Deputados repercutem disposição de Marconi em quebrar sigilo bancário
Deputados estaduais consideraram positiva a iniciativa do governador Marconi Perillo em autorizar os líderes do PSDB na Câmara e no Senado a propor à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do caso Cachoeira a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.
O governador Marconi Perillo anunciou hoje à tarde essa disposição, durante entrevista coletiva no Palácio das Esmeraldas. Ontem, durante depoimento de oito horas na CPMI, ao ser inquirido pelo relator Odair Cunha (PT-MG) sobre se autorizava a quebra dos sigilos, o Governador respondeu que deixava a decisão para ser votada pelos parlamentares que compõem a Comissão.
A decisão de Marconi ocorreu logo depois de ser informado que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), aceitou quebrar os seus sigilos fiscal e bancário, durante o depoimento que prestou hoje à CPMI. “Assim como o governador do DF, eu também não temo tornar públicas as minhas movimentações fiscal e bancária”, declarou. Marconi aproveitou para esclarecer que mantém contas bancárias em quatro instituições financeiras, mas que só movimenta uma delas, a da Caixa Econômica Federal (CEF).
A decisão ou não da quebra dos sigilos de Marconi e Agnelo será tomada através de votação pelos membros da CPMI. Os requerimentos serão levados à votação do Plenário na sessão de amanhã da Comissão.
Na entrevista que concedeu nos jardins do Palácio das Esmeraldas, o Governador disse ter cumprido o seu dever. “Defendi minha honra e os goianos.” Marconi avaliou que ao discorrer, na sessão de ontem da CPMI, sobre as potencialidades de Goiás e as conquistas de seu governo, ele aproveitou uma rede nacional de emissoras de rádio e televisão e de jornais e revistas para divulgar o Estado e abrir as portas de Goiás para novos investimentos. Ele considerou também ter prestado um serviço à CPMI, ao insistir no alerta sobre as ligações de governos com empreiteiros.
O Governador lembrou que expôs o rigor com que Goiás define as empreiteiras que trabalham para o Estado, tendo, inclusive, aberto os contratos de obras públicas de Goiás para auditorias e outras investigações. Para ele, o Brasil será passado a limpo quando a relação do Poder Público com as empreiteiras for investigada a fundo. “Esta CPMI está apenas começando. Ela precisa ir fundo na quebra do sigilo das empreiteiras”, declarou. Pela primeira vez, o Governador falou abertamente sobre o envolvimento de pessoas de oposição ao PT nas escutas telefônicas da Polícia Federal.
“Meu objetivo agora é uma atuação máxima no governo, de onde não me afastei em nenhum momento durante este processo”, disse o Governador.
Pareceres positivos
Entrevistados na tarde desta quarta-feira, 13, deputados da Casa de Leis goiana manifestaram sua avaliação sobre a iniciativa do governador Marconi Perillo de autorizar a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico pela CPMI que investiga contravenções relacionadas ao empresário Carlos Cachoeira.
Para o deputado petista Humberto Aidar, a iniciativa do governador Marconi Perillo de autorizar a quebra de seu sigilo telefônico e bancário foi politicamente correta. "Acho que é uma iniciativa acertada, partindo do pressuposto de que quem não deve, não teme. E não vejo nenhuma dificuldade nisso", completou Aidar.
O parlamentar acredita que a CPMI, que transcorre no Congresso Nacional com integrantes do Senado e da Câmara dos Deputados, vai "terminar em pizza" assim que a Justiça decretar que todas as escutas, no caso Cachoeira, forem ilegais.
O deputado Carlos Antonio (PSC) disse que a atitude do Governador de autorizar a quebra de seus sigilos foi muito importante para acabar de vez com qualquer dúvida que possa ter ficado após seu depoimento. “Essa questão foi a única coisa que poderia ainda levantar questionamentos a respeito da inocência de Marconi Perillo. Com a autorização para a quebra dos sigilos, não fica nada mais a ser esclarecido”, disse.
Daniel Messac (PSDB), por sua vez, afirmou que, apesar de o Governador ser apenas testemunha na CPMI, a sua atitude em relação à abertura da quebra de sigilos é uma demonstração clara de que quer colaborar. “Primeiramente, não existe nenhum motivo relevante para isso, mesmo porque o Governador é uma testemunha e não um réu. Contudo, acredito que, no intuito de cooperar com as investigações, ele o faz para definitivamente sanar qualquer dúvida a seu respeito.”
O deputado Tulio Isac (PSDB) avaliou a iniciativa de Marconi como um ato de coragem e que, agora, seus adversários políticos não mais dispõem de qualquer argumento para atacá-lo. “O Governador serrou o último pé do palanque da oposição. Eles não têm mais o que falar”, afirmou.
Tulio frisou que o Chefe do Executivo goiano colocou por terra todos os argumentos que a oposição vinha utilizando para atingi-lo: a venda da casa, o envolvimento de auxiliares do Governo, os telefonemas e, agora, a quebra dos sigilos.
Para o deputado Helio de Sousa (DEM), a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico é uma medida extrema, que deve ser adotada quando as provas apresentadas na CPI não forem conclusivas e quando estiverem esgotadas todas as formas de investigação. “É um ato de exceção, que deve ser buscado quando não foi possível sanar as dúvidas no depoimento. Você não deve buscar uma quebra de sigilo sem motivo”, afirmou.
O democrata disse que Marconi se mostrou convincente em seu depoimento na CPMI do Congresso. Segundo o parlamentar, Marconi respondeu a todas as perguntas feitas pelo relator, deputado Odair Cunha (PT-MG). “Ele inclusive entregou ao presidente da CPMI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), documentos que comprovam as suas afirmações”, reforçou Helio de Sousa.