Situação da Celg
A TV Assembleia exibe nesta quinta-feira, mais uma edição do programa Opinião, que aborda a crise na Celg. Discutiram o tema o membro titular da Comissão de Minas e Energia da Casa, deputado Samuel Belchior (PMDB), e o promotor de defesa do patrimônio público, Fernando Krebs. O programa será exibido nesta quinta-feira, às 19 horas, na emissora, pelo canal 8 da Net e pelo site da Casa.
O presidente da Celg Geração e Transmissão, José Fernando Navarrete Lima, também foi convidado para a discussão. Porém, segundo sua assessoria, o presidente não compareceu porque foi convocado para uma reunião com a Eletrobrás, em Brasília.
Para o promotor, apesar de o Estado ter contraído empréstimos que somam R$ 7,21 bilhões, a Celg não é a maior vilã. “Na verdade, apenas uma parte desse empréstimo foi destinada à Celg, que representa R$ 3 milhões. Fala-se que a dívida da Celg soma R$ 6 bilhões, mas estimo um valor de R$ 9 bilhões. Alguns alegam que a venda de Cachoeira Dourada foi responsável por essa situação, porém, quando foi vendida, a dívida era de R$ 1 bilhão e não de R$ 6 bilhões. O fato é que a Celg está quebrada e só não foi à falência porque não tem como ser substituída por outra empresa”, disse Fernando Krebs.
Segundo Samuel Belchior, a crise da Celg é explicada por problemas administrativos e de gestão. O parlamentar ainda acrescentou que os apagões que vêm acontecendo frequentemente são resultados de uma má distribuição e manutenção. “Sou radicalmente contra a terceirização no serviço público. Mas, tenho certeza que, se a Celg fosse colocada à venda, apareceriam muitos grupos para comprar, porque ela fatura, em média, R$ 300 milhões por mês”, destacou.
O parlamentar acredita também que existem conflitos de interesses. “Teoricamente, quem deveria gerenciar a Celg hoje seria a Eletrobrás. Na verdade, a Celg continua sendo do Estado, pois o acordo de transferência ainda não foi concluído. E esses conflitos fazem com que o Estado pague caríssimo e não invista em outros setores que também são de extrema importância. A cidade de Cristalina, por exemplo, tem mais de 400 pedidos para rodar pivô, mas a Celg não libera a carga necessária”, disse Samuel Belchior.
Fernando Krebs completa a constatação do deputado, dizendo que a Celg está impedindo o crescimento do Estado. “Qual empresário vai investir em Goiás sabendo de toda essa situação calamitosa? O futuro não é a luz e, sim, a escuridão”, disse.
Em suas considerações finais, o promotor solicitou ao deputado que convide, em nome da Assembleia Legislativa, o presidente da Celg Distribuição, Leonardo Lins de Albuquerque, para que explique claramente o acordo entre Celg e Eletrobrás. “Que haja transparência e que esse nó seja desatado”, concluiu.