Fórum da Mulher Parlamentar
A Assembleia Legislativa de Goiás, por meio da Diretoria-Geral e Diretoria de Recursos Humanos, abrigou nesta segunda-feira, 18, a quinta edição do Fórum da Mulher Parlamentar do Estado de Goiás. O evento reuniu prefeitas, vereadoras, secretárias municipais e assessoras de prefeituras goianas para debater a condição feminina na política e caminhos para ampliar a participação na atividade pública.
O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, deputado Helder Valin (PSDB), afirmou em seu pronunciamento que o Fórum da Mulher Parlamentar é uma iniciativa que pretende valorizar a atuação feminina na vida públicas, tanto por meio de mandatos eletivos quanto da ocupação de cargos estratégicos nos governos federal, estadual e municipal.
Idealizado por Helder Valin, o evento contou com a presença de vereadoras, prefeitas, vice-prefeitas, primeiras damas e secretárias municipais. Participaram da Mesa, na abertura, as deputadas estaduais Sônia Chaves (PSDB) e Gracilene Batista (PTB), a vereadora Cristina Lopes (PSDB), a deputada distrital Celina Leão (PSD/DF), a deputada federal Marina Sant´ana e a procuradora geral da Assembleia, Regiane Dias Marcondes.
Na abertura do Fórum, Valin ressaltou que a proposta do evento é permitir a troca de idéias e informações “e principalmente dizer que a Assembleia Legislativa está aberta durante todo o ano, durante todo o nosso mandato, à participação das mulheres parlamentares”.
O presidente afirmou que as mulheres, apesar de serem maioria do eleitorado brasileiro, ocupam poucos cargos eletivos. De acordo com ele, há necessidade de romper com a "estrutura machista" que dificulte o acesso feminino às funções públicas.
"O Brasil, ao longo dos anos, tem quebrado paradigmas. Talvez o último a ser quebrado seja o aumento percentual das mulheres na vida política. É a área onde há menor participação feminina. As mulheres representam 52% do eleitorado do país. Temos que romper com a estrutura machista que dificulta o acesso delas aos cargos públicos. Para nós, este fórum representa a abertura desta Casa às mulheres parlamentares de todos os municípios de Goiás", afirmou o tucano.
O deputado tucano declarou ainda que as mulheres com mandato contam com apoio jurídico e parlamentar para que possam desenvolver um bom trabalho. “E que o mandato seja um incentivo para outras mulheres buscarem também a participação, de forma direta, no nosso processo político”, afirmou.
Aperfeiçoamento
A diretora de Recursos Humanos da Assembleia Legislativa, Jacqueline Nasiazene, afirmou durante a abertura do Fórum que a iniciativa tem também por objetivo o aperfeiçoamento e integração das mulheres que atuam na vida pública. De acordo com ela, parte dos municípios goianos não estão plenamente integrados e que é difícil promover eventos que permitam a divulgação de conhecimentos.
"Tiro o chapéu às mulheres que enfrentam uma campanha eleitoral. Somos discriminadas em alguns casos. Algumas enfrentam a vida política com coragem e saem vencedoras", afirmou a diretora.
A deputada Sônia Chaves (PSDB) afirmou que reconhece a dificuldade para que as mulheres tenham acesso igualitário ao universo político. De acordo com ela, preconceito torna a trajetória feminina mais árdua na seara política.
"Não é fácil ser mulher dentro de uma estrutura patriarcal. Há preconceito contra o ingresso das mulheres aos cargos eletivos. Notamos que há uma melhora no acesso, mas ainda não atende à realidade demográfica do país", afirmou Sônia Chaves.
Violência
Responsável pela palestra "A influência das decisões do Parlamento", a deputada federal Marina Sant'Anna (PT-GO) apresentou informações históricas sobre a data que ilustra o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
"As mulheres sofrem violência no país. Até 43% das mulheres afirmam que já sofreram algum tipo de violência. É pouco provável que alguma dessas mulheres tenha dito que se sente diminuída ao ser zombada quando manifestam vontade de ingressar na carreira política. A Lei Maria da Penha também aborda a violência simbólica e psíquica", afirmou Marina Sant'Anna.
A deputada federal afirmou que apesar da violência, a mulher não pode perder a sensibilidade. De acordo com ela, cuidar é entendido por alguns autores como inerente ao universo feminino. Marina Sant'Anna afirmou ainda esperar que a ocupação de cargos públicos por mulheres aumentem no futuro próximo.
"Nós, mulheres da política, não podemos nos afastar. Há mulheres brancas, negras, índias e de todos os jeitos que sofrem de violência. Quero sugerir que não percamos a noção do cuidar. Há autores que dizem que cuidar é ato feminino, que a mulher é capaz de cuidar da aldeia e do planeta, ou seja, da casa e do mundo em que vive. Às vezes, não refletimos e perdemos a sensibilidade. Nós, mulheres, temos direito a falar que nos educamos para observar detalhes e o universo. É uma pena que nossa história ainda não é aproveitada pela sociedade", afirmou a petista.
Enfrentamento
A promotora de Justiça Rubian Correa Coutinho ministrou a palestra “O enfrentamento à violência doméstica e familiar”, na qual fez um histórico da evolução do papel da mulher na sociedade. Segundo ela, o enfrentamento da violência doméstica familiar sempre foi um grande desafio e representa uma luta constante.
A representante do Ministério Público frisou que combate à violência praticada contra a mulher não é um privilégio dos brasileiros, pois ela ocorre até em países desenvolvidos, como Suiça e França. Para a promotora de Justiça, as lutas dos movimentos feministas na década de 1970 vieram dar fruto nos anos 80. No Brasil, um dos primeiros passos foi a inauguração da primeira Delegacia da Mulher, em São Paulo, em 1985.
A promotora afirmou que o Estado muitas vezes utiliza a mulher para resolver seus problemas. “Nossa carga horário é triplicada para beneficiar o Estado. Para combater isso, temos que ser agentes políticos, temos de participar do processo de elaboração das políticas públicas”, falou.
Rubian Coutinho também critica as políticas assistencialistas do tipo Bolsa Família. “Por que não nos dão uma educação de qualidade? Por que não nos dão uma saúde de qualidade?”, questiona.
Para Rubian Coutinho, o combate à violência contra a mulher depende de ações do poder público em várias instâncias. “O horário de verão aumenta o índice de estupros porque mulheres tem de sair no escuro. Principalmente as que moram em bairros mais carentes. A quem esse horário de verão está beneficiando?”, pergunta.
Segundo a promotora, as políticas públicas muitas vezes não dão certo porque não são pensadas por quem realmente precisa delas. Para ela, as mulheres não precisam ficar no papel de esposa de um político, mas sim ir à luta, elas próprias.
Como exemplo de uma construção social coletiva, ela cita a Lei Maria da Penha. “A Lei enfrenta dificuldades, mas traz possibilidade de enfrentamento da violência. Ela abrange tudo, muda a forma de ver e de pensar no mundo jurídico”, resume.
Saúde da mulher
A vereadora por Goiânia, Drª Cristina Lopes (PSDB), afirma durante o evento que entre as principais doenças ocupacionais existentes atualmente no Brasil, as relacionadas às vias aéreas, que ocorrem pela inalação de substâncias tóxicas, estão em primeiro lugar. Perda de audição, Lesão por Esforço Repetitivo (LER), Doenças Ósseo Musculares Relacionadas ao Trabalho (Dorte) e intoxicações exógenas vem na sequência.
Cristina Lopes sugere que as prefeitas e gestoras públicas presentes no evento invistam em programas de prevenção contra as doenças ocupacionais. Um das principais ações seria oferecer aos servidores públicos a ginástica laboral. “Esta atividade tem prevenido vários distúrbios que ocorrem no ambiente de trabalho”, informa.