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CPI quebra sigilos da Delta e ouve o depoimento do coronel Katayama

16 de Agosto de 2012 às 13:05
Crédito: Marcos Kennedy
CPI quebra sigilos da Delta e ouve o depoimento do coronel Katayama
Coronel Sérgio Katayana depõe na CPI
Comissão também aprovou na reunião desta quinta-feira, 16, a convocação e quebra de sigilos do vereador Agenor Mariano, ex-secretário de Iris Rezende e que tinha controle sobre contratos da Prefeitura de Goiânia entre 2005 e 2008, incluindo os firmados com a Delta. Coronel da PM Sérgio Katayama, citado na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, prestou depoimento.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia, que investiga possível ligação de autoridades goianas com a contravenção e ainda a atuação das empresas Delta e Gerplan no Estado, realizou, na manhã desta quinta-feira, 16, sua 15ª reunião. Na oportunidade foi ouvido o  coronel da PM Sérgio Katayama. A oitiva do delegado de polícia Natal de Castro não aconteceu.

Participaram da reunião os deputados-membros da CPI: presidente, Helio de Sousa (DEM), o vice-presidente, Mauro Rubem (PT), o relator, Talles Barreto (PTB), e Tulio Isac (PSDB) e Daniel Vilela (PMDB).

Em meio a intenso debate, os membros da CPI votaram vários requerimentos e aprovaram, por unanimidade, de autoria de Talles Barreto e Tulio Isac, a intimação do empresário Esupério Sebastião de Campos Aguilar, proprietário da empresa Bio Ambiental e Saneamento, para depor na Comissão.

De autoria também de Talles e Tulio, foram aprovados os requerimentos para que sejam convidados a depor na CPI, o vereador Agenor Mariano (PMDB) e o promotor de justiça Élvio Vicente da Silva, de Aparecida de Goiânia. Agenor foi secretário de Administração e Recursos Humanos da Prefeitura de Goiânia entre 2005 e 2008, na gestão de Iris Rezende (PMDB).

Os deputados da oposição, Daniel Vilela e Mauro Rubem, cobraram os motivos da convocação de Agenor. Tulio Isac e Talles Barreto lembraram que Agenor tinha conhecimento de todos os contratos da Prefeitura, incluindo os firmados com a Delta. Em um desses contratos, no valor de mais de R$ 50 milhões, houve dispensa de licitação. Talles disse que é importante ouvir o ex-secretário sobre essa questão.

Também foi aprovado o pedido para que a CPI tenha acesso aos dados bancário, fiscal e telefônico de Agenor Mariano; da Delta Construções, em relação a transações realizadas em Goiás; e de Cairo Alberto de Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito Paulo Garcia (PT).

Foram aprovados pedidos de solicitação de cópias de pagamentos realizados à empresa Qualix no ano de 2010 pela Prefeitura de Goiânia e para que sejam solicitados à Justiça Federal os números telefônicos utilizados pelos membros do grupo do contraventor Carlos Cachoeira, em especial, os da marca Nextel.

Membros da CPI apresentaram, durante a 15ª reunião, novo requerimento para complementar o trabalho da Comissão. Talles Barreto e Tulio Isac apresentaram a solicitação para o comparecimento à CPI do juiz federal Alderico Rocha Santos, responsável pelo processo da Operação Monte Carlo na Justiça Federal, que culminou na prisão do contraventor Carlos Cachoeira em fevereiro. Santos é o juiz que afirmou ter sido chantageado por Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira.

Depoimento


O presidente Helio de Sousa informou que Ozenir Pereira Soares está dispensada de depor na CPI, como havia sido decidido anteriormente pelos deputados-membros. A decisão foi aprovada por unanimidade pelos membros da Comissão.

O depoimento de Sérgio Katayama teve início às 11h10. Os parlamentares concordaram que o segundo depoente previsto para o dia, o delegado Natal de Castro, fosse dispensado. Eles entenderam de forma unânime que Castro, pelo fato de estar aposentado há mais de dez anos, não teria maiores esclarecimentos a fazer sobre o objeto da CPI.

Sérgio Katayama foi comandante do Policiamento Militar em Goiânia, se afastou da função por ter sido citado na Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal contra suspeitos de explorar jogos caça-níqueis em Goiás.

Em suas declarações iniciais, Sérgio Katayama esclareceu que veio à CPI para depor na condição de testemunha, mas mesmo assim se sentia constrangido pelo fato de não existir motivo para estar nesta situação. Ele informou que tem 27 anos dedicados à corporação e que ficou surpreso com o envolvimento de seu nome na operação Monte Carlo. "Deixo meus sigilos fiscal, bancário e telefônico à disposição de quem estiver interessado, assim como fiz na Polícia Federal."

Respondendo a questionamento de Talles Barreto, o coronel esclareceu que durante o período em que foi comandante-geral da corporação em Goiânia, o combate a crimes mais graves, como roubos e homicídios, era prioritário em relação às ações contra casas de jogos ilegais. Segundo ele, essa era uma diretriz estabelecida no topo mais alto da hierarquia da PM, representados pelo Governador e pelo secretário de Segurança Pública.

Informou que conhecia um "Ananias", que trabalhou no quartel em Anápolis como comissionado na área da odontologia e que este era, constantemente, visto no quartel em Anápolis, relacionando-se com os demais que frequentavam o local.

O coronel informou também que esse Ananias já comprou semente de capim para ser utilizada em chácara de sua propriedade. Segundo Katayama, ele é bastante conhecido de empresários do município e conseguia bons descontos.

Katayama esclareceu que esteve várias vezes na construtora Delta porque esta era responsável pela locação das viaturas da PM, além de outros projetos que estavam em andamento. Ele ressaltou que nunca recebeu nenhuma proposta ilegal da empresa.

Katayma informou que recebeu um rádio nextel de Cláudio Abreu, diretor da construtora Delta, para facilitar a comunicação entre a empresa e a polícia quando fossem tratados assuntos relacionados aos projetos desenvolvidos entre as duas partes.

Afirmou que, como comandante da PM, fez uma das maiores apreensões de máquinas caça-níqueis em Goiás. Katayama negou vários questionamentos do deputado Mauro Rubem baseados em informações levantadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. O militar afirmou, porém, que existe espaço para promoção política na Polícia Militar, mas atribui sua própria promoção ao trabalho que desenvolveu na corporação.

O coronel admitiu que conversou com Carlinhos Cachoeira por meio do rádio Nextel, recebido de Cláudio Abreu, mas para tratar de assuntos rotineiros. “Ele (Cachoeira) gosta de ser bem informado e, por isso, me procurava para saber notícias corriqueiras.”

Katayama disse que não se lembra em que ano recebeu esse rádio e que não sabia que o aparelho era habilitado nos Estados Unidos. Ele confirmou questionamento apresentado por Mauro Rubem de que o aparelho fazia parte do contrato firmado pela Polícia Militar com a construtora Delta. Katayama esclareceu ainda que não tinha relações com Carlos Cachoeira e sim com a empresa.

Afirmou também que o Ministério Público faz o controle da PM por meio de requerimentos e acompanhamento de operações. Ele informou ainda que desconhecia que Carlos Cachoeira depôs na CPI dos Bingos, criada pelo Congresso Nacional.

Katayama informou desconhecer a existência de grupos de extermínio na PM e que não sabe quem são os chefes dos bingos que atuam em Goiás. Disse que poderia ter chamado Cachoeira de “chefe” ao telefone celular porque esta é uma expressão corriqueira no linguajar do brasileiro.

Em reposta a questionamentos de Mauro Rubem, o depoente deu vários esclarecimentos sobre o funcionamento da Polícia Militar no Estado.

Findo o depoimento de Sérgio Katayama, o presidente Helio de Sousa encerrou a sessão, marcando a próxima reunião para terça-feira, 21, com início às 8 horas.

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