Resposta
O presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, deputado Jardel Sebba (PSDB), disse que o líder do PT na Câmara, deputado federal Jilmar Tatto (SP), excedeu-se ao "sugerir" aos parlamentares goianos que se reúnam para discutir o impeachment do governador Marconi Perillo (PSDB) em função de supostas ligações com o contraventor Carlos Cachoeira, preso pela Polícia Federal.
Jardel afirma que a tentativa do líder do PT de pautar os debates na Assembleia Legislativa é a prova de que o partido do ex-presidente Lula esforça-se para enfraquecer o governador de Goiás às custas de denúncias que, segundo o tucano, são "requentadas, inverídicas e infundadas".
O presidente do Poder Legislativo goiano lembra que desde o final do mês de abril funciona, na Assembleia, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a ligação de políticos e do poder público com a Delta, uma das empresas que pertenciam ao esquema operado por Cachoeira. Esta CPI, de acordo com Jardel, não encontrou até agora elementos que comprovem quaisquer ligações de Marconi com o contraventor.
"Ao dizer como devemos conduzir as nossas atividades na Assembleia, o líder do PT na Câmara parece desmerecer o esforço dos deputados que fazem parte da CPI. Além disso, desqualifica o nosso trabalho", rebate Jardel. "Não posso permitir que o parlamentar tente interferir dessa maneira no poder Legislativo goiano, que é soberano."
O deputado do PSDB enxerga também, na investida de Jilmar Tatto sobre o governador de Goiás, uma tentativa de tirar o foco do julgamento do mensalão, a se iniciar no Supremo Tribunal Federal (STF) mês de agosto. O julgamento decidirá o destino de 38 réus acusados de participar de um esquema de pagamento de propina durante o governo do ex-presidente Lula — entre eles o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, o empresário Marcos Valério e o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.
Por meio de nota, Marconi já negou vínculos com a Delta e Carlos Cachoeira. O governador classificou de "infame e desleal" a reportagem da revista "Época" que o associa à empreiteira e ao contraventor.