Transplante de órgãos
A situação dos transplantes de órgãos e tecidos no Estado é tema de debate no programa Opinião da TV Assembleia. Participam das discussões o deputado Helio de Sousa (DEM) e o gerente da Central de Transplantes de Órgãos e Tecidos do Estado de Goiás, Luciano Leão. Esta edição do programa Opinião, que debate sobre transplantes de órgãos e tecidos no Estado, vai ao ar nesta quinta-feira, às 19 horas, no canal 8 da Net e pelo site.
A rede transplantadora de Goiás, que contava com 22 hospitais e clínicas credenciadas, vive um momento de expansão com a inclusão de novas unidades e ampliação do atendimento das demais. A Santa Casa de Misericórdia, que já realiza transplante de rim, deve passar em aproximadamente 30 dias, segundo Luciano, a realizar transplante de coração. Os hospitais Santa Mônica e Jardim América passam a integrar a rede e se tornam mais uma opção para a realização de transplantes de rim.
Luciano buscou traçar a atual situação de Goiás em relação ao assunto. Segundo ele, tem-se constatado um avanço, porém ainda há muitas pessoas perdendo a vida por falta de órgãos para transplantes. “O Estado já realizou, desde 1995, mais de 11 mil transplantes, principalmente de córneas e rins. Apesar disso, não temos conseguido atender a demanda. Em relação ao cenário no Brasil, Goiás se encontra em posição mediana. Precisamos de parcerias para que a população tenha confiança no Sistema Nacional de Transplantes”, disse.
Helio de Sousa, que é o único deputado médico na Casa, aproveitou a oportunidade para fazer uma análise crítica sobre o assunto. “Primeiramente, vejo que o ato de aceitar a doação de órgãos é uma questão cultural, pois muitos não têm consciência da importância do transplante. Em seguida, enxergo um problema de logística. Não temos estrutura que possibilita uma maior captação de órgãos. Além de tudo isso, é preciso conscientizar a população através de divulgações”, pontuou o parlamentar.
Na ocasião, Luciano explicou sobre as funções da Central de Transplantes. “Damos condições para que os pacientes que precisam de transplante se inscrevam em uma lista, atualizamos os exames pré-operatórios a cada três meses e buscamos sensibilizar médicos para que possam fazer parte da rede de transplantes, já que nenhum profissional da Saúde pode retirar um órgão sem que haja cadastro”, informou o gerente da Central.
Luciano apontou uma pesquisa nacional realizada em 2012, que revela uma realidade de 60% de negativas de familiares para doação. “Dentre as maiores dificuldades das famílias, compreendem a dúvida quanto ao diagnóstico por morte encefálica e as dúvidas de origem religiosa ao acreditarem em um milagre”, destacou.
Para o deputado, é preciso ainda ampliar as ações que já estão sendo realizadas, a fim de aprimorar o sistema de transplantes em Goiás. “A participação tem que ser também da sociedade, e não só do Estado. O setor religioso também precisa discutir a importância da questão e a comunicação precisa ser ampliada”, finalizou.
Durante o programa, será exibida, ainda, uma matéria com o presidente da Associação dos Renais Crônicos, Escimar José Reis Araújo, mostrando o antes e o depois da vida de um transplantado.