Ambulatório em debate
O Auditório Solon Amaral da Assembleia Legislativa reuniu na manhã desta quinta-feira, 8, lideranças e representantes ligados à saúde e movimentos sociais, a fim de debaterem a transferência do Ambulatório Geral do Hospital de Doenças Tropicais (HDT) para o Condomínio Solidariedade.
A iniciativa partiu da deputada Isaura Lemos (PC do B), em parceria com o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação participativa, Mauro Rubem (PT).
Debateram o tema, além dos parlamentares: o superintendente- geral do Instituto Sócrates Guanaes, André Guanes; representante da Secretaria Estadual de Saúde, Maria Martins Brito; o diretor-geral do Hospital de Doenças Tropicais, Boaventura Braz de Queiroz; a presidente do Sindisaúde, Maria de Fátima Veloso Cunha; e representando o Ministério Público Estadual, o promotor de justiça Maurício Alexandre Gebrim.
Boaventura defendeu que a transferência do ambulatório não irá solucionar os problemas do HDT, e sim promover a ampliação da instituição. “Já houve períodos em que era inviável receber mais pacientes, pois a emergência estava lotada, não havia medicamentos e os leitos estavam todos ocupados”, explicou.
Para o médico André Guanaes, a transferência do ambulatório geral do HDT para o Condomínio Solidariedade resultará em ganhos de grande importância para os pacientes portadores do HIV.
“Meu compromisso é com o paciente. A transferência do ambulatório vai garantir integralidade para o paciente e vai mudar a situação em que a emergência do HDT está, que é em estado crítico”, considera.
O promotor de justiça e representante do Ministério Público, Maurício Alexandre Gebrim, elogiou a iniciativa da audiência pública. “O diálogo proporciona a resolução de um problema, visto que o que está acontecendo na instituição é um fator grave, que infringe o direito à saúde assegurada ao cidadão”, disse.
Segundo o promotor, é necessária a humanização do Sistema Único de Saúde (SUS) para promover a saúde e não apenas o tratamento contra a doença.
A presidente do Sindsaúde, Maria de Fátima Veloso Cunha, relatou a sua opinião contrária à transferência do ambulatório geral. Segundo ela, a transferência não irá solucionar o problema da instituição.
“O nosso maior enfrentamento é pelo atendimento ao usuário. Com a transferência dos ambulatórios, vamos ter apenas os consultórios liberados. Porém, os leitos continuarão sem atender a demanda da população”, disse a sindicalista.
Maria Cecília Martins Brito, da Secretaria de Saúde, fez algumas considerações. Para ela, a transferência não vai só mudar a situação do ambulatório, mas também da emergência. De acordo com Maria Cecília, o Condomínio Solidariedade recebe incentivo do Ministério da Saúde e tem característica de assistência social. “Lá temos um grande espaço, precisamos apenas implementar algumas atividades que, em parceria com as OSs, entendemos que pode ser uma boa proposta”, considera.
Os vereadores pela cidade de Goiânia, Tatiana Lemos (PC do B) e Fábio Tokarski (PC do B), também participaram do evento.
Tatiana Lemos revelou que irá levar a discussão à Câmara Municipal, buscando solucionar o problema. “Vamos ampliar a questão e averiguar em que o município poderá ajudar na melhoria do HDT”, disse.
Fábio Tokarski elogiou a iniciativa da audiência pública idealizada pelos parlamentares Mauro Rubem (PT) e Isaura Lemos (PC do B). “Com iniciativas como essa é que podemos atingir um denominador comum, e resolver os problemas que acontecem na sociedade”.
Após explanação dos componentes da mesa, foi aberto espaço para interação entre os participantes da audiência, entre eles: a Vigilância Sanitária do Estado e da Prefeitura de Goiânia; Associação do Grupo Aids; Associação da Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis) de Goiânia; Centro de Valorização da Mulher (Cevam); Grupo Pela Vidda, entre outros.
Encerrando o evento, Isaura considerou que o importante é permanecer o trabalho de fiscalização. “Esse espaço de diálogo e discussão tem que ser mantido para que não seja passado um
trator em cima de tudo o que foi conquistado até hoje”, pontuou.
“Sou contra a terceirização do SUS e compreendo que tendo sido aberto esse espaço, através do Governo Federal, devemos lutar contra e, ao mesmo tempo, lutar para que as ações sejam monitoradas e que haja menos prejuízo possível”, considera.
Isaura se comprometeu em lutar junto ao Ministério Público para acelerar o processo de ampliação e reforma do HDT. Também anunciou que fará parte do fórum contra a terceirização da saúde,
além de continuar com os debates na Casa, e ressaltou que a participação da sociedade é imprescindível para alcançar resultado.
Em suas considerações finais, o promotor de justiça Maurício Alexandre Gebrim se comprometeu a realizar todas as ações necessárias para averiguar o funcionamento do Hospital de Doenças Tropicais. "Estarei levando ao procurador-geral do Estado todas as
pontuações realizadas na audiência e me disponho a ajudar no que for necessário, buscando a melhoria do atendimento aos pacientes do HDT”, concluiu.
O diretor-geral do HDT, Boaventura Braz de Queiroz, agradeceu o convite e disse que irá continuar buscando benefícios para o bom funcionamento da instituição.