Deputados veem Mauro Borges como espelho para políticos
Os deputados Carlos Antonio (PSC) e Nilo Resende (DEM) lamentaram o falecimento de Mauro Borges Teixeira, ocorrido na manhã de sexta-feira, 29 de março. Ambos consideram o ex-governador de Goiás, ex-deputado federal e ex-senador da República "um espelho para a classe política, pelo seu legado de honestidade, compromisso com o público, enfim pelo estadista que foi".
Carlos Antonio, no exercício de seu primeiro mandato como deputado estadual e o segundo mandato parlamentar (foi vereador em Anápolis), garante que busca seguir as pegadas de Mauro Borges na política. “O Estado de Goiás ganhou muito com Mauro Borges, porque ele foi inovador, mas sempre trabalhou embasado em conceitos seguros, como planejamento, gestão, meritocracia, ação e desenvolvimento”, ressaltou.
Nilo Resende lembra que o Plano MB desenvolveu Goiás de maneira muito rápida e segura. “Mauro planejou o desenvolvimento de Goiás 40 anos em 4, tese semelhante à de Juscelino Kubitschek . Acredito que a cassação de Mauro Borges precisa ser esclarecida, haja vista que era um nacionalista que vinha de uma tradição política conservadora, inclusive era militar, e, sobretudo, porque desenvolvia uma gestão desenvolvimentista, mas com base em conceitos técnicos altamente seguros”, salientou.
Dados biográficos
Mauro Borges Teixeira nasceu em Rio Verde, no dia 15 de fevereiro de 1920. Filho do ex-interventor e médico Pedro Ludovico Teixeira, e de Gercina Borges Teixeira, foi alfabetizado por professores particulares em seu município de nascimento. Não tardaria muito, deixaria a cidade em direção à então capital do Estado, cidade de Goiás, em 1930.
Instalado com a família na antiga Vila Boa, cursou o ginásio no Liceu de Goiás. Como seu pai fora nomeado por Getúlio Vargas interventor do Estado, residia no Palácio Conde dos Arcos, sede do Executivo estadual. Seis anos após sua mudança para a cidade de Goiás, dirigiu-se ao Rio de Janeiro, onde ingressou na Escola Militar. Consta que obteve bom desempenho, iniciando a carreira como cadete, em 1938.
Destacado para servir no município gaúcho de Santa Maria, conheceu Maria de Lourdes Dornelles Estivallet, com quem se casaria em 1944. A carreira militar era promissora, atingindo o posto de tenente-coronel. Mauro Borges serviria ainda no Paraná, Rio de Janeiro e Goiás. Em 1948, entrou para a Escola de Comando e Estado Maior do Exército (Eceme), onde recebe orientações sobre como gerir crises sob a ótica militar.
Em 1958, é transferido para Goiânia, à atual 7ª Circunscrição do Serviço Militar (7ª CSM). Nessa mesma época, ingressa na reserva como coronel do Exército Brasileiro para se dedicar à vida pública. Mauro Borges candidata-se a deputado federal, em 1958, pelo Partido Social Democrático (PSD), mesma legenda de Pedro Ludovico. Eleito, lança-se como candidato ao Governo de Goiás, seguindo os caminhos do pai, que havia ocupado o cargo por quase 20 anos.
Eleito governador em 1960, elaborou a primeira administração planejada do Estado por meio do Plano Mauro Borges. Para a tarefa, contratou equipe da Fundação Getúlio Vargas. Criou a Secretaria do Planejamento para executar a proposta, antes mesmo que houvesse um Ministério do Planejamento no Governo Federal.
Sobre suas ações no Governo, escreveu no livro “O Golpe em Goiás” que, “Por força dos princípios que defendia e, mais ainda, pela realidade sócio-econômica de Goiás, região descapitalizada e de economia primária, fui levado – sem ser 'estatizante' – a tomar várias iniciativas pioneiras que feriram o interesse de poderosos grupos econômicos, menos pelo prejuízo direto que lhes trazia do que pelo perigo do exemplo, do precedente que se apresentava”.
Mauro Borges atuou de maneira a tornar a administração pública mais ágil e eficiente. Realizou concursos públicos e ampliou a infraestrutura do Estado. Adotou modelo de reforma agrária similar à realizada em Israel e retomou a ideia da Marcha para o Oeste, tão importante ao seu pai, Pedro Ludovico. Em seu governo, reestruturou a Celg e iniciou a construção de usinas de geração de eletricidade, como Cachoeira Dourada e Rochedo, além da construção do Aeroporto Santa Genoveva.
Em 26 de novembro de 1964, Mauro Borges foi deposto do Governo em razão do golpe que levou o regime militar ao poder. Escreveu em “O Golpe em Goiás” que, “diariamente, ex-auxiliares de meu governo eram presos, ameaçados e submetidos a interrogatórios, objetivando caracterizá-los como subversivos e levar o pânico às suas famílias”.
Afastado, mudou-se para sua fazenda em Corumbá de Goiás. Dois anos depois, é preso na terra dos pais de sua esposa – Rio Grande do Sul. Em seguida, teve os direitos políticos cassados – receberia a anistia por força de lei, em meados de 1979.
Volta à vida pública em 1982, quando se elege senador por Goiás. Em 1986, candidata-se novamente para o cargo de governador, mas perde a eleição para Henrique Santillo. Ao término de seu mandato no Senado, em 1990, obtém a cadeira de deputada federal. Foi seu último cargo eletivo. Mauro Borges, então, se dedica à vida particular a partir de 1994. Nesse período, recebe da Universidade Federal de Goiás (UFG) o título de Doutor Honoris Causa, a mais alta homenagem da instituição.
Mauro Borges publicou diversas obras. Entre seus livros, destacam-se “A Nova Capital do Brasil” (1956); “Estrutura Agrária” (1963); “O golpe em Goiás” (1965); e “Tempos Idos e Vividos: Minhas Experiências” (2002).
Em seu discurso de posse na Academia Goiana de Letras (AGL), preservado no livro “Academia Goiana de Letras: História e Antologia”, de Coelho Vaz, Mauro Borges afirmou:
“Vivemos a era dos chips, das máquinas fantásticas que não suprem o poder criador do ser humano. Quando lemos ‘O Poema do Milho', de Cora Coralina, constatamos que a inspiração divina da extraordinária poeta vem de outras profundezas além do poder dos chips e dos computadores de última geração. Vem da alma.”
Referências bibliográficas:
BORGES, Mauro. O Golpe em Goiás. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1965.
GOIÁS AGORA. Mauro Borges. Disponível em <http://www.sgc.goias.gov.br/upload/links/arq_310_Biografia_Mauro_Borges.pdf>
QUEIROZ, Luiz Alberto de. O Velho Cacique. Goiânia: Kelps, 1997.
TEIXEIRA, Maria Dulce Loyola. Mauro Borges e a Crise Político-militar de 1961 em Goiás. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1994.
VAZ, Coelho. Academia Goiana de Letras: História e Antologia. Goiânia: Kelps, 2008.