Eutanásia é tema do programa Opinião que vai ao ar hoje na TV Assembleia
O programa Opinião, da TV Assembleia, que vai ao ar nesta quarta-feira, 5, aborda tema polêmico e em discussão na atualidade - a eutanásia. Debateram o assunto o médico presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), Salomão Rodrigues, e o presidente do Conselho de Psicologia de Goiás e Tocantins, Wadson Arantes. A conversa foi mediada pela jornalista Luciana Martins.
Eutanásia é a prática de abreviar a vida do paciente, ou seja, antecipar a morte do doente incurável, sem que este sinta qualquer tipo de dor ou sofrimento, através de medicamento letal. A ação é praticada por um médico com o consentimento do doente ou da sua família.
Esse assunto tem sido muito discutido tanto na questão da bioética, quanto na questão do biodireito. No Brasil a eutanásia é considerada homicídio, crime; já na Holanda e Dinamarca, por exemplo, é permitida por lei. Em outros países, como Espanha, o assunto está em discussão.
Durante o programa, o médico Salomão Rodrigues lembrou o juramento de Hiprócrates, que diz: “A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal, nem um conselho que induza a perda”.
Para Salomão, o médico não pode, por sua ação, antecipar a morte do paciente, mas sim tratá-lo até o final.
O psicólogo Wadson citou o filme espanhol Mar Adentro, que relata a história de um marinheiro que ficou tetraplégico após um acidente de mergulho e, depois de sua invencível luta na justiça pelo direito de acabar com a própria vida através da eutanásia, acaba cometendo o suicídio assistido.
“É uma situação delicada. É preciso analisar cada caso, avaliar a capacidade de julgar e discernir do paciente e, se este não estiver em condições, daí deve haver alguém que possa responder por ele”, considera o psicólogo. Para ele, é preciso perceber a situação com o coração, e a vontade da pessoa deve ser considerada.
Paralela com a eutanásia está a ortotanásia, que é o não prolongamento artificial da vida sem perspectiva de melhora da condição clínica. Significa não intervir no processo natural de morte, apenas cuidar da pessoa, amenizando seu sofrimento. A prática serviria para evitar a distanásia, que é prolongar o processo de morte, sem perspectiva curativa.
A ortotanásia não induz à morte, como a eutanásia. A morte do papa João Paulo II, em 2005, é um exemplo conhecido da prática. O sumo pontífice afirmou que não desejava mais estender o tratamento e sua vontade foi respeitada.
Esta edição do programa Opinião será exibida no canal 8 da Net e pelo site nesta quarta-feira, 5, às 19 horas e reprisado em horários alternativos na programação da emissora.