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Tráfico de pessoas

20 de Dezembro de 2012 às 18:29
Deputada Isaura Lemos participa de debate sobre tráfico de pessoas, na TV Assembleia. Programa será exibido às 19 horas de hoje.

A TV Assembleia gravou na segunda-feira, 17, mais uma edição do Programa Opinião, que abordou o tráfico de pessoas. Discutiram sobre o tema a deputada estadual Isaura Lemos (PCdoB); a deputada federal e relatora da CPI do Tráfico de Pessoas, na Câmara Federal, Flávia Morais (PDT); e o procurador da República, Ailton Benedito de Sousa. O programa será exibido nesta quinta-feira, 20, às 19 horas.

Segundo dados de inquéritos apurados pela Polícia Federal, com uma população sete vezes menor que a de São Paulo, o Estado goiano foi responsável, nesta década, por 140 (18,6%) dos 750 casos registrados de tráfico de pessoas em todo o País. Sendo assim, Goiás ocupa a primeira posição do ranking nacional de tráfico de pessoas, atividade que submete suas vítimas a cárcere privado, exploração sexual, consumo de drogas, ameaças, trabalho escravo e venda de órgãos humanos.

Os participantes disseram não concordar e não acreditar na mencionada liderança do Estado. “Temos que desmitificar essa ideia, que se torna um marketing negativo para Goiás. Muitas pessoas são traficadas no Brasil passando por Goiás. Isso acontece porque o Estado é conhecido por ter mulheres bonitas, e também por sua localização geográfica”, informou Ailton.   

Para Isaura, os dados estão relacionados à desigualdade social. “Uma das causas do tráfico é justamente a desigualdade, pois essas jovens que são traficadas estão em busca de uma saída mais fácil e uma vida melhor”, disse.

O procurador ressaltou a importância de contextualizar o assunto dentro de três eixos, o de prevenção, repressão e assistência às vítimas. “O que ocorre é a má liderança dentro do eixo repressão e uma exclusão dos outros dois nos dados da pesquisa. Por isso, está sendo desenvolvido um estudo acadêmico pelo Ministério Público e Universidade Federal de Goiás dentro dos três eixos para diagnosticar e talvez desmitificar Goiás como o grande exportador de pessoas”, informou Ailton.

De acordo com o procurador, essas vítimas estão, em sua grande maioria, em situação de vulnerabilidade, seja social, econômica, política e/ou cultural. Isaura acrescentou que mais de 80% desse público é feminino. “Estamos preocupados porque, com a Copa do Mundo, em 2014, a indústria do turismo pode impulsionar ainda mais a exploração sexual”, disse Isaura.

A deputada Flávia Morais levantou que existem várias vertentes dentro do tráfico de pessoas. “Pode ser a exploração sexual, a adoção clandestina, o tráfico de órgãos, o trabalho escravo sem exploração sexual e, agora, uma nova modalidade, que é o aliciamento em agências de modelos e escolinhas de futebol. O mais difícil em todas essas situações é que geralmente a vítima não se sente como vítima”, destacou a representante da Câmara Federal.

Flávia também exemplificou o caso de duas irmãs que foram convidadas por uma agência de modelos a trabalharem na Índia, porém foram levadas para outro destino e mantidas em péssimas condições e sob vigilância 24 horas. Com sorte, elas conseguiram retornar e hoje são testemunhas na CPI.

A parlamentar lembrou, ainda, que é preciso separar bem a diferença entre imigração e tráfico de pessoas. “Muitas pessoas vão por vontade própria. A presença do aliciador é que deve ser o foco das investigações”, ressaltou.

Para Ailton, a punição para os autores desses delitos está muito aquém diante da gravidade do fato. “É preciso que seja feita uma modernização na legislação. Apenas 5% dos crimes do País são elucidados. Considerando o registro de 750 casos da Polícia Federal, entende-se que esse número representa 5%. E os outros 95?”, questionou.

O programa vai ser exibido às 19 horas, na emissora, pelo canal 8 da Net e pelo site da Casa.

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