Ícone alego digital Ícone alego digital

Cooperativismo

03 de Julho de 2012 às 17:24
Na tarde desta terça-feira, professor da USP proferiu palestra sobre os desafios legais e de mercado do cooperativismo contemporâneo.

A Assembleia Legislativa promoveu, a partir das 15 horas desta terça-feira, 3, o Fórum Cooperativismo e Legislação Estadual Correlata em Goiás. Na ocasião, o professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), Sigismundo Bialokorski Neto, que discorreu sobre os desafios legais e de mercado no cooperativismo contemporâneo. O encontro teve lugar no Auditório Costa Lima.

A mesa de abertura contou com as presenças das seguintes autoridades: deputado Valcenôr Braz (PTB), presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio; deputado Wagner Siqueira (PMDB), presidente da Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos; o presidente do sistema OCB/Sescoop-GO, Haroldo Max de Sousa; Antonio Chavaglia, presidente da Comigo e conselheiro de Administração do Sescoop/GO.

“Em um mundo onde se formam cada vez mais monopólios e oligopólios, o pequeno e médio produtores não conseguem sobreviver sem o apoio do cooperativismo”, pontuou Waguinho, pouco antes do início da palestra.

Cooperativas

O professor Sigismundo Bialoskorski Neto iniciou sua palestra apresentando um histórico do cooperativismo no Brasil e no mundo. Segundo ele, as políticas públicas (entre elas, o cooperativismo) surgem no século XIX, como uma forma de corrigir as distorções do capitalismo industrial.

”As cooperativas nascem em meados do século XIX, quando imperava o liberalismo da Escola Clássica de economia. Naquela época, o aumento da atividade industrial provoca o surgimento de uma grande massa de trabalhadores, o que originou graves problemas sociais, tais como: desemprego, concentração de renda e exploração do homem pelo capital. Em comparação com o início do século XXI, verificamos que os mesmos problemas ainda subsistem, desta vez sob a economia neoliberal”, disse.

O especialista explicou que as cooperativas são organizações sociais da economia que substituem ou agregam funções públicas do Estado. Atualmente, existem cooperativas especializadas em áreas tão diversas quanto saúde, agropecuária, educação e crédito.

Números

O professor da USP também apresentou os dados do cooperativismo no Brasil, que decresceu em número de organizações, devido à realização de fusões, e que hoje apresenta um baixo crescimento do número de associados.

“O Brasil possui cerca de 6.600 cooperativas. Os municípios onde as cooperativas se fazem presentes são quase sempre os mais desenvolvidos. A dimensão nacional média de associados por cooperativa é de 1.300 pessoas por cooperativa. Em Goiás, apenas 4% dos estabelecimentos rurais receberiam receita proveniente de cooperativas, e a média é de 500 associados por cooperativa. Contudo, o Estado ainda apresenta bastante espaço para crescer”, avaliou o professor, que também observou que o associado costuma apresentar um nível de receita média superior à média dos demais trabalhadores.

Cooperativas e desenvolvimento

Em seguida, Sigismundo falou sobre a necessidade do estabelecimento de uma maior organização funcional das cooperativas brasileiras, o que exigiria maior organização interna e melhoria do ambiente institucional das mesmas. Ele elencou alguns dos problemas mais recorrentes verificados em cooperativas de todo o País.

“A estrutura financeira das cooperativas brasileiras é muito rígida, a distribuição dos direitos de propriedade não incentiva a participação e a capitalização, e a estrutura de decisão geralmente apresenta pouca agilidade e altos custos”, disse.

O palestrante também apresentou sugestões de mudanças nos ambientes interno e externo às cooperativas. “Existem várias estratégias, como o estabelecimento de redes e macroestruturas que possam representar os cooperados de forma mais eficiente. As inovações sugeridas, em termos de estabelecimento de estratégias, também podem incluir a realização de alianças estratégicas entre subsidiários e  propriedade pública parcial e de planos de base de capital”, explicou.

O especialista encerrou sua exposição afirmando que o Brasil apresenta problemas persistentes, como entendimento limitado da organização cooperativa, problemas de legislação inflexível e falta de entendimento da dimensão do capital. Segundo ele, não há economia social forte sem a existência de um cooperativismo forte, economicamente eficiente e ético.

“Um dos nossos principais desafios é ter um arcabouço legal para o cooperativismo. Nós só teremos uma sociedade desenvolvida se tivermos geração e distribuição de renda. Também precisamos ter a consciência de que devemos promover um debate econômico sobre a capitalização das cooperativas, propondo modificações na legislação que façam com que o cooperativismo tenha acesso ao capital."

Compartilhar

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse nossa política de privacidade. Se você concorda, clique em ESTOU CIENTE.