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Campanha da Fraternidade

19 de Março de 2012 às 22:39
Assembleia realizou sessão para apresentar a Campanha da Fraternidade 2012. Iniciativa de Humberto Aidar.

Por iniciativa do deputado Humberto Aidar (PT), a Assembleia Legislativa realizou nesta segunda-feira, 19, sessão especial para a apresentação da Campanha da Fraternidade de 2012, que tem como tema "Fraternidade e Saúde Pública". A solenidade aconteceu no Plenário da Casa, com a presença do arcebispo de Goiânia, Dom Washington Cruz, além de autoridades políticas, eclesiásticas e da área da Saúde.

Ao lado do presidente em exercício, Bruno Peixoto (PMDB), compuseram a Mesa: Antônio Faleiros Filho, secretário de Estado de Saúde, representante do governador do Estado Marconi Perillo (PSDB); Dom Washington Cruz, arcebispo metropolitano de Goiânia; Marcelo Celestino, coordenador do Centro de Apoio Operacional da Saúde, representando o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO).

E ainda: Wolmir Therezo Amado, reitor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO); a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO); o assessor parlamentar Renato Rassi, que representou o senador Cyro Miranda (PSDB-GO); Padre Walmir Garcia dos Santos, vigário episcopal para Saúde, da Arquidiocese de Goiânia; Salomão Rodrigues Filho, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (CRM-GO); Maria Salete Silva Pontieri Nascimento, presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Estado de Goiás e Cláudio Lisias Monteiro da Cruz, do departamento de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

Durante a solenidade, o arcebispo de Goiânia, Dom Washington Cruz, entregou o texto base da Campanha da Fraternidade 2012 aos deputados Mauro Rubem (PT) e Humberto Aidar, bem como às demais autoridades que compuseram a Mesa.

Autor da propositura

Humberto Aidar começou seu discurso apontando que, uma das maiores preocupações da população, especialmente a mais carente, é com o precário atendimento na Rede Pública de Saúde. Ele afirmou que O SUS, Sistema Único de Saúde, é uma ideia brilhante e democrática, mas que está muito distante daquilo que se propôs a ser quando da sua criação. “E distante está também das necessidades e carências do povo brasileiro. Isto é um fato inegável, admitido por todos”, disse.

 “A saúde pública em Goiânia, em Goiás e no Brasil precisa passar por uma rediscussão geral, ampla e irrestrita, pois hoje ela é uma afronta à dignidade humana, salvo raras exceções. Como deputado e radialista, recebo todos os dias uma infinidade de reclamações, denúncias e reivindicações da população goiana”, criticou Aidar.

“Estamos aqui, colaborando com a Campanha da Fraternidade 2012 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que trata exatamente desse clamor que é melhorar a saúde pública para todos”, disse  sobre a iniciativa da CNBB.

Com o tema “Fraternidade e Saúde Pública”, e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”, a Campanha da Fraternidade deste ano visa sensibilizar a todos sobre a dura realidade daqueles que não têm acesso à assistência de Saúde Pública digna e eficaz.

O parlamentar afirmou ainda que as Campanhas da Fraternidade sempre tiveram como foco principal a vida, e que, de 2008 pra cá, a necessidade de valorizarmos a mesma têm sido tratada com muito mais ênfase.

“Lutar para que a Saúde se difunda sobre a Terra é função de todos nós. Unindo forças, desarmando os espíritos, debatendo o tema com sinceridade, aumentando investimentos e trabalhando muito, vamos sim melhorar a Saúde Pública em nossa cidade, nosso Estado e no nosso querido Brasil. Aproveitemos a Campanha da Fraternidade 2012 para refletirmos sobre a realidade da Saúde no Brasil”, concluiu.

Representante da PUC-Goiás


O professor Cláudio Lisias Monteiro da Cruz, do departamento de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), afirmou que a Campanha da Fraternidade 2012 busca sensibilizar a sociedade no que se refere às ações básicas de prevenção e promoção da saúde no País. “Promover a saúde é elevar e engrandecer ações que possam viabilizar ou levar a saúde às pessoas”, iniciou.

O palestrante também citou o trabalho da falecida médica Zilda Arns, como exemplo a ser seguido para a melhoria da Saúde no País. Radicada no Estado do Paraná, ela conseguiu reduzir o número de óbitos de nascimento naquele Estado, através da realização de diagnósticos precoces de erros cometidos pelas mães no cuidado dos seus filhos. “Sua visão foi límpida e sua ação ampla. Estima-se que 2 milhões de crianças tenham sido beneficiadas por seu trabalho prático e inteligente”, disse.

O professor lembrou também que a eficácia na promoção da Saúde reside principalmente na diversidade de ações possíveis, destinadas a salvar as vidas das pessoas, e lamentou o que qualificou de “pouca integralidade e universalidade do Serviço Único de Saúde (SUS)”.

O orador defendeu ainda o diálogo intersetorial entre as áreas de Segurança, Sanitária, de Controle, de Educação e de Seneamento para promoção de políticas eficazes na Saúde Pública.


Conselho Regional de Medicina

Da tribuna, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (CRM), Salomão Rodrigues Filho, proferiu discurso com o tema “A Dimensão do Tratar”.

“A Saúde pública brasileira passa por uma crise sem precedentes. A cada dia, vidas não são salvas porque em muitas unidades de atendimento há falta de profissionais. A Igreja, com sua sensibilidade, percebeu a gravidade da crise para a população brasileira. Para nossa felicidade, a Saúde foi o tema escolhido da Campanha da Fraternidade deste ano”, iniciou.

O médico também conclamou os políticos brasileiros a se sensibilizarem com os problemas enfrentados pelos profissionais da Saúde no País, e informou que foi criada uma frente nacional que pede a destinação de mais recursos para a Área. “Estamos coletando assinaturas para a apresentação de um Projeto de Lei, de iniciativa popular, que pretende assegurar 10% da receita bruta da União para a Saúde. Hoje, o Brasil destina apenas 8% dos seus recursos para a Saúde”, informou.

“Precisamos ter uma legislação que combata a má administração de recursos e que promova a agilidade. Não é possível termos uma saúde pública de qualidade se os profissionais que a ela se dedicam não estiverem motivados", completou. 

Conselho Regional de Enfermagem

A presidente do Conselho Regional de Enfermagem, Maria Salete Silva Pontieri Nascimento, abordou o tema “Dimensão do Cuidar” em seu discurso.

A presidente reforçou queem suas Campanhas da Fraternidade, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, sempre procurou abordar questões cristãs relacionadas à vida, mostrando a sintonia da igreja com as necessidades do mundo. Com isso, Maria Salete abordou a visão de saúde na cartilha da OMS:

“Antes, a Organização Mundial de Saúde definia a Saúde como bem estar físico, metal e espiritual, porém, atualmente, diz ser a realidade e condições de vida do povo, a harmonia entre sujeito e sociedade, a qualidade de vida, a moradia, a alimentação, a educação e a cidadania. É um direito garantido na Constituição Federal e obrigação do Estado”, apontou.

Além disso, Maria Salete afirmou que mesmo com todas as dificuldades de avanço, o Sistema Único de Saúde (SUS) é uma das maiores conquistas da população. E com isso, pediu o apoio de todos os parlamentares para que a regulamentação da Emenda 29, que fixa os gastos mínimos da União, dos Estados e Municípios com a Saúde Pública, faça ser válida.

Maria Salete reforçou também que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, houve no Brasil uma redução significativa da mortalidade infantil, uma melhora do acesso ao saneamento básico, além de apontar 2,5 mil pessoas diabéticas, 489 mil novos casos de Câncer, em 2010, e um aumento do numero da taxa de obesidade, consumo de álcool, drogas e da violência. “Isso mostra o quadro da saúde no Brasil, um país cheio de paradoxos, com muitos desafios a serem superados”, defendeu.

Por fim, a presidente do Conselho Regional de Enfermagem defendeu os interesses dos profissionais de sua classe, que buscam melhorias. De acordo com ela, Goiás esta com falta de pessoal e de equipamentos básicos, entre outras coisas, o que impede a realização do trabalho.

“De acordo com o Conselho Nacional de Enfermagem, existem apenas 1,5 milhões de enfermeiros - um déficit grande desses profissionais -, o que indica uma sobrecarga de trabalho e uma maior dificuldade de acesso da população aos serviços por eles prestados. É preciso haver uma maior qualificação e instrução desses profissionais, caso contrário, quem sai perdendo é o povo. A reforma sanitária é um processo civilizatório”, concluiu.

Arquidiocese de Goiânia


O vigário episcopal para a Saúde, da Arquidiocese de Goiânia, padre Walmir Garcia dos Santos, falou sobre as ações pastorais da Arquidiocese, e lembrou as ações em prol da Saúde, promovidas pela Igreja Católica ao longo de sua história.

O religioso informou que a Igreja, desde o início de sua história, sempre se preocupou em cuidar da vida e da saúde das pessoas, não se limitando apenas ao exercício de atividades internas. "Até há bem pouco tempo, diziam que lugar de padre era apenas na sacristia. Isso seria negar a ação da Igreja e a ação do Evangelho. A Igreja não se limita a rituais, e, ao longo da história, fundou hospitais e asilos. Jesus Cristo falou para irmos ao mundo inteiro pregar a boa nova, agindo em nome de Deus", disse.

"Nós encontramos na Bíblia a palavra da Igreja preocupada em atender às pessoas carentes. Os apóstolos também se viam obrigados a acolher os sofredores. No Evangelho, está escrito que os apóstolos tomaram a decisão de escolher sete homens de comprovada idoneidade, e os colocaram como aqueles que iriam acudir os necessitados", recordou.

“Vemos aí que, já no início da Igreja, existia uma preocupação em não só em falar e cultuar a Deus, mas também de promover a vida e o bem-estar da pessoa humana. Quase todos os milagres realizados por Jesus foram ações na Saúde", afirmou.

O padre lembrou ainda a criação da Vila São Cotolengo e da Colônia Santa Marta, notórios exemplos de iniciativas da Igreja para a promoção da saúde em Goiás, bem como as ações da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) no Setor.

Campanha da Fraternidade

Todos os anos, durante o período quaresma, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza a Campanha da Fraternidade, que tem por objetivo despertar a solidariedade de seus fiéis e de toda a sociedade em relação a um problema concreto, que envolva toda a Nação, buscando uma solução para o mesmo.

Para o ano de 2012, a CNBB sugeriu o tema "Fraternidade e Saúde Pública", com o lema "Que a saúde se difunda sobre a terra".

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