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CPI vai ouvir o prefeito de Águas Lindas e mais dois delegados, nesta terça, 21

17 de Agosto de 2012 às 16:32
Crédito: Y. Maeda
CPI vai ouvir o prefeito de Águas Lindas e mais dois delegados, nesta terça, 21
Tomada de depoimentos e votação de requerimentos
A CPI vai colher os depoimentos do prefeito de Águas Lindas, Geraldo Messias, e dos delegados de polícia André Soares Veloso e Leandro Pinheiro F. Pereira, na reunião desta terça-feira, 21, às 8 horas, no Auditório Solon Amaral. Também deverá ser votado o requerimento que convida o juiz federal Alderico Rocha Santos para detalhar informações sobre as investigações.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga possível ligação de autoridades goianas com a contravenção e ainda a atuação das empresas Delta e Gerplan no Estado, divulgou na tarde da sexta-feira, 17, a pauta de atividades da reunião desta terça-feira, 21. A sessão será realizada às 8 horas, no Auditório Solon Amaral da Assembleia Legislativa.

Os deputados-membros deverão colher três depoimentos durante a reunião. Estão agendadas as oitivas do prefeito de Águas Lindas, Geraldo Messias; e dos delegados de polícia André Soares Veloso e Leandro Pinheiro F. Pereira. As convocações foram feitas por meio de requerimento de autoria de Mauro Rubem (PT) e Daniel Vilela (PMDB).

Também deverá ser apreciado pelos deputados requerimento de autoria do deputado Talles Barreto (PTB), que convida o juiz federal Alderico Rocha Santos para detalhar informações sobre as investigações. O magistrado teria sido alvo de tentativa de chantagem por parte da esposa do empresário Carlos Cachoeira, Andressa Mendonça. Veja aqui a pauta prévia.

Última sessão

A CPI realizou, na manhã de quinta-feira, 16, sua 15ª reunião. Na oportunidade, foi ouvido o coronel da PM, Sérgio Katayama. A oitiva do delegado de polícia Natal de Castro não aconteceu.

Participaram da reunião os deputados-membros da CPI: presidente, Helio de Sousa (DEM); o vice-presidente, Mauro Rubem (PT); o relator, Talles Barreto (PTB); e Tulio Isac (PSDB) e Daniel Vilela (PMDB).

Em meio a intenso debate, os membros da CPI votaram vários requerimentos e aprovaram, por unanimidade, o de autoria de Talles Barreto e Tulio Isac, que intima o empresário Esupério Sebastião de Campos Aguilar, proprietário da empresa Bio Ambiental e Saneamento, para depor na Comissão.

De autoria também de Talles e Tulio, foram aprovados os requerimentos para que sejam convidados a depor na CPI o vereador Agenor Mariano (PMDB) e o promotor de justiça Élvio Vicente da Silva, de Aparecida de Goiânia. Agenor foi secretário de Administração e Recursos Humanos da Prefeitura de Goiânia entre 2005 e 2008, na gestão de Iris Rezende (PMDB).

Os deputados da oposição Daniel Vilela e Mauro Rubem cobraram os motivos da convocação de Agenor. Tulio Isac e Talles Barreto lembraram que Agenor tinha conhecimento de todos os contratos da Prefeitura, incluindo os firmados com a Delta. Em um desses contratos, no valor de mais de R$ 50 milhões, houve dispensa de licitação. Talles disse que é importante ouvir o ex-secretário sobre essa questão.

Também foi aprovado o pedido para que a CPI tenha acesso aos dados bancário, fiscal e telefônico de Agenor Mariano, da Delta Construções, em relação a transações realizadas em Goiás; e de Cairo Alberto de Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito Paulo Garcia (PT).

Foram aprovados pedidos de solicitação de cópias de pagamentos realizados à empresa Qualix, no ano de 2010, pela Prefeitura de Goiânia, e os números telefônicos utilizados pelos membros do grupo do contraventor Carlos Cachoeira, em especial, os da marca Nextel.

Membros da CPI apresentaram, durante a 15ª reunião, novo requerimento para complementar o trabalho da Comissão. Talles Barreto e Tulio Isac apresentaram a solicitação para o comparecimento à CPI do juiz federal Alderico Rocha Santos, responsável pelo processo da Operação Monte Carlo na Justiça Federal, que culminou na prisão do contraventor Carlos Cachoeira, em fevereiro. Santos é o juiz que afirmou ter sido chantageado por Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira.

Depoimento

O presidente Helio de Sousa informou que Ozenir Pereira Soares está dispensada de depor na CPI, como havia sido decidido anteriormente pelos deputados-membros. A decisão foi aprovada por unanimidade pelos membros da Comissão.

O depoimento de Sérgio Katayama teve início às 11h10. Os parlamentares concordaram que o segundo depoente previsto para o dia, o delegado Natal de Castro, fosse dispensado. Eles entenderam de forma unânime que Castro, pelo fato de estar aposentado há mais de dez anos, não teria maiores esclarecimentos a fazer sobre o objeto da CPI.

Sérgio Katayama foi comandante do Policiamento Militar em Goiânia, afastou-se da função por ter sido citado na Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal contra suspeitos de explorar jogos caça-níqueis em Goiás.

Em suas declarações iniciais, Sérgio Katayama esclareceu que veio à CPI para depor na condição de testemunha, mas mesmo assim se sentia constrangido pelo fato de não existir motivo para estar nesta situação. Ele informou que tem 27 anos dedicados à corporação e que ficou surpreso com o envolvimento de seu nome na Operação Monte Carlo. "Deixo meus sigilos fiscal, bancário e telefônico à disposição de quem estiver interessado, assim como fiz na Polícia Federal."

Respondendo a questionamento de Talles Barreto, o coronel esclareceu que, durante o período em que foi comandante-geral da corporação em Goiânia, o combate a crimes mais graves, como roubos e homicídios, era prioritário em relação às ações contra casas de jogos ilegais. Segundo ele, essa era uma diretriz estabelecida no topo da hierarquia da PM, representado pelo Governador e pelo secretário de Segurança Pública.

O coronel informou que conhecia um "Ananias", que trabalhou no quartel em Anápolis como comissionado na área da odontologia, e que este era constantemente visto no quartel em Anápolis, relacionando-se com os demais que frequentavam o local.

O coronel informou também que esse Ananias já comprou semente de capim para ser utilizada em chácara de sua propriedade. Segundo Katayama, ele é bastante conhecido por empresários do município e conseguia bons descontos.

Katayama esclareceu que esteve várias vezes na construtora Delta porque esta era responsável pela locação das viaturas da PM, além de outros projetos que estavam em andamento. Ele ressaltou que nunca recebeu nenhuma proposta ilegal da empresa.

Katayma informou que recebeu um rádio Nextel de Cláudio Abreu, diretor da construtora Delta, para facilitar a comunicação entre a empresa e a polícia quando fossem tratados assuntos relacionados aos projetos desenvolvidos entre as duas partes.

Ele afirmou que, como comandante da PM, fez uma das maiores apreensões de máquinas caça-níqueis em Goiás. Katayama negou vários questionamentos do deputado Mauro Rubem baseados em informações levantadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. O militar afirmou, porém, que existe espaço para promoção política na Polícia Militar, mas atribui sua própria promoção ao trabalho que desenvolveu na corporação.

O coronel admitiu que conversou com Carlos Cachoeira por meio do rádio Nextel, recebido de Cláudio Abreu, mas para tratar de assuntos rotineiros. “Ele (Cachoeira) gosta de ser bem informado e, por isso, me procurava para saber notícias corriqueiras.”

Katayama disse que não se lembra em que ano recebeu esse rádio e que não sabia que o aparelho era habilitado nos Estados Unidos. Ele confirmou questionamento apresentado por Mauro Rubem de que o aparelho fazia parte do contrato firmado pela Polícia Militar com a construtora Delta. Katayama esclareceu ainda que não tinha relações com Carlos Cachoeira e sim com a empresa.

Ele afirmou também que o Ministério Público faz o controle da PM por meio de requerimentos e acompanhamento de operações. Ele informou ainda que desconhecia que Carlos Cachoeira depôs na CPI dos Bingos, criada pelo Congresso Nacional.

Katayama informou desconhecer a existência de grupos de extermínio na PM e que não sabe quem são os chefes dos bingos que atuam em Goiás. Ele disse que poderia ter chamado Cachoeira de “chefe” ao telefone celular, porque esta é uma expressão corriqueira no linguajar do brasileiro.

Em reposta a questionamentos de Mauro Rubem, o depoente deu vários esclarecimentos sobre o funcionamento da Polícia Militar no Estado.

Findo o depoimento de Sérgio Katayama, o presidente Helio de Sousa encerrou a sessão, marcando a próxima reunião para terça-feira, 21, com início às 8 horas.

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