Rio + 20
Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, o deputado Wagner Siqueira (PMDB) participou, na tarde desta sexta-feira, 13, do Seminário “Rio + 20: Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável”, realizado no auditório da Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás (Acieg). Ministrado pela coordenadora do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Denise Hamú, o evento foi promovido pela Fundação Ulisses Guimarães (FUG), em parceria com a Acieg.
Antes da abertura do seminário, Wagner Siqueira (PMDB) comentou, em entrevista à imprensa, que a Assembleia pode participar desse esforço empreendido pela preservação ambiental com a elaboração de leis e a realização de discussões em torno de assuntos como ICMS Ecológico, Coleta Seletiva e o incentivo ao aumento do consumo de materiais recicláveis como plástico e papel. “Dentro de 20 a 40 anos, seremos 2 bilhões de pessoas a mais. Se o ser humano não aprender a cuidar do planeta, não terá como sobreviver”, afirmou.
Para o parlamentar peemedebista, além de medidas adotadas no âmbito dos governos, a questão ambiental depende também das ações individuais de cada um, como reaproveitamento da água da chuva e o consumo de materiais reclicláveis. Deixar espaços permeáveis para escoamento da água nos quintais e calçadas das residências também é um tipo de ação que, segundo ele, é importante para o meio ambiente e pode ser adotada por qualquer um.
A presidente da Acieg, Helenir Queiroz, defendeu a relação preservação ambiental e desenvolvimento econômico. “Economia sustentável pressupõe gerar renda e emprego a partir do meio ambiente”, definiu ela. A produção de biocombustíveis e a reciclagem de materiais é um exemplo de como, segundo ela, a iniciativa privada pode participar de uma economia sustentável. Um exemplo da preocupação ambiental dos empresários goianos que ela destaca é a parceria que a Acieg desenvolve com a prefeitura de Goiânia para a instalação de 200 pontos de coleta de materiais recicláveis na Capital.
Para Helenir, Goiás tem avançado muito nessa questão. “Temos natural vocação para a preservação ambiental, como mostram os parques de Goiânia e a preocupação com a manutenção dos lençóis freáticos e a preservação das árvores”.
Em seu pronunciamento, Denise Hamú afirmou que no Rio + 20, a ser realizado em junho, no Rio de Janeiro, serão avaliados os progressos conquistados nas últimas duas décadas desde a realização da Eco92, também na capital fluminense. “O objetivo é renovar o compromisso político em torno da sustentabilidade. Será avaliado o progresso alcançado nestes últimos 20 anos”, disse ela, em sua explanação. A coordenadora do PNUMA adiantou que a emissão de gases de efeito estufa continua aumentando no mundo, assim como a temperatura global. Mas salienta que alguns progressos foram conquistados. “Os processos de produção estão se tornando mais eficientes e o setor privado está cada vez mais adotando padrões de gestão ambiental”, explicou.
Denise informou ainda que, nestes últimos 20 anos, 300 milhões de hectares de florestas foram arrancados no mundo, mas o Brasil se destaca como o país que detém 80% das áreas protegidas do planeta. “Também estão ocorrendo altos índices de reflorestamento em países europeus”, afirmou.
Prefeitura
No período da manhã, Wagner Siqueira participou de visita ao prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), com Denise Hamú. Durante a visita, foram expostos os principais aspectos da Conferência das Nações Unidas e entregue à representante da Organização um portfólio dos parques de Goiânia, com o propósito de fazê-la conhecer as ações realizadas na Capital em favor do meio ambiente. Denise é também uma das representantes da Conferência Rio + 20, que será realizada no Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 22 de junho.
Denise Hamú, antes de ingressar no Pnuma, foi secretária-geral da ONG Ambiental WWF-Brasil por oito anos. Ela trabalhou no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência e Tecnologia; e no Ministério do Meio Ambiente, atuando no planejamento e negociação de programas nacionais, regionais e internacionais, incluindo o Programa da Política Nacional do Meio Ambiente e o Programa para o Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazônia Legal (Proecotur).
Denise também representou o Brasil em fóruns ambientais internacionais, inclusive no Tratado de Cooperação Amazônica. Além disso, ela conquistou uma posição de destaque no cenário internacional de meio ambiente e desenvolvimento ao presidir a Comissão de Educação e Comunicação da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), de 2000 a 2006.