Especialistas denunciam ocupação desordenada de zonas semi-urbanas
Ao fazer o uso da palavra, o professor do Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás (UFG), Tadeu Alencar Arrais, falou sobre a regulação do solo da região metropolitana, que compreende as zonas semi-urbanas em torno das grandes cidades. Para ele, esse processo é fundamental para a organização.
O professor participa do Fórum Regional do Centro-Oeste, que discute o Estatuto da Metrópole. Promovido pela Câmara Federal, o evento acontece no Auditório Solon Amaral.
Na mesma ocasião, o coordenador da União Nacional por Moradia Popular, Vital Barbosa, falou sobre a necessidade da implementação efetiva de um sistema nacional que possa regulamentar o processo de urbanização em torno das grandes cidades.
Municípios
Tadeu iniciou seu pronunciamento, aventando que os municípios do entorno de Goiânia não se sentem partícipes do desenvolvimento da região metropolitana. "Isso está relacionado aos diagnósticos. Há um problema em reconhecer que a mobilidade existente entre esses municípios é extremamente funcional para a Capital", afirmou. "Mesmo não se sentindo integrados, esses municípios fornecem uma drenagem de renda importantíssima, da qual a capital de Goiás depende, em muito", completou.
"Quando falamos do regime metropolitano brasileiro, aparecem os problemas de regulação do solo, ocupação urbana, dentre outros. O que eu tenho notado particularmente é que, diagnosticar este sistema metropolitano é muito fácil. O estranho do sistema metropolitano é que este diagnóstico dificilmente parte de municípios periféricos. Temos 20 municipios que participam da região metropolitana de Goiânia", afirmou.
Também segundo o especialista, deve haver uma política nacional conjugada com um planejamento ordenado das áreas vizinhas às capitais. "Necessitamos, ainda, de uma tipologia que, de certo modo, conduza as políticas públicas", disse."Dados como, por exemplo, relativos à densidade demográfica, dependem da delimitação da área urbana compreendida, de sua regularização", exemplificou.
Em seguida, Vital Barbosa clamou pela efetiva implementação de um Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano. Segundo ele, a urbanização acelerada em torno das grandes cidades existe "para cumprir vontades e interesses de administradores, e não para fazer um desenvolvimento integrado; há, inclusive, municípios com 99% de zona urbana, cujo território foi transformado em zona de loteamento destinada à especulação imobiliária", denunciou.
Ele também pediu maior regulamentação e efetiva aplicação de restrições à ocupação do solo urbano, através da criação e obediência a princípios contidos em marcos regulatórios.
Ao final do encontro, foi aberto espaço para a participação dos presentes à reunião.