose é uma doença de alta complexidade e seu controle e extermínio são muito difíceis.

O diretor do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental de Goiânia, Luiz Elias Camargo, fez uma explicação de todas as ações que estão sendo tomadas pelo seu departamento em Goiânia. Segundo ele, tudo é baseado em recomendações do Ministério da Saúde. De acordo com o diretor, o primeiro caso no município de Goiânia foi constatado em abril, no Residencial Aldeia do Vale.

“Diante disso iniciamos as medidas necessárias. O monitoramento do mosquito nos permitiu encontrá-lo no bairro onde os primeiros animais residiam e em mais dois bairros adjacentes. Foram feitas ainda 109 amostras das quais encontramos mais 10 animais reagentes”, informou o diretor.

A partir de então, de acordo com Luiz Elias, foram feitas reuniões com proprietários, técnicos, retestes e a eutanásia de alguns animais que foram entregues por espontânea vontade de seus proprietários. “Foram medidas necessárias para que a doença em Goiânia não se torne uma epidemia como já ocorreu em vários municípios no Brasil e no Estado.”

A médica veterinária e técnica em zoonose da Secretaria Estadual de Saúde, Veruska Castilho, ressaltou que a doença é bastante complexa e informou algumas medidas preventivas. As medidas propostas pela médica foram controle da população canina errante, posse responsável de animais, uso de telas em canis individuais ou coletivos, uso coleiras impregnadas com o inseticida deltametrina a 4% e inquéritos sorológicos.

Veruska informou que as vacinas ainda não são recomendadas para uso na saúde pública . “Hoje os estudos não demonstram evidências adequadas e suficientes que comprovem o atendimento das exigências da vacina. Portanto, não é possível avaliar a magnitude dos riscos ao qual está submetida a população humana convivendo com os cães vacinados”, ressaltou a médica veterinária.

O médico veterinário, advogado e mestre em imunologia da leishmaniose, André Luiz da Fonseca defendeu em sua apresentação que a eutanásia de animais não resolve, nem é eficaz no combate e prevenção à doença. Segundo ele, há 20 anos lidando com casos de leishmaniose, nunca presenciou uma redução da doença onde o controle tenha sido realizado unicamente através da morte dos animais infectados.

De acordo com ele, o combate eficaz e comprovado, por estudos realizados, para a leishmaniose seria com o uso de inseticida e vacina e que os testes que atualmente são utilizados, como a sorologia, não podem ser utilizados como diagnóstico, pois possuem grande margem de erro e permitem diagnósticos e falsos por reação cruzada.

André desmistificou ainda algumas crenças e afirmou, por exemplo, que não há risco nenhum para ser humano conviver com o animal infectado. “A Leishmaniose como acontece no caso da dengue, é uma doença vetorial e a presença do animal doente em casa simplesmente indica que há presença do vetor naquele ambiente. Então, o controle de uma doença vetorial se faz com o controle de vetor, é o que acontece exemplificativamente no caso da dengue, então risco não há”.

Doença

A leishmaniose é uma doença não contagiosa causada pelo protozoário Leishmania, que invadem e se reproduzem dentro das células do sistema imunológico da pessoa infectada.

A doença pode se manifestar de duas formas: leishmaniose tegumentar ou cutânea, caracterizada por lesões na pele, podendo também afetar nariz, boca e garganta; e a leishmaniose visceral ou calazar, que afeta vários órgãos, sendo que os mais acometidos são o fígado, baço e medula óssea. 

A leischmaniose visceral, se não for tratada corretamente, pode levar à morte de seu hospedeiro que, nos centros urbanos, geralmente são cachorros. Ela é transmitida pela picada de insetos infectados. Dentre seus sintomas estão: febre, perda de peso, anemia e inchaço significativo de fígado e baço. Uma das principais formas de tentativa de contenção da doença vem sendo o sacrifício de animais.

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