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Juventude e violência

27 de Março de 2013 às 10:24
Em audiência pública nessa 3ª-feira, Jornada de Lutas da Juventude em Goiás discutiu o tema Violência contra a Juventude.

O Auditório Solon Amaral foi palco de uma audiência pública destinada à discussão da questão da violência contra a juventude, na noite dessa terça-feira, 26. Participaram do evento, denominado "Jornada de Lutas da Juventude em Goiás", representantes da Pastoral da Juventude do Meio Popular, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes  (UNES) e União Goiana dos Estudantes (UGES).

Fizeram parte da composição da mesa: Rosana Fernandes, da Via Campesina; Diego Kuerten, do grupo DiverCidade; Watusi Santiago, executiva da Juventude do PT (JPT); Adalberto Meira, da União Goiana dos Estudantes Secundaristas (Uges). Também estiveram presentes os deputados petistas Karlos Cabral e Mauro Rubem. O representante Bruno Pena marcou presença em nome da deputada Isaura Lemos (PCdoB).  

Todos os presentes receberam um manifesto da Jornada de Lutas de Juventude de Goiás, que essencialmente critica a marginalização e a escassez de oportunidades para a juventude nacional.

Bandeiras


Abrindo os debates, a representante da Via Campesina, Rosana Fernandes, disse que a juventude deve compreender que houve uma mudança efetiva no País, nos últimos anos, e que a audiência veio reafirmar a compreensão de que os jovens devem empunhar a bandeira das lutas sociais.

“Hoje, cerca de 2,5 milhões de jovens vivem em condições precaríssimas no campo. O jovem só vai permancer na zona rural se coexistirem  quatro elementos: o primeiro deles é a educação; o segundo, o acesso a tecnologias; o terceiro elemento importante é a questão da renda (a juventude precisa ter uma forma de renda no campo para ali permanecer);  também a questão do lazer, que envolve a necessidade da existência de espaços destinados à diversão”, explicou.

Secundaristas

Em sua fala, o representante da Uges, Adalberto Meira, falou sobre a ausência da participação popular na construção do processo educacional. “Hoje a escola não desempenha o seu papel de formação do cidadão, porque lhe falta infraestrutura adequada”. Ele também reclamou da falta de espaços e oportunidades para a livre manifestação cultural dos jovens. “Devemos nos conscientizar de que estudantes e escolas unificados poderão, juntos, modificar a realidade, e participar da construção de um futuro socialista”, afirmou.

Em sua intervenção, a representante  executiva da Juventude do PT, Watusi Santiago, reclamou da violência policial perpetrada contra estudantes na Praça Universitária, em Goiânia. Ela pediu maior liberdade para a juventude, no processo de ocupação e intervenção daquele espaço.
 
Diego Kuerten, do grupo DiverCidade, falou sobre a importância das jornadas de lutas empreendidas pela juventude - em especial, sobre  o movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT), que representa vários grupos relacionados à diversidade de opções sexuais. “É a juventude que ganha as ruas. É hora de unirmos bandeiras, sairmos às ruas e lutarmos pelos nossos direitos”, disse.

Ele também mencionou o que considerou avanços do movimento LGBT  goiano. “Em Goiás são quase 20 anos de luta; não podemos desistir, mesmo se formos excluídos por não seguirmos padrões de cultura heteronormativas”, afirmou, elogiando o apoio de Mauro Rubem às minorias sociais, através da apresentação de vários projetos no Plenário da Casa.

Em seguida, foi aberto espaço para a participação de representantes de diversos segmentos sociais.

Deputados

Em sua fala, o deputado Karlos Cabral (PT) falou sobre a relevância das discussões envolvendo a juventude, e chamou a atenção para a necessidade da unificação de bandeiras. “O momento é extremamente válido, pois é voltado, sobretudo, para a unificação das lutas. Não podemos mais continuar sob a batuta daqueles que se valem da juventude com o objetivo de ganhar eleições, para , em seguida, ignorá-la.”, afirmou

“Esse é um estado que não consegue resolver o problema do passe juvenil, que não consegue cumprir nem uma parcela da responsabilidade que tem para com o funcionamento da UEG. Se quisermos mudar essa realidade, devemos trazer o jovem para esta discussão. Precisamos, sobretudo, tomar o poder em Goiás. Não há maneira de criar uma alternativa. Devemos criar um outro modelo político alternativo. Está nas mãos da juventude fazer a tomada de poder em Goiás, pensar um estado com e para a juventude”, completou.

Bruno Pena, advogado do PCdoB, representou Isaura Lemos na audiência. “Acho que a juventude é o motor das transformações. Em qualquer País ou Estado onde é perseguida, a juventude é marginalizada”, disse. “Essa iniciativa será a pequena faísca, que vai incendiar todo o Estado de Goiás. A melhor forma de proteger o jovem da criminalidade é afastando-o dela, através da cultura, do esporte, da educação e, principalmente, por meio do trabalho”, afirmou.

O deputado Mauro Rubem fechou a declaração dos parlamentares ali representados, afirmando que a Assembleia Legislativa precisa ser ocupada pelos jovens. “Todos aqueles que, de alguma forma, são contrariados pela sociedade, mesmo esses, encontram respaldo no Legislativo”, disse.

“Nós estamos passando por um momento de aprofundamento do obscurantismo no Brasil, de regressão das conquistas democráticas”, ponderou. “Conseguimos, por exemplo, criar uma Comissão Nacional da Verdade com muita dificuldade. Mas, com certeza,  posso dizer que estamos dispostos a prosseguir, sempre, com uma jornada permanente da juventude, exigindo direitos e qualidade de vida”,  avaliou.

Em seguida, os membros da mesa fizeram suas considerações finais que encerraram o evento.

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