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Comissão da Verdade

20 de Dezembro de 2012 às 21:37
Comissão que propõe o levantamento de crimes cometidos contra jornalistas goianos, durante a ditadura, foi instalada nesta quinta-feira, 20.

Foi instalada nesta quinta-feira, 20, a Comissão da Verdade dos Jornalistas, Memória e Justiça de Goiás, que investigará crimes cometidos contra profissionais goianos da categoria, em atividade no Estado entre os anos de 1964 e 1985.

O evento teve lugar na Escola do Legislativo da Assembleia, a partir das 19h30, e contou com a presença de personalidades históricas do meio, como o jornalista Pinheiro Sales, autor de relevante obra na qual denuncia abusos perpetrados contra profissionais da imprensa. A reunião foi uma iniciativa do presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa da Casa, deputado Mauro Rubem (PT).

A Comissão terá até o ano de 2013 para colher dados referentes ao assunto, incluindo documentos, depoimentos e registros de vítimas que sofreram abusos durante o regime. Os mesmos serão encaminhados à Comissão Nacional da Verdade, que foi criada no âmbito do Congresso Nacional.

Abertura

O evento foi aberto pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Goiás, Cláudio Curado Neto, que afirmou que a busca da verdade não cessou com a Anistia Geral de 1979.  Em seguida, o presidente da Associação dos Anistiados, Hélio Cabral, afirmou que o objetivo é a formação de comissões regionais que possam contribuir com a gigantesca tarefa de levantamento de todas as informações colhidas no País referentes ao assunto.

"Vocês estão formando uma comissão, e sua ajuda é importante para reforçar esta campanha. Acredito que a impunidade e o mandonismo ainda prevalecem em nossos dias. Devemos abrir os olhos para que o passado não se repita. A luta continua: se a gente se cala, reforça o outro lado”, disse.

Representando a seção goiana da Ordem dos Advogados do Brasil, a advogada trabalhista Arlete Mesquita declarou que, uma vez que preconiza a busca e apuração de crimes ainda desconhecidos, a comissão confere efetividade a direitos sociais de todos os cidadãos brasileiros. “Quero registrar que a OAB já instalou uma comissão própria, que vai contribuir para o levantamento de novas informações", esclareceu.

História

Em um depoimento emocionado, o histórico jornalista goiano Pinheiro Sales, vítima de prisão e torturas durante o período ditatorial, revelou seu orgulho em pertencer ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Goiás. Para ele, a iniciativa da criação da comissão é um passo importante no resgate da história nacional.

"Esta é uma contribuição efetiva para resgatar a memória dos colegas sacrificados das mais diversas formas, e também representa uma contribuição maior no sentido de construir um futuro digno para nossos filhos e netos. Tenho a certeza de que a comissão cumprirá a tarefa que lhe está sendo outorgada neste momento”, disse.

O jornalista lembrou fatos importantes registrados no período, como a publicação, em diários brasileiros, de receitas culinárias e de poemas no lugar de notícias censuradas pelo regime. Ele também mencionou casos de assassinatos e sequelas produzidas por torturas infligidas a jornalistas brasileiros, destacando o assassinato do jornalista da TV Cultura de São Paulo, Vladimir Herzog.

Em seguida, o superintendente de Direitos Humanos da Secretaria de Segurança Pública, delegado Edilson de Brito, pediu desculpas aos familiares e torturados, reconhecendo os equívocos cometidos pelo poder policial oficial durante os 21 anos de ditadura. “Precisamos conhecer a verdade. Sem ela, as atrocidades continuarão a ser cometidas", afirmou. Ele encerrou sua fala pedindo maior articulação entre Poder Público e a sociedade civil organizada, com o fito de contribuir para o levantamento de fatos ainda desconhecidos, ocorridos àquela época.

A vice-presidente da Federação Nacional de Jornalismo (Fenaj), Maria José Braga, encerrou os pronunciamentos da noite. “O Estado brasileiro quer, sim, resgatar essa memória, na busca por mais justiça. A categoria dos jornalistas deve dar a sua contribuição. A Fenaj espera enviar um belíssimo relatório à Comissão da Verdade até março do próximo ano", afirmou.

Por fim, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Goiás, Cláudio Curado, procedeu à declaração pública do ato de instalação da Comissão da Verdade, Memória e Justiça de Goiás.

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