Moradores de rua são pauta de discurso de ativista dos Direitos Humanos
A coordenadora da Pastoral de Rua do Vicariato Oeste, Maria Madalena Patrício de Almeida, agraciada com a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira, contou sobre sua defesa aos moradores de rua de Goiânia. Ela recebeu a Comenda na sessão especial em comemoração aos 64 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), realizada na noite desta segunda-feira, 10, no Plenário Getulino Artiaga.
A coordenadora dispensou as formalidades e cumprimentou a todos, na figura do deputado Mauro Rubem (PT), autor da propositura e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. Maria Madalena contou da perda da recente da mãe e dedicou a ela, e ao pai, a medalha e a homenagem recebidas nessa noite.
A coordenadora falou do preconceito com os moradores de rua em Goiânia, afirmando não se tratarem de criminosos nem de pessoas violentas. “Aprendi a ama-los e se a morte for o que me espera quando saio de casa na defesa dessas pessoas que não tem ninguém por eles, então é a morte que eu encararei”, afirmou.
Maria criticou ainda a postura dos Conselhos Tutelares que retiram os filhos das mães moradoras de rua, que, segundo ela, tem o direito de cria-los e de tentar ao menos reconstruir o ambiente familiar que lhes faltam. “Eu mesma ajudo a esconder essas pessoas quando um Conselheiro ou alguém do juizado da Criança e do Adolescente tentam tirá-los das mães”, contou.
“Eu ando, há mais de vinte anos, pelas ruas dessa cidade ajudando essa gente e nunca vi um nível de violência tão grande contra eles, seja dos comerciantes da cidade ou dos policiais e eu não entendo o motivo. Eles não têm armas, quem tem armas são as pessoas que estão aí nas caminhonetes de luxo e nas motos. Deixem-nos viver.”, encerrou Maria Madalena Patrício.